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Cultura, Educação, Igreja

E o Carmo?

Por amarga ironia, a congregação salesiana decidiu encerrar as atividades do Colégio do Carmo exatamente quando a instituição completa 90 anos de atividade. Já é uma data que impõe à sociedade paraense, em particular a de Belém, se interessar pela questão. Tanto para cobrar explicações de quem de direito como para se mobilizar contra esse desfecho melancólico e autoritário dado a uma história muito mais longa, que remonta a 1627, com a instalação dos carmelitas no Pará, incluindo, no local, um convento, uma fabulosa igreja e a sede do parlamento municipal original. Esse marco importante não pode desaparecer de repente.

O Diário do Pará de hoje noticia a preocupação do governador Helder Barbalho pelo iminente fim do Carmo, mas informa que qualquer iniciativa que ele pudesse tomar esbarraria em um comodato com a entidade católica Sementes do Verbo, destinada à formação e evangelização de católicos, inviabilizando “qualquer iniciativa por parte do Estado”.

A informação, evidentemente, é incompleta, não permitindo uma melhor avaliação do problema. Mas o governo pode intervir através de um processo de desapropriação por interesse público, conforme a destinação que der ao colégio. Sem deixar de considerar ainda a intenção da inspetoria de também fechar a escola salesiana do trabalho, importante criação do padre Lourenço Bertolusso, de grande importância para a formação de profissionais na capital paraense. E também o deslocamento do centro do interesse da congregação para Manaus e Porto Velho, onde implantou unidades de ensino superior, perdendo o foco em Belém.

Discussão

3 comentários sobre “E o Carmo?

  1. Desculpa do governador um tanto quanto esquizóide e esfarrapóide.

    Será, na multidão de assessores do governador, nunca ouviu falar num treco chamado “intervenção estatal no domínio privado, por interesse público”?

    Estranho… muito estranho!

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 22 de novembro de 2020, 19:53
  2. Corrigindo:
    “Será que, na multidão de assessores do governador, ninguém nunca ouviu falar num treco chamado ‘intervenção estatal no domínio privado, por interesse público’?”

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    Publicado por Elias Granhen Tavares | 22 de novembro de 2020, 19:56
  3. E assim Belém, com a morte de um colégio tradicional, caminha para ser a metrópole do “já teve”

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    Publicado por igor | 23 de novembro de 2020, 18:25

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