//
você está lendo...
Justiça, Política

O caminho do futuro

Argumentos e fatos não faltam para se considerar Sérgio Moro um vaidoso obsessivo, um oportunista, um carreirista ou um conservador. Direitista, eu acho um exagero ou um erro. Negar a importância da Operação Lava-Jato retrospectivamente pela revelação desses atributos (preexistentes ou não) do juiz que presidiu os processos contra corruptos e corrupção na justiça federal do Paraná, é absurdo.

Para mim, tudo – ou quase tudo – que Moro fez ao renunciar à carreira jurídica foi errado: aceitar o convite de Bolsonaro, integrar o seu ministério, se calar por conveniência, engolir sapos, ignorar o barulho e o odor da sua fritura pelo presidente da república e até a escolha do momento e do motivo para deixar o governo.

Basta consultar as pesquisas realizadas em torno do seu nome, a partir da demissão da justiça, para constatar que os efeitos dessas decisões foram negativos. Moro já não tem cacife para ser candidato a presidente nem é um nome que se credencie automaticamente para acompanhar um cabeça de chapa. Ele se queimou de vez? É pouco provável. Ainda é cedo para dar uma resposta conclusiva.

O eleitor flutuante, indeciso ou centrista ainda está à cata de uma opção aos pré-candidatos já em campanha, como Bolsonaro, João Dória ou Ciro Gomes. No pano de fundo, Moro continua a acumular desgastes, inclusive quando aparece como protagonista. Seu depoimento de ontem na Polícia Federal, sobre a interferência política de Bolsonaro na corporação, foi fraco, evasivo, sem provas. Frustrou as expectativas.

Ele pode estar se preservando para batalhas mais importantes no futuro ou se ressente da falta de uma estrutura de campanha compatível com o desafio a que se propôs. Pressionado por essas limitações, assinou um contrato de advocacia (bem caro) com um conhecido especulador internacional de commodities minerais, em litígio com a mineradora Vale na África. O ato é profissional e vai lhe dar dinheiro para sua subsistência. Mas ele é também – e, agora, principalmente – político. O caminho não é um mar de rosas. E Moro já incorporou bastante espinhos à sua biografia.

Ainda assim, mesmo que tenha selecionado inimigos a enfrentar pela carga de repercussão que lhe poderiam proporcionar, Moro foi um excelente juiz da Lava-Jato. Melhor não havia no Brasil quando as investigações começaram. Por ter atingido Lula, que era o político de maior prestígio popular no país, provocou – e continua a provocar – reações furiosas e passionais. Mas suas sentenças têm resistido aos questionamentos e à reapreciação nas instâncias recursais.

A mim, elas não deixaram dúvida: Lula se corrompeu e comandou um novo processo de corrupção no Brasil, viciando a sua liderança e se tornando prejudicial ao futuro do país. Afora isso, há elementos para controvérsias, debates e imprecisões. É uma pena que a nação tenha atingido o patamar de combate à corrupção que a Lava-Jato lhe proporcionou ainda sujeita a recaída ruinosa, para a qual contribuiu aquele que era, quando decidiu mudar de rota, um dos mais importantes integrantes do poder judiciário brasileiro: Sérgio Moro.

Discussão

4 comentários sobre “O caminho do futuro

  1. bom caro jornalista que bom que quase ninguém lê teu jornal pois escreve mais besteiras do coisas que o povo entende falar que moro saiu queimado , fala sério isso é que tu pensas deixa ele vir candidato pra ti ver

    Curtir

    Publicado por luiz carlos | 28 de novembro de 2020, 13:51
  2. “fraco, evasivo, sem provas”. Bom resumo da atuação do juiz.

    Creio que a sensação – real – de corrupção disseminada na vida pública revoltava e oprimia muitos. Moro seria o Messias (antes do Jair) a pôr termo nesse mundo.

    Os brasileiros sempre estão em busca de redenção.

    Curtir

    Publicado por isilva | 29 de novembro de 2020, 09:36
  3. Acho que o Sr Moro inda tem que explicar o excludente de ilicitude, para mim, como advogado, de um absurdo sem par . Não passou no Congresso. Autorizou a condução coercitiva do ex presidente Lula à PF, meio considerado inconstitucional pelo STF. Divulgou a delação premiada do Sr. Palocci dias antes da eleição para presidente, que posteriormente foi considerada infundada, 200 e tantos cearenses foram mortos na onda da ‘greve” da PM do Ceará, sendo que a Força Nacional foi mandada para lá, ate hoje não se sabe para que. Aliás a greve contou com o apoio do Governo Federal, inclusive do próprio Ministério da Justiça. Por fim, vieram a lume as conversas divulgadas pelo Intercept Brasil do ex ministro com o MPF , uma vergonha inominável, pelo qual espero que STF ( Se seu presidente deixar) declare nula as condenações ao ex presidente, ao qual só defendo a aplicação do devido processo legal, jamais abonando sua atuação politica. Moro é o representante da extrema direita do Brasil e tenta tirar esse posto do governante de turno, sem sucesso(pelo menos ainda). Se se aliar ao apresentador de tv , para mim o desastre vai ser maior

    Curtir

    Publicado por Arlindo Carvalho | 29 de novembro de 2020, 11:14

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: