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Cultura, Imprensa, Justiça, Polícia, Política, Segurança pública, Violência

O inferno no paraíso

Jovens que atravessam a noite, reunidos em seus bairros, próximos às suas casas, podem ser surpreendidos por carros pretos ou pratas, com película grossa, de dentro do qual saem homens camuflados atirando a esmo com armas pesados, matando quem estiver ao alcance das suas balas. É um acontecimento constante na periferia de Belém. Quem morre? Por que morre? E o que acontece a partir daí?

São perguntas que meu novo livro (Amazônia, inferno no paraíso, 136 páginas, R$ 30) pretende responder através da crônica dos fatos cotidianos. Uma questão grave e assustadora, para a qual espero atrair o interesse da opinião pública.

O livro estará nas bancas e livrarias nesta semana. Reproduzo o texto da orelha.

Os mortos com rosto

A antiga legenda da Amazônia como o paraíso chegou ao fim. São poucos os espaços na imensa região, incluindo as suas extensões além das fronteiras do Brasil, em que a marca da expansão da sociedade nacional não seja a violência. Violência em todas as modalidades da sua expressão humana.

É até patético traduzir a expressão humana, associada ao melhor da cultura do Homo Sapiens, ser racional e único, por saber pensar, a brutalidades que vão da destruição da natureza aos crimes de morte encomendados.

Geralmente, essa violência é tida como exclusiva do meio rural, das áreas isoladas que as frentes pioneiras alcançam. Essa fronteira em expansão, porém, sempre resultou em deslocamento da população nativa, índia ou miscigenada, expulsa da terra original pela força das armas ou do exercício do poder, mesmo quando não resulta em crime formalmente tipificado na lei.

Foi o que aconteceu com a população do médio e alto Tocantins quando as fazendas de gado de proprietários de fora da região avançaram pela zona de transição do Meio-Norte e Centro-Oeste para a Amazônia. As zonas alagáveis de Belém, as “baixadas”, desvalorizadas e de propriedade mal definida (ou mesmo indefinida) serviram de abrigo para esses retirantes dentro do seu próprio Estado.

Um segundo movimento incorporou as levas de colonos que se espraiaram pelas grandes rodovias, mas acabaram por desistir da manutenção nas terras que ocuparam apenas com sua força de trabalho. Aí a periferia da capital paraense começa a se tornar mais diversificada. E, a partir de certo momento, se incorporar à violência urbana cada vez mais sanguinária.

O jornalista Lúcio Flávio Pinto acompanhou diariamente os crimes – homicídios, execuções, matanças indiscriminadas – para dar nome e situação aos meros nomes anotados com desatenção e insensibilidade na imprensa periódica.

O objetivo deste livro é justamente revelar os seres humanos que, por caprichos da vida (e da morte) ou pelo excesso de poder de alguns personagens, perderam seu bem mais nobre, a sua vida. Talvez, assim, ela se valorize um pouco mais, merecendo a atenção e o cuidado que a lei maior da vida em sociedade lhe confere. Infelizmente, na letra morta da lei.

Discussão

11 comentários sobre “O inferno no paraíso

  1. Parabens, Lúcio, por mais uma obra de impacto.

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    Publicado por ricardoconduru | 29 de novembro de 2020, 19:08
  2. Já tenho o meu.

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    Publicado por Edyr Augusto | 29 de novembro de 2020, 23:52
  3. É um livro chocante.

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    Publicado por pedrocarlosdefariapinto | 30 de novembro de 2020, 08:44
  4. Peço que me envies, se possível, foto da capa do teu livro, nome da editora que o publicou. Quais as livrarias e bancas onde a obra pode ser encontrada? E se alguém de outro estado quiser comprar um exemplo, como deverá proceder? ( Isso está parecendo uma pauta rsrs.) Preciso dessas respostas para divulgar a obra no Face(Leal Kostav) e no Twitter. Meu e – mail : edevaldoleal@yahoo.com.br

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    Publicado por Leal Kostav | 30 de novembro de 2020, 09:42
  5. Bom dia, Lúcio. Vou atrás do meu.

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    Publicado por Rafael Araújo | 30 de novembro de 2020, 09:49
  6. Peguei o meu na Fox. Trata de uma realidade simplesmente assustadora e que não é local, envolve todo o país. É tudo reflexo. Há 30/40 anos era impensável que se chegaria a tanto. Decididamente uma nação enferma, e se formos esperar por essa turma de Brasilia, com as instituições cada vez mais avacalhadas (o tal kassio, no supremo, está aparando no peito as bolas do bolsonaro) a cura não virá tão cedo.

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    Publicado por Alcides | 1 de dezembro de 2020, 00:46

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