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Ciência, Desmatamento, Ecologia, Estrangeiros, Floresta, Governo, Militares, Queimadas

Parceria Brasil e China

No dia 22, um dos seis satélites que o Brasil desenvolveu em parceria com a China, completou um ano em órbita, integrante do Programa CBERS (em português, Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres). Nesse primeiro ano de operação o satélite distribuiu a órgãos governamentais, instituições de ensino e iniciativa privada mais de 300 mil imagens.

Uma de suas câmeras é utilizada em aplicações como o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER) e o Monitoramento do Desmatamento dos Biomas Brasileiros por Satélite (PRODES), que fornecem apoio à fiscalização e ao controle do desmatamento nos biomas Amazônia e Cerrado. Ela será complementada por um novo satélite, concebido e fabricado integralmente no Brasil, pela primeira vez, que já está na Índia, de onde será lançado provavelmente em 22 de dezembro, atestando a evolução tecnológica brasileira. No caso, com trabalho que durou oito anos e consumiu 400 milhões de reais. Mas ainda não permite o lançamento de satélites de território nacional.

Por que, então, abrir uma nova frente, comprando um novos satélite, a sr importado da Finlândia, em operação secreta, sem licitação pública e sem consulta à comunidade científica nacional e à própria opinião pública?

Reproduzo a seguir matéria distribuída no dia 22 pelo Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, enfraquecido pela nova iniciativa do governo Bolsonaro.

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Neste domingo, o satélite CBERS 04A, desenvolvido em parceria com a China, completou um ano em órbita. Lançado em 20 de dezembro de 2019 da base chinesa de Taiyuan, o satélite CBERS 04A é o sexto satélite do Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite; em português, Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).

Ao longo deste primeiro ano de operação em órbita, com vida útil projetada para, no mínimo, de 5 anos, o satélite vem fornecendo diariamente imagens de sensoriamento remoto do território nacional e de outras áreas do globo (com o uso do gravador a bordo). Neste primeiro ano de operação o satélite já distribuiu a órgãos governamentais, instituições de ensino e iniciativa privada mais de 300.000 imagens.

O CBERS 04A é um satélite de classe mundial, que leva a bordo três câmeras, sendo duas brasileiras (MUX e WFI) e uma chinesa (WPM). A multiplicidade de sensores permite ao CBERS 04A produzir imagens capazes de atender a diversas aplicações, como monitorar desmatamentos, queimadas, o nível de reservatórios, desastres naturais, a expansão agrícola e o desenvolvimento das cidades, entre outras. Cada câmera possui um nível de resolução capaz de gerar imagens no detalhamento necessário conforme a aplicação.

A câmera WPM, com resolução espacial de 2m na banda pancromática e 8m nas bandas multiespectrais, com revisita de 31 dias e faixa de imageamento de 92km, é ótima para estudos urbanos que requerem informações bastante detalhadas.

A câmera MUX possui resolução espacial de 20m, revisita de 26 dias, faixa de imageamento de 95km, quatro bandas no visível e infravermelho próximo, e produz imagens de alta qualidade, comparáveis às produzidas pelos melhores satélites de sua classe em todo o mundo, sendo indicadas para estudos hídricos, de vegetação e de agricultura.

A câmera WFI, de campo largo de 684km, possui resolução espacial de 63m, revisita de 5 dias, tem boa qualidade radiométrica e geométrica, e é utilizada em aplicações como o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER) e o Monitoramento do Desmatamento dos Biomas Brasileiros por Satélite (PRODES), que fornecem apoio à fiscalização e ao controle do desmatamento nos biomas Amazônia e Cerrado.

Membro do International Charter Space and Major Disasters, um consórcio de agências espaciais de vários países, o INPE fornece, sem custos, imagens CBERS para o monitoramento de situações de emergência causadas por desastres naturais em todo o mundo.

De forma análoga ao que já vinha acontecendo com as imagens do CBERS-4, muitas imagens do CBERS 04A estão sendo usadas por empresas dos setores agrícola, florestal e de mineração. Para o INPE, responsável pela execução no Brasil pelo Programa CBERS, a forte demanda do setor privado demonstra que as imagens do satélite agregam valor aos negócios, como fonte de informações estratégicas. Destaca-se que em 2004 o INPE adotou a política de dados livres por meio do programa CBERS, tendo influenciado decisões semelhantes tomadas pelo USGS (United States Geological Survey) e pela ESA (European Space Agency), em 2007 e em 2009, para os programas Landsat e Sentinel, respectivamente.

As imagens estão disponíveis para o público no catálogo do INPE e podem ser acessadas por meio de http://www2.dgi.inpe.br/catalogo/explore.

O Programa CBERS nasceu de uma parceria inédita entre Brasil e China no setor técnico-científico espacial firmada em 1988 e que completou 30 anos em julho de 2018. Com ela, o Brasil ingressou no seleto grupo de países detentores da tecnologia de geração de dados de sensoriamento remoto, tão importante em um país com as dimensões do Brasil.

Os satélites com as características dos da família CBERS inseriram Brasil e China na categoria dos países detentores dos satélites mais utilizados em todo o mundo, como Estados Unidos (Programa Landsat – atualmente Landsat-8 – da NASA/USGS), Índia (Resourcesat) e União Europeia (satélites SENTINEL 2A e 2B do programa europeu Copernicus). Suas especificações refletem o compromisso técnico entre resolução espacial, espectral e ciclo de revisita que atende à maioria das aplicações de satélites em todo o mundo.

O programa é gerenciado pela AEB (Agência Espacial Brasileira) e pela CNSA (Administração Nacional Espacial da China), tendo como executores técnicos o INPE e a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial).

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