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Economia, Minério, Multinacionais

Renovação do atraso

O Pará é um Estado exportador e assim continuará a ser pelos próximos anos, cada vez mais. As exportações do ano passado chegaram a 20,5 bilhões de dólares (próximo de 100 bilhões de reais). O valor equivale ao do PIB do Estado, o que dá uma ideia da sua grandeza. É um PIB adicional que circula por outros países. quase dois terços dele na Ásia, com concentração quase absoluta na China, na forma de minério de ferro, o melhor que há no planeta. Muito dinheiro num modelo colonial, que propicia ganhos elevados ao comprador, que compra e beneficia o produto primário, e ao exportador. Mas não garante o desenvolvimento e o progresso do exportador – muito pelo contrário.

Dos US# 20,5 bilhões de exportações do Pará no ano passado, US$ 17 bilhões são do que impropriamente o mercado chama de “indústria da mineração”. Na verdade, US$ 3,5 bilhões seriam propriamente da indústria, enquanto US$ 14 bilhões e US$ 14 bilhões da mineração. “Seriam” porque US$ 1,1 bilhão estão na conta da alumina calcinada, insumo industrial da Hydro/Alunorte fornecido à Albras, controlada pela mesma multinacional norueguesa, que exportou US$ 198 milhões de alumínio metálico, em sua forma mais primária, de lingote.

Quanto o Pará ganharia se dos incríveis 182 milhões de toneladas que foram exportados (quase dois terços para a China) do principal produto de exportação, o minério de ferro de Carajás, uma parte maior seja utilizada para gerar maior valor agregado. Mas não como ferro gusa, que está de volta, em 2020 com mais 102% do que foi produzido em 2019,. US$ 62 milhões. Isto é renovar o atraso, sob a sedução da receita que fica retida, de mais de 3 bilhões de reais como compensação financeira, dos quais R$ 3,7 bilhões ficam com Parauapebas e Canaã dos Carajás.

Discussão

4 comentários sobre “Renovação do atraso

  1. Isso aí é herança maldita do famigerado Pacto Colonial, o qual relegava a colônia a mero produtor exportador de commodities, enquanto que a Metrópole produzia manufaturas e, posteriormente, gêneros industrializados. Essa dependência econômica do Pará em relação as exportações faz o estado, do ponto de vista socioeconômico, ser comparado as repúblicas bananeiras da América Central do século XX.

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    Publicado por igor | 13 de janeiro de 2021, 17:07
  2. Enquanto os exportadores comemoram os números de 2020, o Pará contabiliza a perda de 182 milhões de toneladas de ferro de seu território.

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    Publicado por pedrocarlosdefariapinto | 13 de janeiro de 2021, 23:22
  3. Vamos nos tornar o mais exportador de montanha do mundo.

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    Publicado por pedrocarlosdefariapinto | 14 de janeiro de 2021, 10:10

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