//
você está lendo...
Energia, Governo, Petróleo, Política

O mestre do caos

Quanto já custou e quanto ainda custará o modo irresponsável, voluntarioso e leviano do capitão Jair Bolsonaro de exercer a presidência do Brasil? É direito dele e prerrogativa da sua função fazer aquilo em que acredita e cumprir as promessas de campanha, que o elegeram pelo voto direto da maioria do dos brasileiros. Mas a presidência não é uma cartola de mágica nem uma caixa de pandora. Muito menos uma propriedade privada do presidente & família.

Com uma simples declaração, de que ia demitir o presidente da Petrobras, a maior empresa do país e das maiores do mundo, causou a maior perda em bolsa – de 102 bilhões de reais – de toda história da petroleira em apenas dois dias do anúncio da decisão (com uma estúpida mise-en-scène de espetáculo mambembe). Conforme o ato se aproxime dos trilhos da normalidade, esse dinheiro (ou parte dele) voltará à sua origem, como é próprio dessa jogatina de papeis corporativos. Mas quanta gente perdeu injustamente e quanta gente ganhou oportunisticamente? Por quanto tempo e por quanto valor se prolongará o desgaste da imagem e da credibilidade internacional da Petrobrás, que atua num mercado voraz e massacrante?

O presidente não estava satisfeito com o presidente da Petrobras, Roberto Castelo Branco? Poderia chamá-lo, junto com seu superior, o ministro das Minas e Energia, conversar, tirar-lhe o crédito de confiança e acertar amistosamente (mesmo que engolindo em seco a contrariedade) para que ele cumprisse seu mandato, até o dia 20 do próximo mês, e se afastasse da companhia.

O presidente poderia tornar públicas as suas queixas, de que o presidente da Petrobras não estava conseguindo administrar bem os preços, que não vira a importância do processo da refinaria à bomba de abastecimento do varejo, que devia ter convencido as partes da correção das suas atitudes e tudo mais. Dizendo que não ia interferir na formação dos preços, o presidente foi atrabiliário ao demitir de supetão o executivo de carreira, ao nomear um general (independentemente de suas qualificações), indicando o caráter de intervenção da substituição – e o mais grave: antecipando que os preços poderiam cair 15%. Mesmo tendo reiteradamente declarado que nada entende de economia e que a palavra do ministro Paulo Guedes seria sagrada, ministro ao qual nem consultou para desencadear a desastrada ofensiva, Bolsonaro agiu no grito.

Logo em seguida, anunciou que ia “meter o dedo” (como sempre, suas expressões bombásticas são chulas, inapropriadas para quem exerce o cargo que ele ocupa) nos preços da energia, tarefa do ministério das Minas e Energia, sujeita à participação das empresas do setor. A ameaça de tabelamento administrativo de preços e tarifas de serviços públicos causa arrepio na tradição de populismo econômico à custa do tesouro no Brasil.

Novamente, um presidente sério chamaria o ministro e os presidentes das estatais de energia para uma conversa sobre a questão. De um entendimento entre todos, as empresas, que são companhias abertas, com ações negociadas em bolsa, dentro e fora do Brasil, emitiriam um comunicado de fato relevante anunciando as medidas que adotariam em função das diretrizes do governo. O “meter o dedo” soa como mandonismo de um paxá, de um imperador, de um ditador. Mais desgaste e mais prejuízo.

Diz-se que as últimas palavras de Goethe ao morrer foram “mais luz, mais luz”. Bolsonaro quer mais trevas, mais trevas. Só assim parece acreditar que continuará no poder, fazendo o que sabe fazer: o caos.

Discussão

3 comentários sobre “O mestre do caos

  1. Lúcio, olha essa do líder do governo no Congresso, Ricardo Barros, o lulista que virou bolsonarista de extrema-direita da noite pro dia, disse: “O poder público poderia estar mais bem servido, eventualmente, com um parente qualificado do que com um não parente desqualificado. Só porque a pessoa é parente, então, é pior do que outro? O cara não pode ser onerado por ser parente. Se a pessoa está no cargo para o qual tem qualificação profissional, é formada e pode desempenhar bem, qual é o problema?”
    Esse aí é o mais perfeito representante de Jair Bolsonaro, um entusiasmado praticante do nepotismo, até mesmo do nepotismo fantasma.
    O Brasil está num processo acelerado de apodrecimento e de decadência moral, que envolve Executivo, Legislativo e Judiciário. Enquanto o miliciano Jair Bolsonaro destrói a PETROBRAS para comprar votos em 2022, os outros poderes e o crime organizado (barões da droga, PCC, CV, FDN, milícias) blindam-se legalizando crimes como a rachadinha, o nepotismo, o caixa 2, roubo de mensagens para inocentar quadrilheiros, a lavagem de dinheiro, os homicídios intencionais praticados por policiais (aquela do excludente de ilicitude), o roubo de mensagens para inocentar quadrilheiros e até mesmo o crime de estupro (lembre-se da sentença do “estupro culposo”). Esse é o paraíso que qualquer criminoso estrangeiro tipo Battisti, Ronnie Biggs, Mengele, Stroessner e até mesmo o Bin Laden (que o diabo tenha os 4 últimos em mãos) quer desfrutar impunemente. A porteira do nosso país tá aberta para eles, e o submundo do crime continua em festa. André do Rap do PCC deve muito ao Bolsonaro, ao Congresso Nacional e a turma de pseudo-garantistas do STF, afinal, foram eles que abriram a porta da cadeia pra ele.
    Como diz o Capitão Nascimento, o sistema é PHODA. Tudo o que foi narrado no filme TROPA DE ELITE 2: O INIMIGO AGORA É OUTRO tá se cumprindo.

    Curtir

    Publicado por igor | 23 de fevereiro de 2021, 18:27
  2. O Ex – Ministro Delfin Neto diz que só a livre concorrência vai fazer a Petrobrás baixar os preços dos combustíveis.
    Só falta o Congresso viabilizar essa iniciativa.

    Curtir

    Publicado por Cliff | 23 de fevereiro de 2021, 19:03

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: