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Política

Quadratura do círculo

O cidadão Jair Messias Bolsonaro não parece ser bipolar, mas o seu governo é. Passa de um extremo a outro com repentina facilidade. Nega no dia seguinte o que afirmou na véspera. Promete num dia o que vai esquecer no dia posterior. Segue nesse vai e vem sem qualquer inibição por coerência ou constrangimento. Planejamento, plano estratégico ou qualquer atitude de médio e longo prazo é algo que não integra a sua personalidade. Para o presidente, o compromisso com seja lá o que for não dura mais do que 24 horas. A cada novo dia ele só renova dois objetivos: permanecer no poder, com margem crescente de discricionariedade, e proteger a si – e à família – das consequências dos seus malfeitos.

Essas metas se configuram a partir da observação de dois elementos vitais: as conversas pelas redes sociais da internet e as pesquisas de opinião. Se sua popularidade cai, o que interessa para ele é a razão dessa queda. Se foi pela falta do auxílio emergencial, que esse socorro seja providenciado o mais rapidamente possível, não importando o meio. Se seus seguidores/adoradores o criticam, ele trata de atendê-los, mesmo que à custa de crassa contradição ou abuso de irracionalidade.

Em meio ao maior desafio à saúde pública e aos desajustes causados por uma política econômica sem a consistência exigida para responder à crise, o presidente muda conforme as circunstâncias, amoldando-se à cor momentaneamente dominante e às conversas fluentes, por mera osmose conveniente. No fundo, nada muda. Continua a pensar na covid-19 como uma gripezinha, nos resultados negativos da política econômica e da ação política como manobra dos inimigos, e nas adversidades como efeito de conspiração maligna.

Quando seus críticos apontam para a redução de oito pontos da sua popularidade, não dão a relevância necessária ao fato de que seu apoio nunca baixa de um terço, não importa o que ele faça ou diga para disfarçar a sua imutabilidade. É uma proporção que lhe garante passar para o 2ª turno da eleição do próximo ano, sem se importar com o adversário. Se for Lula, vamos ter a prova dos noves sobre a condição do ex-presidente de ser um mito maior do que Bolsonaro, na polaridade que vem arruinando o Brasil nos últimos tempos.

Discussão

Um comentário sobre “Quadratura do círculo

  1. Bolsonaro e Lula igualam-se em dois objetivos estratégicos. Na montagem do cenário para a disputa presidencial de 2022, tornaram-se cabos eleitorais um do outro, numa espécie de mistura pacto Molotov-Ribbentrop com Política do Café-Com-Leite (será condensado?). Na estratégia para lidar com processos por corrupção e outros crimes, agem para matar provas e beneficiar outros criminosos. O sistema é PHODA, parceiro!

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    Publicado por igor | 24 de fevereiro de 2021, 11:30

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