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Economia, Governo

Pacto bancário

No momento em que é reativada a política de privatizações no Brasil, convém lembrar matéria publicada pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região em 6 de julho do ano passado.

Ela registra a compra pelo BTG compra de três bilhões de reais de dívidas vencidas do Banco do Brasil por R$ 300 milhões, 10% do valor.

O Banking and Trading Group Pactual (BTG Pactual) é um banco de investimento brasileiro, fundado por Paulo Guedes, que se desligou da instituição para integrar o governo Bolsonaro, na condição de super-ministro.

Efetuada a compra, o BTG passaria a convida os devedores do BB a pagarem a sua dívida com 80% de desconto. Aceita a oferta, o BTG lucraria R$ 300 milhões. 

A pergunta elementar: por que o BB não fez o mesmo?

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BB cede carteira de crédito ao BTG em meio à nova ameaça de privatização

Enquanto Paulo Guedes, um dos fundadores do BTG Pactual, fala à imprensa do anúncio de quatro grandes privatizações nos próximos 90 dias, pela primeira vez Banco do Brasil realiza cessão de carteira a um banco que não é de seu conglomerado  

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista à CNN neste domingo, anunciou que o governo brasileiro fará quatro grandes privatizações em 90 dias. Sem detalhar quais estatais seriam entregues à iniciativa privada, Guedes acrescentou que “as privatizações, até agora, não caminharam no ritmo desejado”.

A nova ameaça privatista do governo Bolsonaro foi feita dias após o Banco do Brasil anunciar a venda de carteiras de crédito, a maioria em perdas, a um fundo do BTG Pactual, banco fundado na década de 1980 pelo próprio Guedes. Trata-se da primeira cessão de carteira do BB a um banco que não pertence ao seu conglomerado. A carteira cedida tem valor contábil de R$ 2,9 bilhões e o impacto financeiro da transação será de R$ 371 milhões, antes dos impostos, que serão lançados no terceiro trimestre.

Em comunicado divulgado na quarta-feira 1º, o BB informou que “esta operação é o piloto de um modelo de negócios recorrente que o Banco está desenvolvendo para dinamizar, ainda mais, a gestão do portfólio de crédito”.

Para João Fukunaga, diretor executivo do Sindicato e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), trata-se de uma operação, no mínimo, suspeita. “A venda da carteira de crédito para o BTG Pactual, dita de vanguarda, é bastante suspeita ao beneficiar, pela primeira vez, um banco fora do conglomerado e que justamente foi criado pelo ministro bolsonarista. Como saber se o BB não está sendo usado para interesses escusos do Paulo Guedes?”, questiona o dirigente.

Fukunaga acrescenta que algumas superintendências têm feito reuniões com os gerentes gerais informando que o banco será privatizado em, no máximo, três anos. Além de prejudicial aos funcionários e ao desenvolvimento econômico e social do Brasil, a privatização do BB traria consequências nefastas à maioria dos brasileiros, pois afetaria principalmente o financiamento da agricultura familiar, encarecendo o valor dos alimentos à mesa da população.

Falta de transparência

Segundo a economista do Dieese Cátia Uehara, não houve transparência por parte do BB na operação. Ela explica que os bancos, periodicamente, procuram “limpar” seus balanços cedendo créditos podres para empresas no intuito de reduzir custos e o índice de inadimplência.

“Essas empresas/fundos, então, compram essas carteiras e, por meio de um processo chamado securitização, transformam ativos; como cheques, crédito, duplicatas e outros recebíveis em atraso; em um título. Para os compradores, o lucro vem da diferença entre o que eles pagaram ao banco e o que receberão ao cobrar esses recebíveis/dívidas no futuro. Todavia, no caso da operação realizada pelo BB com o BTG Pactual, não fica claro se o valor da carteira cedida de R$ 2,9 bilhões é justo, pois o BB não explica qual o tipo da carteira e menciona somente que ela é “majoritariamente em perdas”, não havendo transparência na operação”, enfatiza.

A operação suspeita e que envolve um banco criado pelo ministro da Economia parece ser mais uma das arbitrariedades cometidas pelo governo Bolsonaro ao longo de sua ingerência política dentro do Banco do Brasil. Internamente, gestores trabalham no sentido de não admitir contestações dos seus subordinados.

Em um canal interno do BB, quando questionada por um funcionário, que argumentou se a transação não estaria atendendo a algum interesse de Guedes, fundador do BTG Pactual, um gestor reagiu de forma totalitária, censora e intimidadora: “Sua colocação não está compatível com o nosso código de conduta, pois traz ilações inaceitáveis. Estou te ligando para entender melhor por que você se permitiu registrar esse comentário”, respondeu.

“Além do intuito do desmonte e da venda, há um projeto autoritário no BB comandado a mãos de ferro pelo Paulo Guedes. Além dos desmandos pouco ortodoxos, a direção do BB tem feito vista grossa para acusações de assédio por parte de gestores contra funcionários e, além de banalizado, tem normatizado esse tipo de prática nefasta. Cobramos que o banco abra um processo de assédio moral contra o gestor pelo comentário acima censurando, publicamente, o funcionário”, finaliza João Fukunaga.

Discussão

Um comentário sobre “Pacto bancário

  1. O tapete financeiro no Brasil ainda não foi levantado. Há que ler, pesquisar, como os fundos “abutres” atuam, saqueiam os cofres do governo, a poupança do povo. Como sugestão estuda o histórico dos ministros de finanças e dos presidentes do Bco Central. Procura saber qual a razão dos “leaks” do HSBC e outros terem sido sepultados antes de abertos. O jornalismo investigativo financeiro no Brasil ainda engatinha.
    Não se coloca raposa para tomar conta de galinheiro nem macaco para vigiar bananal

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    Publicado por Valdemiro A M Gomes | 1 de março de 2021, 09:24

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