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Polícia, tráfico de drogas, Violência

Fartura de balas

Dois homens se aproximam de um grupo de pessoas que moram na rua (“em situação de rua”, segundo o jargão do politicamente correto), em torno da praça Magalhães, no bairro do Reduto, no centro de Belém. Um deles desce e se aproxima de uma mulher. Manda os demais se afastarem. A mulher pede para o homem não lhe fazer mal. Indiferente, o homem lhe dá sete tiros pelo corpo: na cabeça, pescoço, ombro e nádega. Volta à motocicleta e vai embora.

Tempos atrás, um viciado em drogas e doente recebeu quatro tiros, mas sobreviveu. O local é ponto de concentração de quem perambula pela rua e é dependente de drogas. Vários deles passam a noite em torno do canal do Reduto, dormindo sob o abrigo de pedaços de papelão. A situação é conhecida.

A parte esse fato, há uma questão nesses atos característicos de execução. Por que usar tantas balas para matar uma pessoa, como a mulher, Gleiciane Oliveira de Souza, de 31 anos, inteiramente à mercê do assassino? Ainda mais quando a arma usada é uma pistola ponto 40, que usa munição mais cara? Provavelmente a morte se deve a dívida de droga não paga.

O exagero de tiros parece ter a função de advertir outros que estejam com dívida junto a traficantes a tratar de quitá-la para não ter o mesmo destino. Ainda assim, o desinteresse pela economia de munição sugere que o acesso a balas é fácil e o preço deve estar num valor aceitável. Daí a abundância de tiros mesmo em execuções como essa no cada ves mais perigoso Reduto.

Discussão

Um comentário sobre “Fartura de balas

  1. E com a vulgarização do posse e do porte do armas, tão defendida pelo capitão boçal, aí é que a propagação da violência pelo fogo da pólvora se tornará ainda onipresente no cotidiano já embrutecido das nossas cidades.

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    Publicado por rafael araújo | 1 de abril de 2021, 17:35

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