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Memória

Memória – Nossa energia

Em 1963 o consumo de energia em Belém era de 23 mil kw. A Força e Luz do Pará dispunha de sete mil kw a mais de energia nas usinas térmicas que operava. Belém era uma das três capitais da Amazônia Legal que possuíam energia excedente. As outras eram Manaus e Rio Branco.

Isto não significava, porém, que estivessem em boa situação: a demanda é que estava reprimida. E embora houvesse uma margem de folga, o sistema de distribuição e as periódicas paralisações das velhas máquinas a óleo diesel do Tapanã criavam problemas para a cidade. Por isso, a Forluz pretendia ampliar sua capacidade energética de 30 mil para 80 mil kw, o que só ocorreria uma década depois.

Todas as capitais amazônicas eram abastecidas por térmicas obsoletas, que consumiam derivado de petróleo. Apenas Cuiabá, em Mato Grosso, que consumia tão somente 2,5 mil kw, tinha uma pequena hidrelétrica, no rio da Lasca, que nessa época estava em obras de complementação.

A Celpa, a outra empresa estadual, que atuava em paralelo com a Forluz, estudava três alternativas de aproveitamento hidrelétrico no Pará: o de Gurupi, com capacidade prevista de 140 mil kw; o de Curuá-Una, em Santarém, para 30 mil kw; e o de Itaboca, no rio Tocantins, com potencial “ainda não determinado, mas de inegáveis possibilidades”, conforme informou Antônio Carlos de Carvalho Mesquita.

Assessor técnico de energia elétrica da SPVEA (atual Sudam), ele foi um dos conferencistas do I Curso de Desenvolvimento Econômico da Amazônia, patrocinado pelo Banco da Amazônia e realizado – “em caráter intensivo” – na sede da Associação Comercial, em Belém.

Gurupi não saiu. Curuá-Una ficou no limite previsto. Já Itaboca, que virou Tucuruí, atingiu dimensão inimaginável nessa época, em que a elite local tentava incorporar a linguagem técnica do desenvolvimento. Para atender o consumo de Belém em 1963 bastaria usar 7% da potência de uma única das 23 máquinas instaladas na usina, a quarta maior do mundo. Significa que o Pará se desenvolveu acompanhando essa proporção do incremento da geração de energia dentro do seu território? Obviamente, não.

Energia que não fica para produzir no local o máximo de riqueza é desenvolvimento que se transfere para o outro lado do território da produção da matéria prima, onde ocorre a industrialização. O progresso, que o Pará não tem, vai na linha de transmissão. Ou na linha do trem, que apita o réquiem da desesperança.

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