//
você está lendo...
Cidades, Polícia, Política, tráfico de drogas, Violência

O holocausto brasileiro

A maior matança já registrada no Rio de Janeiro ocorreu há apenas dois meses, na Rocinha. Teve saldo de 28 mortos. Apenas um era da Polícia Militar. Os demais eram moradores da favela. Nos locais onde houve mortos, os policiais dispararam pelo menos 100 tiros. Dá a média de quatro balas por cadáver. Não qualquer bala. Para enfrentar as organizações criminosas, os policiais usam armas de grosso calibre, principalmente fuzis. Dificilmente uma pessoa atingida por esses disparos sobrevive. As estatísticas dizem que 75% delas são pretos, pardos e pobres. Mesmo a bala perdida, por regra de probabilidade, haverá de colidir com o corpo de um deles.

Dois meses é tempo muito curto para reconstituir o que realmente aconteceu nesse dia (mais um dia de dor e sangue no seu calendário de violências) na Rocinha. A favela se formou há menos de 30 anos, entre dois locais privilegiados da ex-capital federal (São Conrado e Gávea), com 70 mil moradores espalhados por 25 mil imóveis, uns montados nos outros.

A polícia conseguiu que a maior parte da documentação oficial produzida pela investigação dos fatos permaneça como sigilosa pelos próximos cinco anos. A apuração, no entanto, já está comprometida. Os próprios PMs alteraram o local das mortes, arrastaram cadáveres, manipularam o cenário. A perícia técnica já está comprometida. Do que vazou sobre o trabalho, que a Globonews acaba de revelar, está comprovado que houve alguns confrontos, mas houve mortes com as características de execuções, duas delas no interior de residências, diante de uma família.

As favelas do Rio, como de outras grandes cidades brasileiras, tem as características de zonas de guerra. Mesmo sendo uma guerra não declarada formalmente, na prática os comportamentos são bélicos, o que agrava a condição vulnerável dos civis, sobretudo das crianças e idosos. A polícia se queixa de atuar em desigualdade de condições em relação aos indivíduos que persegue, declarados como integrantes de facções criminosas, entre milícias e traficantes de drogas. Os ditos bandidos estão bem armados e têm uma retaguarda poderosa. Tanto em meios materiais quanto em apoio político nos bastidores.

Se a dualidade é inevitável, os massacres vão prosseguir. Afinal, a periferia urbana ou metropolitana costuma ser depósito dos três pês relacionados pela secretaria de Segurança Pública: pretos, pardos e pobres. Foi suprimido o que antes era o terceiro pê, o das prostitutas? Ou, para sobreviver, elas se estabeleceram comercialmente na área daqueles que, no Brasil lusitano-tropical, são os privilegiados que correspondem aos wasp – brancos, protestantes e anglo-americanos – da matriz da era moderna?

Moderna, sim. Na continuidade colonial – violenta, sangrenta e cruel. Desesperadamente destruidora.

Discussão

3 comentários sobre “O holocausto brasileiro

  1. Parece que a nossa Constituição mudou e não ficamos sabendo disso. Essa é a Constituição que a polícia aplica, o Leblon brasileiro gosta e Hitler ficaria muito feliz em ver ela sendo aplicada:

    Art 1. Se for negro, cobre nota fiscal do tênis, do relógio, do celular e da bicicleta;

    Art 2. Se for negro, é suspeito e deve ser abordado com violência;

    Art 3. Todo negro é culpado até que se prove o contrário.

    Mudando de assunto, o holocausto brasileiro atingiu a sua marca de 500 mil mortos por Covid ontem. É dor demais. A ausência de liderança não apenas provocou uma tragédia muito maior do que deveria ser, como já prepara a ressaca futura. Se não fosse um sociopata bananeiro, deveríamos estar planejando o pós-vacina e a reparação da sociedade, em todas as áreas atingidas. Mas seguimos que nem o Titanic depois de bater. Os humanos choram, mas cafajestes e psicopatas como Bolsonaro e seu gado, que dizem “e daí”; “não sou coveiro”; “pare de mimi”; “deixem de ser maricas” não sentem nada. J’accuse (eu acuso em francês) Bolsonaro e seu gado por esse Holocausto. E o desgoverno pede que celebremos os “curados”. “Curados” apesar do DESgoverno, “curados” pela fortuna.

    MEIO MILHÃO DE MORTOS marcam a tragédia brasileira mais terrível de todos os tempos. Esse número de GUERRA escancara as digitais não só do DESpresidente da República – um insano negacionista – mas também dos congressistas que não abrem um processo de impeachment contra ele, que o apoiam em troca de tratores ou se omitem nesse genocídio. Omissão também MATA!

    A Guerra do Brasil já matou 500 mil pessoas. A Guerra no Brasil não é uma fatalidade. Poderia ter sido evitada. ELES sabiam. ELES escolheram fazer um experimento. A Guerra continua. E não há nenhuma normalidade nas instituições do país.

    Meio milhão. Meio milhão de sorrisos, meio milhão de amores, meio milhão de planos, meio milhão de corações, que, sacrificados por um governo genocida e desprezível com a ciência, pararam de bater antes da hora, por causa de um vírus par ao qual já existe vacina. O que dizer e sentir diante disso? Isso não pode ficar impune!

    Vai chegar a hora de o “inimicus homo” (inimigo do homem) que veio semear cizânia e morte, passe pela peneira e tenha o destino da cizânia. Só um impeachment permitirá que a nossa semente de trigo não seja contaminada . Como diz o ditado: “Deus, olhe para baixo, porque já estou cansado de olhar para cima.”

    Em vez de vacina, o DESgoverno escolheu cloroquina e desinformação. Enquanto negligenciou 101 e-mails com ofertas de vacinas da Pfizer, o governo Bolsonaro agiu pelo menos 84 vezes no exterior para garantir o abastecimento de cloroquina. E assim o Brasil chega a 500 mil vidas perdidas para a covid-19. Brasil tem 2,7% da população global e 12,8% das mortes por Covid-19 no mundo. Se o país tivesse 2,7% das mortes do planeta, seriam 92 mil óbitos. 500.000! Esse é o número do negacionismo, da negligência, do descaso com a vacina e do fantasioso tratamento precoce. Esse é o número de famílias que perderam pais, mães, irmãos, avós, genros, noras, sogros, tios, sobrinhos, primos, afilhados e filhos. FORA INOMINÁVEL!

    Os responsáveis terão que pagar dobrado cada lágrima rolada no penar de 500 mil brasileiros. A pandemia virou uma necropolítica de Estado. Mães enterrando filhos virou necropolítica pública. Bolsonaro, além de genocida, é um coveiro. Meus sinceros sentimentos a todos que estão sofrendo com o vazio da perda nesses tempos. uantas delas poderiam ter sido evitadas se tivéssemos vacinas e até quando vamos ver brasileiros morrendo pela falta delas? Não dá pra fingir que é apenas mais um número, porque não é. Isso a história contará nos livros,

    500 mil mortes por COVID-19 são uma mancha na história e poderiam ser evitadas. Uma dor agravada pelos desaforos do maior responsável por essa lamentável marca. O fascista terá de responder pela perda de MEIO MILHÃO DE VIDAS BRASILEIRAS. Tribunal Penal Internacional nele!!!

    Mas se depender de pessoas como Arthur Lira (lulista que virou bolsonarista e com eleição comprada em troca de tratores), Rodrigo Pacheco e Augusto Aras (Poste Geral da República), o número de mortes vai aumentar e Bolsonaro vai dar um golpe a la Maduro e Fujimori. Lira, Pacheco e Aras optaram pela política do “Escolhi esperar pelo fim da Democracia”.

    Curtir

    Publicado por igor | 20 de junho de 2021, 12:29
  2. Não vejo a mínima chance de golpe a la Maduro ou a la Fugimori. Acredito em uma eleição democrática em 2022 e vai assumir quem for eleito pelo povo, que seja att um bandido a la Lázaro. A urna será a única dona da verdade. Alguém tem medo da verdade?Simples assim. Golpe, não!!

    Curtir

    Publicado por ADEMAR A DO AMARAL | 20 de junho de 2021, 18:33
    • Sou a favor de que Bolsonaro sofra impeachment, pois se deixar ele sangrar no Planalto até as eleições de 2022 e ele for derrotado, vamos colocar o quê no poder? As causas que trouxeram ele pro poder? Não podemos ficar presos a este trágico dilema. O Brasil não pode ficar se perguntando: renovo o bolsonarismo imbecil de extrema-direita, uma consequência do lulopetismo corrupto, ou trago de volta o lulopetismo, o qual pariu o bolsonarismo? Um impeachment do Hitler tupiniquim poderia favorecer a terceira via.

      Se houvesse o impeachment desse canalha, não enfrentaríamos uma ameaça de golpe por parte dele (afinal, ele desacredita as urnas eletrônicas) e dos militares lacaios tampouco estaríamos nesse dilema de escolher entre um psicopata assassino em massa e um corrupto ex-condenado.

      O PT já teve a oportunidade dele com um ciclo de mais de 13 anos e acabou se desgastando com escândalos,, roubalheira, demagogia, crise econômica e aumento da criminalidade. Colocar de volta o Lula no poder seria a mesma coisa que retroceder 20 anos em apenas dois, pois o lulopetismo nunca fez autocrítica de seus erros e crimes tampouco pediu desculpas. O DESgoverno Bolsonaro faz a mesma coisa que o PT fazia enquanto estava no poder: investe no fanatismo, no show, no populismo e no aparelhamento das instituições. É o processo de qualquer regime totalitário. É a divisão social, é o culto à personalidade, é o ataque às pessoas, e não a discussão de ideias. Os ataques são todos pessoais com desinformação, fake news, crimes de calúnia, de difamação, desinformação, mentira. Numa sociedade profundamente dividida, esse fanatismo criminoso que estamos vivendo junto com ameaças de golpe de Estado só pode acaba em violência e convulsão social. Só tem um jeito evitar isso: apostar na terceira via, no Polo Democrático. Cabe a esse polo resistir às vaidades e aos projetos partidários para impedir essa violência e convulsão social. E o primeiro passo para favorecer a terceira via, como já dito, é o impeachment do genocida pelos seus crimes contra a humanidade na pandemia, para que ele seja levado ao Tribunal Penal Internacional.

      Bolsonaro é 500 mil vezes pior do que o Lázaro. Este matou, roubou, ​estuprou e, a cada vez que foi preso, tratou de fugir – ou de ser solto pelo caro, ineficiente e falho sistema judiciário (graças as brechas que os políticos colocam nas leis) – para espalhar o horror novamente. É o típico caso de um selvagem irrecuperável. Sua gênese é destruir a vida dos outros, já que a sua, pelo visto, é insuportavelmente triste e macabra. Seu combustível diário é o ódio por tudo aquilo que, de sua forma doentia e deturpada de enxergar o mundo, lhe traz algum tipo de ameaça.

      Já Bolsonaro, o maníaco do inexistente tratamento precoce, é igualmente um sujeito com traços claros de psicopatia, sociopatia, narcisismo e outras anomalias psíquicas. Seu gosto pela violência é nítido (lembre-se que ele falou, enquanto era deputado federal, que só não estuprava uma deputada porque ela não merecia e que a especialidade dele era matar). Seu descaso com a dor alheia é assustador. Sua sede de destruição é indiscutível. Aliás, desde o discurso de posse, quando prometeu varrer do Brasil a esquerda, e após, declarou que fora eleito muito mais para destruir (tudo o que o fascista, com sua visão deturpada de mundo, considera errado) do que para construir, o pai do senador das rachadinhas e da mansão de seis milhões de reais não aquieta o espírito nem concede paz ao país.

      Em meio a uma devastadora pandemia, que atinge sobretudo as camadas mais vulneráveis da nossa população, a contumaz prática em favor da disseminação do vírus para alcançar a tal “imunidade de rebanho” e do aumento do número de mortes, que o neofascista faz questão de, não só manter ativa, como de investir em sua ampliação, vide as últimas motociatas, prova o espírito mortal que guia sua sufocante existência. É nesta esquina da morte que os caminhos do serial killer, procurado pela polícia, e do ex-capitão fascista do Exército, que tramava ataques terroristas no Rio de Janeiro, se encontram.

      Se alguém duvida da responsabilidade direta, fruto de atos e de atitudes premeditadas, do DESpresidente Bolsonaro, por boa parte das mortes por Covid-19 no Brasil, ou é muito desinformado, muito imbecil ou muito mau caráter. Ou o “mito” não debochou, desde o início da pandemia, da gravidade da doença, dizendo que era uma “gripezinha ou resfriadinho”? Ou não disse que morreriam menos brasileiros por causa do coronavírus do que por gripe comum? Ou não declarou, mais de uma vez, que a pandemia estava no finalzinho? Ou não incentivou o povo a desrespeitar as medidas sanitárias? Ou não promoveu aglomerações? Ou não recusou a compra de vacinas? Ou não espalhou mentiras sobre a doença? Ou não demonizou o uso de máscaras? Ou não recomendou remédios perigosos e tratamentos ineficazes? Ou não disse, ao vivo e em cores, para o seu gado fanático e burro, que quem já contraiu Covid está imune, mais imune do que quem se vacinou?

      Guardadas as devidas proporções e métodos, Jair Bolsonaro é um serial killer e assassino em massa, tão ou mais cruel e perigoso que o tal Lázaro e outros seriais killers e assassinos em massa que apareceram ao longo da história, como Pinochet, Josef Mengele, Fujimori, Maduro, Charles Manson, Bin Laden, Timothy McVeigh e Ted Bundy. E muito mais “eficiente”. Ocorre que o papai dos bolsokids, Bananinha e Rachadinha, é poderoso e goza de certo apoio popular. Além disso, seus métodos de extermínio não são tão claros e imediatos, nem tão fáceis de se provar. Também conta a seu favor a politização estúpida da pandemia e a enormidade de negacionistas, terraplanistas e afins, que igualmente detêm poder e popularidade. Juntos, formam um exército de exterminadores travestidos de homens e mulheres públicos.

      Lázaro é um fugitivo procurado. Bolsonaro, ao contrário, é a autoridade máxima da nação, ainda que se comporte de forma incompatível com seu status, como se estivesse num churrasco. Lázaro é sujo, mal vestido e extremamente violento. Bolsonaro é limpinho, se veste de forma aceitável e apenas “silenciosamente” violento. Os tipos e formas de crimes que o primeiro pratica são diferentes dos que o segundo pratica. Mas o resultado é o mesmo: mortes. Ainda que umas mais cruéis que as outras, e em muito menor número e proporção. O poder mortífero de Lázaro é limitado. O de Bolsonaro, ao que parece, desconhece quaisquer limites (até pros piores ditadores e assassinos em massa como Hitler, Stalin, Bin Laden, Francisco Franco, Khadafi, al-Assad, Pol Pot, Pinochet, Fidel, Mao Tse-Tung, Videla, Mengele e Mussolini teve limites). Sejam de ordem moral, ética ou mesmo legal.

      Curtir

      Publicado por igor | 21 de junho de 2021, 11:34

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: