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Igreja, Memória, Política

Memória – O coronel, o padre e o sino

O governador morava num casarão imponente e feio, ao lado da igreja da Trindade, em Belém. O governador era o iracundo general Magalhães Barata. Querendo usufruir da tradicional sesta, deu ordens para que o sino vizinho permanecesse inerte. Mas o pároco atendia pelo nome de Miguel Inácio e para ele só a vontade divina podia comandar o bimbalhar da ferramenta da fé.

O governador pigarreou forte, mas o padre era tinhoso. Resultado: os fiéis continuaram a ser convocados pelo baque do bronze pendurado na torre da igreja e o governador teve que acomodar seu sono ao rito eclesial.

Morador do largo da Trindade, fui coroinha do padre Miguel (também do padre Cupertino Contente, que lá aparecia semanalmente para rezar sua missa telegráfica) e badalei esse sino conflituoso no exercício de minhas obrigações, alguns anos depois do quase-cisma.

A autoridade do vigário originava-se de ter implantado a paróquia, inicialmente subordinada à igreja do Rosário. Depois de atransformar em uma nova matriz, dividiu sua jurisdição com religiosos new face, como o padre Carlos Coimbra, idealizador do Clube da Juventude, com sessões aos sábados à tarde e domingos de manhã.

Padre Miguel era cametaense, mas ficou 40 anos, depois de ordenado, sem retornar à sua terra. Só quando completou a boda de ouro é que voltou à cidade dos Romualdos, como lembrou o monsenhor Leal, em sugestivo artigo publicado em 1967.

No texto, registrou o encontro, 40 anos antes, na pia batismal da igreja do Rosário, dos dois cametaenses ilustres: padre Miguel e o então bacharel Deodoro de Mendonça, “coronel” no rio Tocantins e pai do advogado Otávio Mendonça, que, anos atrás, subiu à quarta instância depois de mais de gloriosos 80 anos.

Discussão

5 comentários sobre “Memória – O coronel, o padre e o sino

  1. Até a ira do caudilho pareceu risonha e franca nesse episódio, rsrs…

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    Publicado por jrcmachado | 26 de junho de 2021, 08:38
  2. Registre-se também a passagem do Monsenhor Geraldo Menezes, grande orientador espiritual e confessor. Depois dele veio o padre Ronaldo Menezes, um intelectual que foi colocado de escanteio pela Diocese, por ter cobrado explicações de um larápio protegido dos arcebispos T&T.

    Lembro de todos estes e poderia até citar trechos de suas missas. O padre Cupertino rezou uma missa tão brabo, que amaldiçoou o ladrão que roubou um objeto sacro da capela do cemitério da Soledade e, depois que uma beata interrompeu a missa para pedir que ele repetisse uma mensagem, perguntou se ela estava surda, e mandou que limpasse os ouvidos com uma pena de urubu. O monsenhor Geraldo, explicando o sermão do final dos tempos, apontou para sogra e nora sentadas na segunda fila da igreja e disse que elas e não os homens, seriam as maiores inimigas, completando que o nosso Senhor não se engana.

    De todos os padres que conheci em Belém, se Jesus Cristo me desse a graça de ressuscitar apenas dois dentre os já falecidos, o padre Geraldo Menezes seria hoje o segundo. Seria o primeiro até a partida de Bruno Sechi, que me chamou de mentiroso quando eu o apresentei a minha enteada como “um santo de Deus”. Acho que agora o padre Bruno está me devendo esta. Claro que não, pois já inseri ele no meu oratório.

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    Publicado por J.Jorge | 26 de junho de 2021, 09:08
  3. Bem que o Sr poderia escrever um livro de crônicas sobre essas épocas . Essa do padre romualdo … nota 10

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    Publicado por Arlindo Carvalho | 26 de junho de 2021, 13:44

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