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Igreja, Imprensa, Memória

Memória – Vade retro

Hoje, por qualquer motivo, inclusive os totalmente injustificados, acionam-se jornalistas na justiça a pretexto de crime de imprensa ou para cobrar-lhes indenização. Frequentemente, ao invés de justa causa, o móvel dessas ações era o excesso de suscetibilidades e egos sem medidas. Para se ter um parâmetro para comparar a linguagem jornalística atual com a de passado recente, veja-se uma nota que Paulo Maranhão inseriu na sua Folha Vespertina, em julho de 1955, com seu caprichado estilo avinagrado, sulfuroso:

“Outro capuchinho, que está substituindo o cônego [Miguel] Inácio no paroquiato da Trindade, mascavou na missa vespertina do último domingo aleivosias habituais contra as Folhas. Secundou, dessa maneira, as diatribes de colega que estropiara o vernáculo atacando os nossos jornais.

Lamentamos dizer que essa campanha sórdida desses estrangeiros sórdidos já poderia ter cessado, se sua excelência o sr. Arcebispo lhe quisesse pôr fim. Temos sido demasiado tolerantes com tão maus servidores da religião de Cristo, que pregava o amor e não o ódio ao próximo. Lembraremos aos portadores de cercílio, que nos insultam, uma passagem dos Evangelhos. Pedro perguntou a Jesus quantas vezes se deveria perdoar aos nossos inimigos.

– Sete vezes, Senhor?

– Sete vezes, não, Pedro. Mas sete vezes setenta.

Ora, nós não somos inimigos da religião, cujos vândalos, justamente, são os padres desregrados que escalam o púlpito para extravasar rancor, calúnia e injustiça, esquecendo os temas edificantes dos quais andam cheios os Evangelhos. Ah, o azorrague de Cristo para os expulsar do templo!”.

Discussão

Um comentário sobre “Memória – Vade retro

  1. Paulo Maranhão entendia como poucos de “campanhas sórdidas”. Exemplo delas as que ele moveu contra Antônio Lemos (acusando-o falsanente de tramar o assassinato de Lauro Sodré), assim como as igualmente falsas e virulentas acusações de enriquecimento ilícito contra Enéas Martins que, aliás, era padrinho de casamento e benfeitor de Paulo Maranhão, a quem Enéas presenteara a “Folha do Norte” (escrupuloso como era, Enéas considerava antiético, ser, ao mesmo tempo, governador do Estado e dono de jornal).

    Paulo Maranhão era mestre em fazer um enorme estardalhaço, sempre que aparecia alguém disposto a lhe administrar doses homeopáticas, do veneno que ele era pródigo ao aplicar– em quantidades industriais — a seus desafetos.

    Em tempo: deposto pelo violento golpe de estado que Paulo Maranhão selvagemente insuflou (para reconduzir desonestamente Lauro Sodré ao governo do estado), Enéas Martins — o homem que garantiu a incorporação do Acre ao território brasileiro — morreu paupérrimo e doente, em Petrópolis. A família era sustentada pela esposa dele, dona Cassilda, que trabalhava como doceira. A pouca ajuda que receberam foi do senador José Porfírio, aliás um “lemista”, que também morreu pobre, e também em Petrópolis.

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    Publicado por Elias | 28 de junho de 2021, 13:13

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