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Corrupção, Estrangeiros, Governo, Justiça, Petróleo, Política

Lava-Jato: quem se importa?

Nos últimos dois anos, mais de 6 bilhões de reais entraram no caixa da Petrobrás, graças a acordos de colaboração, leniência e repatriações feitos por empresas investigadas pela Operação, Só este ano, a recuperação superou R$ 1 bilhão.

Desse valor, R$ 819 milhões ficaram com a Petrobras. A estatal já recebera R$ 578,3 milhões em duas parcelas, em julho de 2019 e a segunda junho do ano passado, a título de reparação de danos, devolução de lucros e pagamento de multa prevista na Lei de Improbidade Administrativa.

Na última sexta-feira, dia 25, a empresa americana Technip devolveu R$ 271,1 milhões, cumprindo acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal, a Controladoria-Geral da União, a Advocacia-Geral da União e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Outras empresas tiveram que assinar acordos semelhantes, quando colocadas diante dos atos ilícitos que praticaram contra a petrolífera, apropriando-se de seus recursos graças a fraudes arquitetadas por um cartel de empreiteiras, revelado pela Lava-Jato.

Em junho de 2019, a petroquímica Braskem, do grupo Odebrecht, que se tornou a líder do segmento graças ao apoio do ex-presidente Lula, se comprometeu a devolver cerca de R$ 264 milhões. A Camargo Corrêa deve repetir o mesmo. 

A construtora Andrade Gutierrez assinou acordo de leniência, em dezembro de 2018, se comprometendo a devolver ao erário R$ 3,6 bilhões, em 16 anos. A maior parte desse dinheiro é da Petrobrás,

A assaltada estatal é coautora, com o Ministério Público Federal e a União, em 21 ações de improbidade administrativa em andamento. É assistente de acusação em 79 ações penais.

A restituição de pelo menos parte dos bilhões de reais roubados da Petrobrás saiu do foco de interesse da opinião pública e da imprensa. O assunto foi soterrado pelas multiplicadas denúncias de que tudo não passou de um ardil, de uma trama ou de uma conspiração (a partir dos Estados Unidos, é claro) para instaurar uma perseguição política ao guia dos povos (“o cara”, segundo o então presidente Barack Obama).

Provavelmente toda a bolada que as empreiteiras já devolveram ou irão devolver (a depender do grau da amnésia coletiva pelos próximos anos) deve ser troco em relação ao que desviaram, em manobras arquitetadas pelo Departamento de |Operações Estruturadas da Odebrecht, o clube das empreiteiras (com sede própria e estatuto), cérebro cartelizado da maior operação de corrupção da história.

Mas devolveriam essa montanha de dinheiro se seus crimes não tivessem sido investigados, comprovados e revelados ao público pela Lava-Jato. O montante já teria essa marca significativa superior a R$ 6 bilhões, mais o compromisso assinado para a devolução de mais alguns bilhões, se a Lava-Jato não existisse e não tivesse contado com a colaboração internacional, principalmente dos Estados Unidos, para alcançar os corruptos que agiram aqui e lá?

A maior caça ao desvio de dinheiro público de toda história da corrupção no mundo teve dois azares. Um deles foi ter chegado a Lula como um dos vértices da triangulação entre empresas privadas, poder político e burocracia oficial. O outro foi a personalidade dicotômica do juiz das causas, Sérgio Moro. Ele trocou a condição de herói da justiça pela de especulador de 30 moedas de ouro.

Assim, a Lava-Jato foi arquivada, os bandidos voltaram, incólumes, à cena do crime, as “multinacionais verde amarelas” continuam a sua prosperidade, o imperialismo ianque se tornou pátria para algumas delas (como o poderoso grupo JBS) e tudo ameaça a voltar ao que era antes no quartel (sempre o quartel, caiado de branco quando convém) de Abrantes. E o Brasil volta a rolar na ribanceira.

Discussão

4 comentários sobre “Lava-Jato: quem se importa?

  1. O “sistema” venceu faz tempo. Bolsonaro, Lula, Lázaro, Pazuello, Abdelmassih, Nardoni, Richtofen, Dr. Jairinho, João de Deus, Ronnie Biggs, Mengele, André do Rap, PCC, Comando Vermelho, milícias, população carcerária, grupos de extemrínio são a prova disso.

    “O sistema é muito maior do que eu pensava. Não é à toa que os traficantes, os policiais e milicianos matam tanta gente nas favelas. Não é à toa que existem as favelas. Não é à toa que acontece tanto escândalo em Brasília. Entra governo, sai governo, e a corrupção continua. Para mudar as coisas, vai demorar muito tempo. O sistema é FODA. Ainda vai morrer muito inocente”. Quando Capitão/Coronel Nascimento, do filme Tropa de Elite, o personagem interpretado por Wagner Moura disse isso, ele não estava brincando. O “sistema”, além de foda, é como Jair Bolsonaro, o psicopata do Planalto, em relação às mortes por Covid: implacavelmente cruel e insensível.

    O “sistema” não perdoa, nem alivia. Para ele, não há crise econômica, crise política, pandemia, violência, racismo, corrupção, criminalidade, crime organizado, extermínio de jovens negros e pobres, homicídios, fome, pobreza miséria, analfabetismo, aumento de preços, saneamento de péssima qualidade, desemprego, população carcerária alta ou tempo ruim. Dando praia ou não, lá estará destruindo o presente e o futuro do país, como tão bem já destruiu o passado. Para quem acreditou nos pais e avós que diziam que o Brasil era ” o país do futuro”, os acontecimentos recentes podem ser considerados a “pá de cal”.

    Essas são as instituições funcionando no Brasil:
    -General indisciplinado escapando de punição graças ao aparelhamento da FFAA por parte do sociopata;
    -Policiais fechados com o Bolsonaro, tirando o olho (literalmente) de manifestantes e massacrando indígenas, bem como pretos e pobres nas favelas do Rio de Janeiro;
    -Milícias e grupos de extermínio em crescimento;
    -Juiz humilhando vítima, com a cumplicidade do promotor e advogado, abrindo precedente para a tese do “estupro culposo”;
    -O DESgoverno do homicida sociopata, que agora tira máscara até de criança de colo, comprando vacina com 1.000% de sobrepreço. O devoto da cloroquina e maníaco do tratamento precoce, Jair Bolsonaro, não comprou a melhor vacina do mundo – a da Pfizer – antes mesmo dos Estados Unidos, e pela metade do preço, pois para ele, naquela ignorância tão vasta e profunda como a maior fossa abissal da Terra, poderia nos transformar em jacarés. Na melhor das hipóteses, fazer homem falar fino e nascer barba em mulher. Mas correu para comprar um imunizante indiano, sem aprovação da Anvisa e em tempo recorde, com a ajuda de seu líder de DESgoverno na Câmara, Ricardo Bastos (lulista que virou bolsonarista de ocasião), que apresentou uma emenda a uma MP, por um valor 20 maior do que o da fabricante, e 30% a 40% maior que o valor das demais vacinas de mercado;
    -O Congresso Nacional, onde 2/3 dos parlamentares respondem a processos judiciais, passando a boiada nos licenciamentos ambientais (precedente para a boiada daqui de Belém, a qual quer liberar atacadões, galpões e torres de concreto na nossa orla), extinguindo as terras indígenas e enterrando a Lei da Ficha Limpa, como já enterraram a Lei de Combate à Corrupção e Criminalidade idealizada por Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato de Curitiba, cujos efeitos se estenderam até pra estupradores e barões do crime organizado como André do Rap do PCC. Ainda sobre a Lei da Ficha Limpa, os senhores congressistas picaretas e simpatizantes, com a diminuta resistência daqueles dignos dos votos e dos mandatos, decapitaram, literalmente a lei de iniciativa popular em vigor desde 2010 – que agora permitirá a um prefeito ou governador corrupto e/ou ímprobo, com contas rejeitadas por órgãos de controle como os tribunais de contas dos estados e municípios, disputar normalmente as eleições e ocupar, livre, leve e solto, qualquer cargo público;
    -Nardoni e Richtofen, que nunca se arrependeram do que fizeram e de cor branca, olho azul e com dinheiro o bastante pra pagar bons advogados, progredindo para o tal semiaberto e desfrutando de saidinhas graças às jabuticabas que os políticos colocam nas lei;
    -Abdelmassih e João de Deus (de Deus mesmo?), também de cor branca, olho azul, com dinheiro pra pagar bons doutrinadores jurídicos e maiores estupradores do Brasil, desfrutando de prisões domiciliares de luxo alegando doenças (engraçado que logo que eles saem da prisão, já estão curados, enquanto que muitos ladrões de galinha, batedores de carteira, usuários de drogas, aviõezinhos do narcotráfico, pretos, pobres, analfabetos, sem-teto, prostitutas e periféricos, também vítimas da falida e perversa “Guerra às Drogas”, apodrecem por anos ou décadas no Complexo Industrial-Prisional Brasileiro, o qual virou um grande negócio que dá lucro, pois os gastos exorbitantes pra detentos e manutenção de presídios abrem caminho para roubalheiras de todo tipo);
    -Lázaro, até esse momento em que ele foi encontrado, desfrutando de liberdade graças a ineficiência da polícia (só é eficiente pra prender ladrão de galinha, atirar em manifestantes e bater em preto, pobre e periférico), das brechas da Justiça e também das brechas da lei que os políticos criam pra beneficiar a si próprios e outros criminosos;
    -Brasil voltando aos tempos de paraíso do crime onde todo bandido é perdoado, paraíso esse que abrigava desde Ronnie Biggs até terroristas como Battisti, estelionatários como Ponzi, ditadores sanguinários como o paraguaio Stroessner, mafiosos como Tomasso Buscetta e genocidas nazistas como Mengele;
    -Por último, mas não menos importante, ou melhor, asqueroso, Gilmar Mendes – sempre ele! – monocraticamente estendendo os efeitos da tal ‘suspeição do Moro’ para os demais processos a que responde o meliante de São Bernardo, Lula da Silva. Segundo o ínclito ministro, a decisão que declarou o ex-juiz federal Sergio Moro suspeito no julgamento do caso do Tríplex de Guarujá, vale também para as demais ações a que responde o ex-tudo (ex-presidiário, ex-corrupto e ex-lavador de dinheiro, Lula). Só faltou o Gilmar dizer: “se espirrar, saúde, Lula!”, e fazer coraçãozinho com os dedos das mãos. Em breve, corremos o risco de o STF mandar devolver todo o dinheiro recuperado pela Lava Jato aos réus confessos. Seria a mesma coisa que devolver o sangue da vítima para o assassino ou devolver a droga pro traficante.

    Resumo da ópera: unidos, os Poderes Executivo, Legislativo e judiciário, com o compadrio do crime organizado e de outros agentes privados criminosos , formam o “sistema”. Há séculos, desde a colonização portuguesa de exploração, governa o país com mão-de-ferro, impedindo a renovação sadia de servidores públicos jovens, honestos, preparados e dispostos a mudar os rumos da nação. A cada eleição, o ‘sistema” se protege, se fecha e se perpetua. Esse é o Brasil secular, construído pelas elites do atraso, mantido por uma parcela da classe média que sonha com o status de elite e é sustentado, através da alienação, altos impostos e clientelismo político, pelos assalariados, cidadãos relegados e escravizados ao circuito inferior da sociedade. E nesse andar da carruagem, vamos continuar mentindo para os nossos filhos e netos, dizendo-lhes “o Brasil é o país do futuro” (talvez a desilusão do autor desse frase, o Stefan Zweig, com o nosso país, fez ele se matar).

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por igor | 28 de junho de 2021, 11:49
  2. Não é estranho que, tendo comandado essa roubalheira bilionária, Lula tenha sido condenado a devolver menos de R$ 4 milhões?

    Tem alguma coisa mal atada nessa história?

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    Publicado por Elias | 28 de junho de 2021, 12:46
  3. Sim, claro, mas, segundo a sentença (e o Power Point do Dalagnol), o Lula foi o líder, figura central e principal beneficiário do roubo bilionário.

    Sendo assim, por que foi condenado a devolver apenas R$ 4 milhões (e isso arredondando!) aos cofres públicos?

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    Publicado por Elias | 29 de junho de 2021, 15:29

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