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Economia, Estrangeiros, Garimpo, Minério, Multinacionais

Qual o nosso papel?

O Pará superou Minas Gerais como o maior Estado minerador do Brasil. Isso não constitui exatamente uma glória. Principalmente se o caminho já percorrido e a ser seguido pelo nosso Estado for ainda mais torto do que o dos irmãos mineiros. Aprenderemos muito – aproveitando as lições dos seus erros e acertos – se estudarmos sua história e percorrermos os seus territórios, observando, anotando e comparando. As universidades e outras instituições poderiam fomentar colóquios, lá e cá, para promover um debate proveitoso.

Traçando paralelos, às vezes pode-se ter a impressão de que estamos repetindo procedimentos ruinosos do passado, ao sermos coniventes ou omissos com a sangria mineral que sofremos. Na escala de produção máxima definida quando do início da extração de minério de ferro, que aconteceu em 1985, em 35 anos a extração teria sido de 700 milhões de toneladas. Em menos de quatro anos, pela escala de hoje, de Carajás sai produção semelhante. Talvez venha a se registrar ali a mais rápida exaustão de uma das maiores concentrações de minério de ferro do planeta.

Em 1730, o feroz governo metropolitano português começou a adotar medidas para conter a extração de diamantes em Serro Frio, suspendendo a mineração quatro anos depois e só a retomando em 1740. O objetivo era impedir que as praças de Londres e Amsterdam continuassem a ser inundadas pelos diamantes do Brasil, provocando a queda do preço e assim prejudicando o entesouramento em Lisboa.

Reprimindo a cadeia de desvio, que envolvia garimpeiros brancos e escravos negros, ambos reprimidos por igual, e apertando os instrumentos de controle e fiscalização, Portugal sustentou o comércio de diamantes por décadas, como faria com o ouro e o minério de ferro. Atacou os empreendimentos que tentavam industrializar a matéria prima, legando ao império e à república no Brasil um Estado dependente do ouro, do minério e do café.

Hoje, quando a descoberta da província mineral de Carajás, iniciada pelo geólogo paulista Breno Augusto dos Santos, em 31 de julho de 1967, aos 27 anos de idade, é de se preocupar com a ampliação da escala de produção do mais importante conjunto mineral de alto teor do mundo. Da escala de 25 milhões de toneladas anuais para 230 milhões, esses números dão a dimensão do cliente principal dessa preciosidade. Era o Japão. Agora é a China, a maior promessa (ou ameaça) de substituição imperial aos Estados Unidos. E nós, desempenhando um papel complementar dessas superpotências.

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