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Desmatamento, Ecologia, Economia, Estrangeiros, Ferrovia, Floresta, Grandes Projetos, Militares, Multinacionais

Carajás: futuro sombrio

Francisco Fonseca é das poucas pessoas no Brasil que pode escrever o texto a seguir publicado: extremamente didático, rigoroso na seleção e apresentação dos fatos, com visão crítica profunda e abrangente, que conta a história da província mineral de Carajás, a mais importante do mundo, retrata a sua situação atual e faz uma projeção para os próximos anos, com conhecimento de causa e excelente formação científica.

Espero que o leitor aproveite esse presente de Francisco e alguém no governo e na iniciativa privada o utilize em suas ações relativas ao uso dos recursos naturais da Amazônia.

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CARAJÁS

Francisco F. A. Fonseca (Engenheiro de Minas)

Carajás é a província ferrífera mais rica do mundo. É um conjunto de jazidas de ferro gigantescas, de alto teor, com ótimas características metalúrgicas, fáceis de minerar; não existe nenhuma outra igual no planeta. Carajás foi descoberto em julho de 1967 pelo meu amigo, o geólogo paulista Breno Augusto dos Santos, que comandava uma dupla de mais dois geólogos, o Erasto B de Almeida e o João E. Ritter.

Eles estavam procurando manganês no sudeste do Pará, que na época era totalmente coberto pela floresta amazônica, mas as fotos aéreas mostravam grandes clareiras no alto da Serra dos Carajás. O Projeto Araguaia tinha interpretado erradamente estas clareiras como resultado de formações calcárias. Eram oito clareiras mais ao norte e uma longa clareira com 35 Km de comprimento 70 Km mais ao sul, além de um grande número de clareiras pequenas se estendendo por uma frente de uns 200 Km.

Em 1967, a Companhia Meridional de Mineração, subsidiária brasileira da gigante norte americana United States Steel (US Steel), resolveu procurar manganês na Amazônia. A sua concorrente nos Estados Unidos, a Bethlem Steel, era sócia com 49% da ICOMI, que minerava manganês na Serra do Navio, no Amapá. A Meridional minerava manganês em Lafaiete, Minas Gerais, mas era uma mina em exaustão, e Urucum, no antigo Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul).

O manganês é um insumo essencial para a produção de aço (steel é aço em inglês). Não existem jazidas de manganês no continente norte americano. As maiores jazidas estão na África e no Brasil. Existe também uma jazida grande na Ucrânia, que na época era parte da União Soviética. e os americanos ficavam de cabeça quente.

A Meridional contratou o geólogo americano Gene Tolbert, ex-professor da Universidade de São Paulo, e do quadro do USGS, para fazer o plano de procurar manganês na Amazônia, e ele decidiu que a melhor área era o sudeste do Pará. Ele bolou um plano maluco de percorrer a área com dois pequenos helicópteros que conduziam só o piloto e um geólogo.

Era uma maluquice com aqueles helicópteros de um motor só e ainda carregando combustível extra para reabastecer. Apenas o Breno era ex-aluno do Tolbert, mas os três geólogos, imbuídos daquele arroubo da juventude, embarcaram na aventura. Pouco mais de um mês depois o Breno e o piloto José Maria de Aguiar programaram um voo no qual tinham que descer para reabastecimento em uma pequena clareira na Serra Arqueada, a oeste da Serra dos Carajás. 

O Breno, armado com seu martelo de geólogo, logo constatou que as árvores não cresciam ali porque a clareira era formada por minério de ferro. Ele estava procurando manganês, que é preto, e não minério de ferro, que é vermelho, mas ficou imaginando se as grandes clareiras mais a oeste não seriam também de minério de ferro e não de calcário, como tinham imaginado os técnicos do Projeto Araguaia.

Quando os dois helicópteros ficaram disponíveis, ele e os outros dois geólogos, o Erasto e o Ritter, percorreram todas as grandes clareiras da Serra dos Carajás, inclusive a clareira gigante de mais de 30 Km, que fica bem mais ao sul. Constataram que era tudo minério de ferro. Ficaram abismados.

Tolbert, de início não se interessou pelo ferro. Mas após a descoberta do manganês de Buritirama, o Breno chamou o Tolbert, que veio do Rio de Janeiro. Tal era o desinteresse pelo ferro, que só após a visita a Buritirama, no dia seguinte, visitou as clareiras com ferro. E só então ficou mais abismado com o que viu. A notícia da grandeza da descoberta logo se espalhou.

A Meridional protocolou no DNPM pedidos de autorização de pesquisa cobrindo toda a área. Para isso criou 32 áreas de pesquisa com o tamanho máximo permitido por lei e isso ultrapassava a área máxima que podia ser concedida a uma só empresa e a Meridional apelou para uma malandragem: requereu em nome de funcionários e pessoas de sua confiança.

Quando aquele pedido gigante chegou ao DNPM o diretor Francisco Moacyr de Vasconcellos decidiu que não podia assumir a responsabilidade de entregar uma área ferrífera com um potencial equivalente ou talvez superior a todo o Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, situada em pleno coração da floresta amazônica, a uma única empresa, subsidiária da gigante americana US Steel.

Levou o assunto ao Ministério de Minas e Energia (MME). Era o governo do general Costa e Silva. O Ministro de Minas e Energia, José Costa Cavalcanti, considerou arriscado peitar a poderosa United States Steel, mas mesmo assim foi iniciada a pressão para associação com a CVRD. Nos bastidores das reuniões na Meridional, com a participação de representante da diretoria da USS, passou-se a aceitar a participação de apenas 20% da CVRD.

O principal geólogo da Vale, o José Eduardo Machado e o geólogo John Milne Albuquerque Forman, da Comissão Nacional de Energia Nuclear, foram enviados a Carajás, em março de 1968, como representantes do DNPM, para um primeiro contato com a fantástica descoberta. Esse fato causou grande revolta ao Tolbert, pelo fato de os dois geólogos não serem do quadro do DNPM.

Mas graças à habilidade de Francisco Moacyr de Vasconcellos, a poderosa United States Steel acabou aceitando a participação igualitária com a CVRD. O DNPM simplesmente informou que seriam dados os alvarás de pesquisa apenas para as 5 áreas requeridas em nome da Meridional. Quanto aos demais requerentes, teriam que provar capacidade técnica e financeira, ou os pedidos seriam indeferidos. Naquele tempo havia limites por empresa e por substância mineral.

Assim, a CVRD pôde entrar em Carajás.

No governo Médici, tendo como Ministro de Minas e Energia Antônio Dias Leite Júnior, foi decidido, em maio de 1970, que seria criada uma nova empresa, a Amazônia Mineração, com 51% de capital da estatal brasileira Vale do Rio Doce e 49% da US Steel, que teria os direitos sobre as jazidas. 

As áreas foram divididas: 16 para a Meridional e 16 para a Vale. Os trabalhos de pesquisa por sondagens e galerias começaram logo. Eles foram realizados pela Meridional, com o acompanhamento permanente de dois geólogos da Vale. A área só era acessível por via aérea.

Na clareira N1, muito plana, foi instalado o acampamento base, aproveitando a longa pista de pouso para aviões grandes, aberta pela Meridional logo no início dos primeiros trabalhos, inclusive cargueiros que levavam veículos e máquinas pesadas. O acesso a muitos locais de trabalho só era possível por helicópteros. Os custos foram bancados pela recém-criada Amazônia Mineração.

Quando os trabalhos terminaram, em 1974, comprovou-se o enorme potencial da área: 18 bilhões de toneladas de minério de ferro de alto teor e ótimas características metalúrgicas, todo ele em jazidas superficiais, fáceis de minerar. Na Serra Norte estão 7 bilhões de toneladas distribuídas em cinco jazidas principais. Na Serra Sul, 10 bilhões em uma única jazida gigante. O restante um bilhão está distribuído em inúmeras pequenas jazidas, como São Félix e Serra Leste.

Em matéria de minério de ferro não existe no planeta nada que se compare com isso. Entre as Serras Norte e Sul foi descoberta a jazida de manganês do Azul, considerada então a maior do Brasil. Mais recentemente foi constatado que a jazida de manganês de Buritirama, a primeira a ser descoberta, é maior do que a do Azul.

Terminadas as pesquisas foi montado um grupo de trabalho conjunto entre a Vale e a US Steel para fazer o plano inicial e estimar os investimentos e os custos. Este trabalho se estendeu por dois anos e quando terminou criou-se o impasse entre a Vale e a US Steel. A Vale queria um projeto nos moldes do que tinha em Minas e no Espírito Santo, com um porto de águas profundas, para receber grandes navios graneleiros, e o local mais próximo para isso era São Luís do Maranhão, o que exigia a construção de uma ferrovia de 900 Km. 

A US Steel não concordava em investir em um projeto desse porte. Queria um porto de águas rasas para navios menores e uma ferrovia de uns 400 Km. Disse que para um projeto como o pretendido pela Vale, só se o governo brasileiro investisse na ferrovia e no porto e eles ficariam sócios só na mina. A Vale ainda procurou em vão outros sócios para o projeto. 

O impasse só se resolveu em 1977, quando o general Ernesto Geisel estava na presidência da república. Ele foi o mais nacionalista dos generais-presidentes. Interveio na Vale e instalou na presidência da empresa o mineiro Fernando Roquete Reis, que tinha sido Secretário da Fazenda em Minas Gerais. O Fernando Reis era um homem decidido e corajoso, que peitou a US Steel e disse que a Vale assumiria o projeto sozinha.

A US Steel aceitou sair do projeto por 50 milhões de dólares, o valor que tinha gasto até então no descobrimento e na pesquisa. A US Steel, sem querer, deu de presente o Carajás para a Vale. Se não fosse o projeto maluco do Gene Tolbert, do qual o Breno foi o grande participante, Carajás iria sendo descoberto aos poucos e ficaria dividido entre várias empresas. Do jeito que as coisas aconteceram todas as jazidas ficaram com a Vale. A única jazida importante que ficou com outra empresa foi o manganês de Buritirama.                                                                                           

As rochas próximas à formação ferrífera de Carajás são ricas em ouro e cobre. O garimpo de Serra Pelada está nestas rochas. As sondagens realizadas pela Docegeo durante o auge do garimpo revelaram a existência de uma jazida subterrânea de ouro associado com paládio e platina, que hoje pertence à Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada. A jazida de ouro do Igarapé Bahia, 100 Km a oeste de Serra Pelada, foi minerada pela Vale até a exaustão e produziu 110 toneladas de ouro, mais que o dobro do que foi produzido em Serra Pelada.

Em 1977 a Docegeo descobriu, a 30 Km a noroeste das jazidas de ferro, uma jazida enorme de cobre, denominada Salobo, com reserva estimada em um bilhão de toneladas de minério ou oito milhões de toneladas de cobre metálico. É um minério diferente, com características bem diversas dos minérios geralmente encontrados em rochas pré-cambrianas. A Vale levou mais de vinte anos para desenvolver uma técnica de produzir um concentrado de cobre a partir desse minério. Finalmente em 2012 a mina entrou em operação com a capacidade de produção 200 mil toneladas por ano de cobre contido em um concentrado rico em ouro.  A terceira fase do projeto, em implantação, ampliará a produção para cerca de 260 mil toneladas de cobre contido nos concentrados. O Brasil passou de importador a exportador de cobre.

UMA VISÃO CRÍTICA

Na minha opinião isto está errado. O cobre é o metal que está mais ameaçado pelo risco de exaustão das reservas. A geologia brasileira não é propícia à existência de jazidas de cobre.  Carajás pode ser a única região onde estas jazidas existem, e o Salobo pode ser a única jazida gigante de cobre no Brasil; as outras, já descobertas, são de porte médio ou pequeno. Exportar cobre e exaurir o Salobo em 30 anos é uma visão financista estreita. Na minha opinião deveria se atender apenas à demanda interna do país e inclusive produzir cobre metálico na região norte.

A mineração é considerada uma atividade de alto impacto ambiental, mas não é bem assim.  A buraqueira e os estragos da mineração ocupam espaços bem delimitados e, se os trabalhos forem conduzidos dentro de técnicas seguras de engenharia, catástrofes como as da Samarco, em Mariana, e do rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, não aconteceriam.

Na minha opinião, estes não são “desastres ambientais”, são desastres devidos a erros de projeto e de engenharia. Uma laje que se rompe por ter sido mal projetada e mal construída e mata algumas pessoas não é um “desastre ambiental”. Na minha opinião está errado usar o tamanho do desastre para chamá-lo de “ambiental”. Um avião enorme que cai e mata mais de duzentas pessoas não é um “desastre ambiental”.

Em Carajás o problema ambiental tem um aspecto negativo e um aspecto positivo. O negativo é que a rede de transportes e as demandas de produtos e serviços criadas pela Vale atraíram para a região uma legião de posseiros, madeireiros, pecuaristas e toda uma leva de destruidores do solo e da floresta. O aspecto positivo é que foram criadas reservas florestais nas quais a Vale tem interesse, pois o projeto começou a ser implantado há menos de cinquenta anos, quando a consciência ambiental já estava nascendo.

As minas de ferro estão dentro da Floresta Nacional de Carajás, que tem 3.900 Km² e é uma reserva de conservação integral. A mina de cobre do Salobo está dentro da Floresta Nacional de Tapirapé-Aquiri com 1.900 Km², que é uma reserva de manejo sustentável.

Estas Florestas são administradas pelo Instituto Chico Mendes, mas a Vale (que na época era estatal) teve interesse na sua criação, porque é mais fácil, mais seguro e mais barato minerar em áreas despovoadas, onde não há construções, cidades ou povoamentos. As minas, barragens e vilas residenciais da Vale ficam dentro das Florestas, mas não ocupam nem 5% da área e está tudo sob controle da empresa. Como a Vale é hoje uma empresa altamente lucrativa, ela dá todo o apoio, inclusive o suporte financeiro, à administração destas Florestas. Faz a vigilância com imagens de satélite e drones e retira invasores com helicópteros. São as reservas florestais mais bem vigiadas da Amazônia.    

É uma situação diferente da região do rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo, onde a Vale se originou. Setenta anos atrás esta região era toda coberta por uma floresta tão exuberante quanto a floresta amazônica. Eu sou uma testemunha ocular, pois vivi lá na minha infância. A floresta foi completamente devastada e só restou o Parque Florestal do Rio Doce com 360 Km², que é administrado pelo governo estadual.

Mais de 80% da região foi transformada em pastagens, que hoje estão degradadas pois foram implantadas em solos pobres.  As fazendas de gado estão erodidas e em decadência. Se um habitante de Paragominas quiser saber como estará a sua região daqui há setenta anos, é só visitar a região do rio Doce.

A única diferença será que restarão 5.900 Km² de floresta intacta; mas mesmo isso depende de o preço do minério de ferro continuar alto; para que a Vale continue tendo grandes lucros e investindo generosamente na conservação dessa amostra da Floresta Amazônica. Depois do desastre do desgoverno Bolsonaro, vejo um futuro sombrio para a Floresta Amazônica.

O solo é um recurso mineral que está se exaurindo mais rapidamente do que as jazidas. No Brasil os solos mais ricos são as terras rochas, formadas pela decomposição de basaltos vulcânicos. Estes basaltos se estendem do sul de Goiás até o Rio Grande do Sul e avançam pelo Paraguai, nordeste da Argentina e Uruguai.

Na minha opinião estas rochas são a maior riqueza mineral do Brasil, pois foram elas que geraram os solos ricos que se concentram principalmente em São Paulo e no norte do Paraná e se espalham por grandes áreas da região sul. Nestas áreas existiam florestas mais exuberantes do que a floresta amazônica, que hoje não existem mais, foram substituídas pela agricultura de São Paulo e da região sul.

Na Amazônia a situação é diferente. As manchas de solos férteis são pequenas e difíceis de identificar. A maioria da floresta se autos-sustenta sobre solos lateríticos duros e impermeáveis. Uma vez removida a floresta e transformada em pastos, o fino solo orgânico se esgota; em um período de dez a vinte anos, a área é abandonada e a devastação avança para novas áreas de floresta virgem. O que renasce é uma vegetação raquítica que não tem nada a ver com a exuberante floresta original.

É claro que é possível um manejo racional, retirando e replantando a madeira de lei e aproveitando muitos outros produtos da floresta, mas o que dá lucro fácil e rápido é o que está sendo feito: retirar a madeira de lei, queimar o resto, plantar pasto e criar gado. Isto já foi feito no vale do rio Doce e em outras áreas do sudeste. Agora está sendo feito em escala muito maior na Amazônia. A criação extensiva de gado em solos pobres, é a maior calamidade ambiental do Brasil. Com essa mentalidade de lucro fácil e rápido e dane-se a devastação ecológica.

Prever um futuro sombrio, não é pessimismo é realismo.

Discussão

2 comentários sobre “Carajás: futuro sombrio

  1. Lúcio, excelente matéria. Estive no N1 em 1973. Engenheiro recém formado, fui no DC3 com o pessoal da Amazônia Mineração. No Salobo em 1981 e 1982, onde fizemos análise sismográfica do minério.Um método para saber se o minério podia ser escarificação por tratores de grande porte.

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    Publicado por ADEMAR A DO AMARAL | 16 de agosto de 2021, 20:14
  2. Vê-se que ainda há resistência em se chamar desastre ambiental pelo nome – “erro de engenharia”. Essa mentalidade tecnicista ainda predomina no estudos de impacto ambiental, os danos sempre serão mínimos e controlados. Veja que Mariana e Brumadinho ocorrem no início do século 21, com toda a tecnologia disponível para se mitigar e monitorar impactos e, possivelmente estivesse disponível. No entanto os riscos foram ignorados.

    Não se comenta da pressão da Vale para minerar em áreas hoje intangíveis para a mineração, ou dos desmatamentos para expansão de projetos – como o Salobo – que fragmentam maciços florestais.

    Devem ser apenas bagres atrapalhando o desenvolvimento, como disse um ex-presidente.

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    Publicado por isilva | 18 de agosto de 2021, 10:22

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