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Garimpo, Ouro

Letícia, a super-garimpeira

Letícia Pereira Estrela apresentou à secretaria de Meio Ambiente de Itaituba nada menos que quatro requerimentos para lavrar e beneficiar ouro no garimpo Conrrado (o nome é grafado assim mesmo), no município. Ela talvez seja a mais importante e poderosa garimpeira do país.

Em maio, o portal OEstadoNet, do jornalista Miguel Oliveira, de Santarém, publicou matéria sobre ela, a seguir reproduzida.

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A presença do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, às regiões oeste e sudoeste do Pará, ainda repercute negativamente entre garimpeiros e indígenas pró-garimpagem das áreas alvo da operação comandada por ele na semana passada. Com um grande aparato bélico, Salles mirou nos locais possivelmente alvos de exploração garimpeira e extração ilegal de madeireira. Mas o que ele não contava é que muitos garimpeiros que apóiam o presidente Jair Bolsonaro, esperam exatamente o contrário da ação repentina do titular do meio ambiente, considerada por muitos como marketing.

Em um vídeo enviado ao Portal OESTADONET a garimpeira Letícia Pereira Estrela, que tinha se preparado para recepcionar Salles no acampamento, denuncia que, para sua surpresa, ao invés de apoio, teve seus equipamentos destruídos, mesmo alegando que é detentora de Projeto de Lavra Garimpeira(PLG), emitida pela Agência Nacional de Mineração, e licença ambiental expedida pela Prefeitura de Itaituba.  O Portal apurou que a áreea está localizada no interior da Floresta Nacional do Crepori. O vídeo foi gravado na tarde do dia 14 de maio, logo após Letícia ter tido um encontro no aeroporto de Moraes Almeida com o Ministro Ricardo Salles. 

O vídeo mostra a garimpeira denuciando a truculência dos agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e Força Nacional na Amazônia.

Pelos registros feito pela assessoria do ministro e divulgadas tanto nas redes sociais de Salles quanto na página oficial do Ministério do Meio Ambiente, dá para ter uma ideia de como foi a ação comandada por ele na Amazônia.

Letícia Pereira Estrela relata as humilhações e intimidações sofridas na última semana. A mulher apresentou documentação que, segundo ela, comprovam o seu direito à atividade garimpeira na área que equipamentos foram destruídos e combustível foi queimado pelos agentes do Ibama e Força Nacional. 

“Falei pra ele da dificuldade de nós, garimpeiros, trabalhar. Falei pra ele que tenho uma área documentada, uma área que tá na legalidade, que tenho um projeto de reflorestamento em cima das áreas degradadas do garimpo, o qual eu tenho comprado cem mil mudas de cacau, castanha. Tenho tudo documentado. Só que estou esbarrada na burocracia. Eu conversei com o ministro e ele pegou o meu telefone e disse que ia entrar em contato comigo que eu levasse meus documentos e meus projetos no dia em que ele e sua equipe fosse até a área onde está meu acampamento. Eu falei onde era o meu garimpo, a minha propriedade, eu pedi aos meus colaboradores esperar o ministro caso ele aparecesse por lá”.

Ricardo Salles não aparece no local, mas a equipe do Ibama e Força Nacional e estava em peso no acampamento e sem contar conversa, tocou fogo em tudo o que encontraram pela frente. Houve inclusive disparos de tiros como relata Letícia no vídeo.

“Apareceram três aeronaves. Vistoriaram meus documentos e depois tocaram fogo nos meus equipamentos. Queimaram meu óleo diesel, que eu tenho nota fiscal, queimaram dentro das minhas lavras de permissão garimpeira. Atiraram nas minhas coisas, sem eu ter o direito de defesa. E o Ministro falou que ia falar comigo porque eu tenho este projeto junto com o grupo ‘Resgatando Vidas, para gerar serviços e recuperar o meio ambiente degradado pelo garimpo. Eu sou pequeno, mas tô tentando trabalhar dentro da legalidade para dar um sustento para meu filho, pra não ver meu equipamento e maquinário queimados como hoje eu vi. Eu estou dentro da legalidade. Eu achei ministro, de quando aquela reunião que tivemos no aeroporto, achei que o senhor ia me ligar, ia na minha propriedade, mas não era pra acabar com meus equipamentos. Se há algo que o senhor achasse que não se enquadra na lei que me orientasse. Fui injustiçada dessa forma. Como vai ficar o meu prejuízo? Hoje, eu não tenho condição de voltar a trabalhar porque o meu óleo diesel e meu motor foram destruídos. Eu estou com as cápsulas de balas que foram atiradas nas minhas coisas, no meu patrimônio. Todas as vezes o Bolsonaro e o próprio ministro falam que querem legalizar as áreas. Mas quando acham uma área legalizada, que tá tentando até reflorestar, trata desse jeito, com tiro? E agora qual é a desculpa. O senhor pegou uma garimpeira que está tentando trabalhar dentro da legalidade o senhor faz isso?”, questionou Letícia Pereira, exibindo um pacote com várias cápsulas de balas.

“Eu vou mostrar as balas. Sabe por que todos os garimpeiros fogem quando tem uma ação? Não é porque é bandido. É porque é recebido à bala. Sem direito à defesa. Porque dentro de uma área branca, de uma propriedade rural, no qual está tentando se legalizar com CAR, todas as licenças. Uma área legalizada, o senhor mandou atirar. É justo?”, indaga a garimpeira.

Letícia finaliza o vídeo pedindo ao ministro Ricardo Salles que ligue para ela para conversar, pois teve todo o seu patrimônio destruído, apesar de possuir farta documentação com autorização para as atividades naquela região. 

“Eu pedi para meus funcionários esperaram pela equipe para mostrar os documentos da nossa área e atiraram contra as pessoas. Eu quero que o senhor que tem o meu telefone, me ligue. Vamos conversar. Eu estou na causa. Eu quero e estou esperando o seu contato. Nós garimpeiros pequenos merecemos também ser legalizados”, disse Letícia.

Discussão

Um comentário sobre “Letícia, a super-garimpeira

  1. Lúcio, no jornal Liberal da noite, apareceu o comandante geral dos Bombeiros Militares dando uma “satisfatória explicação” para os imensos incêndios na amazônia: “em todos os casos foi constatada imperícia no uso do fogo para limpar áreas de pastagens e que… acidentalmente…acabaram queimando tudo em volta”. No dia que inaugurar alguma companhia que faça o seguro dessas queimadas… quebra no outro.

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    Publicado por J.Jorge | 17 de agosto de 2021, 12:43

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