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Política, Sem categoria

O “salvador da pátria”

Aos 80 anos, depois de ter sido preso pela Polícia Federal como corrupto e entrar num período de ostracismo, Michel Temer volta aos holofotes. Se não como um salvador nacional, ao menos como o político que está resolvendo o conflito entre Bolsonaro e o STF, que começava a incluir o legislativo federal.

O mais qualificado dos representantes do populismo no Brasil, capaz de tecer teias para a aproximação, entendimento e acordo entre os ocupantes de posições no alto da cúpula nacional. Um mestre da conciliação, um antípoda das reformas. O bombeiro convocado por Bolsonaro para apagar os muitos focos de incêndio que ele espalhou pelo país.

Os petistas acusam Michel Temer de ter traído a presidente Dilma Rousseff. A afirmativa se tornou dogma, verdade absoluta, o fio desencapado do golpe de 2016. É uma declaração fácil e insustentável.

Temer foi escolhido pelo PT para ser vice de Dilma em 2010 e 2014. Em 7 de abril de 2015, em meio a onda de protestos nas ruas contra o governo, Dilma nomeou Temer o seu articulador político.  Foi além: transferiu para ele as funções da Secretaria de Relações Institucionais, extinguindo-a.

A missão de Temer era melhorar o relacionamento do governo com o Congresso Nacional, principalmente com o PMDB, que Dilma já não era capaz de promover (nunca foi capaz). No posto, o vice-presidente logo se colocou contra o impeachment da presidente, a principal palavra de ordem nas ruas, porque iria gerar “uma crise institucional”, além de não possuir “base jurídica e nem política”.

Só quatro meses depois, quando Temer começou a procurar um líder com “a capacidade de unir o país’, é que os petistas começaram a achar que ele estava conspirando contra Dilma para assumir seu cargo. A reação de Temer foi imediata: ele devolveu à presidente a coordenação política. Dilma pediu que ele se mantivesse no cargo, sem, no entanto, desfazer os ataques do seu partido ao vice-presidente.

No início de setembro ele renunciou, alegando que estava sendo boicotado pelos petistas. A partir daí Temer começou as articular realmente a derrubada de Dilma e a sua ascensão ao lugar dela. Com sucesso, como se viu. A presidenta mostrou que, por seus próprios meios, ainda que poderosos, não poderia se salvar.

Ao conseguir colocar Bolsonaro em contato com o ministro Alexandre de Moraes e estender o armistício aos beligerantes nos fronts institucionais, Temer completou a obra conclamando a todos a olhar para o futuro, esquecendo esse ainda fumegante 7 de setembro. O que o vice de Dilma armou para esse futuro em seu benefício e dos convivas? Um novo líder da união geral na cúpula do poder?

Discussão

2 comentários sobre “O “salvador da pátria”

  1. Lucio, creio q falta considerar outros pontos na sua análise.

    O presidente da Câmara era do PMDB por isso a tentativa de Dilma de colocar Temer como articulador político, imaginava q por serem da mesma sigla….poderia-e convencer Eduardo Cunha desistir das pautas bombas.

    Temer enquanto vice já recebia na madrugada no Jaburu ( assim como recebeu Joelsey Batista) várias raposas políticas para fortalecer seus esquemas na Caixa Econômica e no Porto de Santos.

    Tinha parte do PT que sabia disso e sempre sugeria a Presidente desde o primeiro mandato que ele não era e não confiável.

    Eu lhe pergunto, onde está o Rocha Loures!?!?

    Afora há ainda o componente que vc sempre despreza em seus comentários qdo fala de Dilma….ele é uma vítima da herança machista de década neste País que acabou por reforça muito mais seus insucessos do que os seus sucesso com destaque para o Ciência sem fronteiras e
    O programa mais médicos…..que são políticas públicas que se tivessem sido mantidas até hj…..poderiam ter minimizados os problemas de saúde e educação dos últimos anos do governo atual.

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    Publicado por Norman | 13 de setembro de 2021, 00:04
    • Todas as omissões que você cita já foram abordadas em outros artigos sobre o tema.
      Por que a Dilma não se livrou do Temer em 2014?
      Por que não aceitou a renúncia dele à coordenação política? Justamente porque ela própria fechou todas as portas do Congresso com sua arrogância e autossuficiência. Acreditou na mentira explícita do lula, que só a fez sua sucessora para voltar ao poder quatro anos depois.
      Não há prova de que o Temer tenha traído o compromisso com a Dilma até setembro de 2015. Quando ele renunciou de vez é que passou a articular para ocupar o lugar da presidente. Vem daí o encontro com o Joesley.
      Na abertura do artigo lembrei que o Temer foi preso como corrupto.
      Saudei a primeira mulher na presidência. Lamentei que ela fosse tão despreparada quanto a Dilma. Ela só perdeu o lugar de pior de todos os tempos no cargo porque surgiu o Bolsonaro, hoje imbatível. Apesar da gestão desastrosa, em parte porque era preciso pagar (e pagar caro) pela vitória de 2014, sempre há alguma coisa boa. Ruim em quase tudo, só o Bolsonaro.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 13 de setembro de 2021, 08:59

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