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Cidades, Educação

Carmo: não em Belém

Já estão abertas as matrículas para quem quer estudar no Colégio do Carmo no próximo ano. Não no de Belém, obviamente, mas no de Manaus. O nosso encerrou as suas atividades (ou foi assassinado) em novembro do ano passado, por um ato de império da Inspetoria Missionária Salesiana da Amazônia, ou, especificamente, do seu presidente, Jefferson Luis da Silva Santos, que assumiu o cargo em 2018.

O colégio de Belém tinha 90 anos. Era um dos mais antigos da rede no país. Tinha sob a sua jurisdição a belíssima e centenária igreja do Carmo, uma das joias arquitetônicas da cidade. Tudo isso foi repassado pela inspetoria, que é uma entidade de direito privado, para outra instituição privada, estrangeira de origem, para outra finalidade que não o ensino médio.

Em novembro, a inspetoria alegou que, “apesar de todos os esforços empenhados”, a decisão foi tomada a partir de análise de fatores internos e externos decorrentes da pandemia de covid-19, sobretudo, no mercado educacional particular.

“Tal avaliação demonstrou ser inviável a manutenção do bom atendimento para a comunidade local, com a qualidade e eficiência características da marca Salesianos”, declarou o comunicado, segundo o qual houve aumento expressivo no índice de inadimplentes, números de evasão escolar, cancelamentos ou de transferências de matrículas.

Surpreendentemente, apesar de Manaus ter sofrido muito mais do que Belém com a pandemia, o colégio salesiano da capital amazonense exibe saúde financeira e faz marketing para atrair novos alunos. Não só para o colégio como também para a Faculdade Salesiana Dom Bosco. Ambas as instituições têm sido dinamizadas pelos investimentos que faltaram ao Carmo de Belém. Talvez de forma deliberada.

Se a situação era crítica, ela foi mesmo produto da covid ou, mesmo com prejuízos da pandemia, mais ainda pelo descaso da inspetoria, que pretendeu realmente acabar com o ensino e usar a excelente estrutura para alegadas atividades pastorais?

No dia seguinte ao comunicado da inspetoria, o governador Helder Barbalho disse que se empenharia para evitar o desfecho, decidido unilateralmente em desrespeito aos paraenses e desconsiderando o passado da instituição. Como uma entidade privada transferiu esse patrimônio a outra entidade privada, o melhor que o governador faria seria desapropriar o colégio, incorporá-lo à rede pública de ensino, e rever juridicamente a situação da igreja.

Discussão

10 comentários sobre “Carmo: não em Belém

  1. Educação é preciso. mais e mais. Assino tua sugestão. Que alguém possa liderar tal petição .

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    Publicado por valdemiro | 16 de setembro de 2021, 06:16
  2. E assim vamos caminhando em direção ao status vergonhoso de “cidade do já teve”. A gente estancou de repente ou foi Manaus então que cresceu?

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    Publicado por Igor | 16 de setembro de 2021, 13:51
  3. Concordo, Lúcio! Sabe lá quais os reais motivos que levaram a inspetoria a desfazer-se do Colégio do Carmo. Para nós, sobretudo ex-alunos, fica apenas a lembrança boa por termos tido o privilégio de termos estudados em uma das melhores escolas de Belém. O colégio do Carmo faz parte da história de pessoas de várias gerações. Junto- me a ti nessa causa e deixo registrada aqui minha indignação.

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    Publicado por Marilene Pantoja | 16 de setembro de 2021, 16:54
  4. Estou convicta que a morte precoce do Padre Genaro, foi causada por um infarto de tristeza.

    O conjunto do colégio do Carmo divide-se em duas partes, a primeira compreende as igrejas e o primeiro bloco do prédio e pertencem a arquidiocese de Belém (cedida pelos Carmelitas). A segunda parte pertence aos Salesianos e perfaz o restante do conjunto indo até o Palácio Velho (este pertence a prefeitura).
    A comunidade Semente do Verbo recebeu em comodato o primeiro conjunto e pagou míseros dois milhões de reais pela área restante que possui quase 20 mil metros quadrados e que a valor de mercado poderia valer até 20 milhões de reais.

    Padre Genaro, diretor da instituição, não concordava com o fechamento do colégio e morreu de tristeza.

    A Comunidade Semente do Verbo, comandada na nossa cidade pela portuguesa Irmã Sara, esperava um afluxo de fiéis e devotos para encher suas salas de aulas transformadas em dormitórios, enfrenta agora uma tremenda resistência dos católicos locais e acumula perigosamente prejuízos cada vez maiores na operação do centro de formação. Creio que não se sustentará financeiramente.

    Muitos perguntam, por que os Salesianos abandonaram o colégio? minha opinião tem um fundo doutrinário.
    Desde que aderiu a Teologia da libertação nos ano 1970/80, os Salesianos vem perdendo um número cada vez maior de padres e diáconos em suas fileiras. Vocações então nem se fala, seus seminário estão cada vez mais vazios.

    Além disso, existe uma guerra dentro da província que agora é comandada a partir de Manaus.
    A briga é tão grande que o expoente máximo da TL Salesiana no Pará, Padre Bruno Secchi, abandonou a ordem e foi se incarnar na arquidiocese de Belém, morrendo como padre paroquial.
    A falta de padres, o comando em Manaus e a guerra interna, a meu ver, foram as causas do fechamento do colégio.

    Uma pena.

    Caso Helder aceite sua sugestão, fará um bem enorme a Belém, a seus jovens e a sua história.

    Parabéns pela ideia.

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    Publicado por Celia Moreira | 16 de setembro de 2021, 21:25
    • Muito obrigado por suas preciosas informações, que quebram o muro de silêncio.
      A solução, agora, está com o governador Helder Barbalho. Mas é preciso haver pressão e cobrança da sociedade. Belém – e particularmente a Cidade Velha – não pode perder esse patrimônio.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 17 de setembro de 2021, 07:56
  5. CASO CARMO: UMA VERGONHA!!!!…..ESSA INSPETORIA AMAZONENSE SIMPLESMENTE VENDEU O COLÉGIO…E TODOS “ESTÃO SURDOS”. PELO AMOR DE DEUS, INVESTIGUEM ESSA MALFADADA INSPETORIA.

    “EU CANTEI ESSA PEDRA….”

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    Publicado por Antonio Figueiredo | 19 de outubro de 2021, 15:12
  6. “TEM MUITO PADRE MILIONÁRIO NESSA INSPETORIA AMAZONENSE”.

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    Publicado por Antonio Figueiredoi | 19 de outubro de 2021, 15:27

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