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Política, Sem categoria

Quero descer

A gente percebe a definitiva velhice instalada quando as doenças começam a se suceder a intervalos cada vez menores. Umas são de estilo, outras, surpreendentes, desfazem a presunção que se tinha quanto à própria saúde. A passagem ocorre geralmente quando nos tornamos septuagenários.

Até então, podíamos ser chamados agradavelmente de cinquentões ou sessentões. Aos 70, as duas consoantes centrais suaves cedem lugar às consoantes duras, o “pt” do septuagenário doendo no ouvido (e nas articulações).

É a hora de encarar a realidade do que se fez e do que ainda é possível fazer. A resposta ao balanço é mais complicada quando, nessa derradeira entrega do bastão do revezamento, o rendimento é decrescente e desanimador. Parece que pegamos o bonde errado no trecho final do percurso. É como nadar muito para vencer o mar encapelado e morrer na praia. O desfecho de derrota anulando todas as conquistas.

Foi com essa sensação de desalento que acompanhei o desempenho do presidente Jair Bolsonaro em Nova York. Segui os presidentes da república do Brasil a partir do último ano de Getúlio Vargas, na sua ascensão ao cargo pelo voto direto dos brasileiros, quando do seu suicídio, em agosto de 1954.

Pode-se dizer o que se quiser dos presidentes da república de 1946, dos generais da ditadura militar de 1964 e dos civis da redemocratização de 1985. Nem o pior deles se equipara a Bolsonaro, um péssimo militar, que acumulou desvios e desrespeito aos compromissos da carreira até o posto de tenente, e mediocridade, brutalidade e ignorância no desempenho de mandatos eletivos.

No seu rastro ele foi enfileirando práticas características de um delinquente, sem respeitar limites nem seguir o mais elementar padrão moral, ético ou político. Imaginava-se que, talvez, os rituais e as normas do cargo máximo da administração pública pudessem leva-lo a uma mudança de comportamento.

No entanto, continuou a agir igual ao procedimento familiar, grupal e corporativo de antes. Age dentro e fora (no cercadinho) dos palácios do Planalto e da Alvorada como na Barra da Tijuca. E levou esse modo de proceder para a sede das Nações Unidas, abstraindo a presença do alto mundo diplomático e de representação dos países do planeta.

Bolsonaro não é desse mundo. É um desajustado da contemporaneidade, um estranho na corte, um desajeitado, um penetra, um furão. Tem a sua carteira de representante da oitava nação da comunidade humana legitimada pela sua eleição em 2018.

Mas tem se esmerado em desrespeitar e agredir a sociedade e sua forma de organização. Ele não é um construtor. Sua especialidade é destruir. Sua natureza é maligna. Seu ser é incompatível com o bem comum. Seu individualismo extremo repele o que seja coletividade.

Com meus companheiros de viagem, empenhei a minha vida na defesa de causas públicas e na busca por ideais e utopias. Perdemos muitas batalhas, mas ainda tínhamos a esperança de haver novas oportunidades à frente. Essa crença se tornou ilusória. Olhando o horizonte, é impossível não recear de que embarcamos mesmo no trem errado.

Não só por culpa desse desatino no comando do país. Pelo próprio país também. E pelo mundo igualmente. As mentes das pessoas se atrofiam e sua capacidade de exercer o livre arbítrio com base num bom conhecimento de si e do mundo se desfaz, se liquefaz.

Cresce o poder dos “influenciadores” da internet, os sacerdotes dos tempos atuais de tecnologia veloz, miniaturizada, mimética. Obtêm fortunas por suas mentiras edulcoradas, valendo-se daquilo que Marx chamou de idiotia rural. Depois da maior revolução tecnológica, que globalizou o planeta, a expressão ficou mais singular. É simplesmente idiotia.

Amigo leitor: dê o sinal ao motorista; quero descer.

Discussão

11 comentários sobre “Quero descer

  1. Estamos lidando, ou pior, estamos nas mãos de uma gentinha mequetrefe, desqualificada – e desclassificada! – que, malditamente, por uma série de fatos e fatores, simultâneos e conjugados, ascendeu ao poder e hoje desgoverna e envergonha o País. Quer dizer, envergonha 80% do País. O resto são porcos da mesma raça. Espero que em 2022 a maioria do eleitorado brasileiro mande essa cambada de vagabundos para baixa da égua.

    Foi tão absurdamente patética, ainda que anos-luz distante do pior que poderia ter sido, a fala DESpresidencial, que a repercussão negativa, dentro e fora do Brasil, dá a exata dimensão do nível de intolerância e impaciência, de todo mundo e de todo o mundo, com o negacionista, psicopata, homicida e golpista que inferniza o País.

    A quantidade de mentiras e besteiras foi tamanha, que ninguém se lembra mais de Dilma Rousseff, nossa eterna estoquista de vento e saudadora da mandioca, cantando “répi bordei tu iú” para o então secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-Moon, ou tentando explicar o porquê da dificuldade de se armazenar o furacão Katrina.

    Mas nada superou – e duvido que supere em um século adiante – a propaganda da “garrafada curandeira e sacrossanta” à base de cloroquina e ivermectina. Dá pra imaginar o que passou pela cabeça dos tradutores, já que, provavelmente, além deles, não havia mais ninguém interessado em ouvir o amigão do miliciano Queiroz.

    Bolsonaro é o “perfeito idiota latino americano”, tão bem retratado por Vargas Llosa e seus co-autores do livro com quase o mesmo nome. Pior. Orgulha-se de sê-lo. Não por acaso ser tão insistente nas piores práticas. E se um dia for realmente capaz de autoconhecimento e autocrítica, irá cair em depressão profunda diante o alter ego que encontrará no espelho à frente.

    Eis o resumo do DESpresidente MiJair Bolsonaro – cada vez mais, o maníaco do tratamento precoce – no discurso (de bêbado) de abertura da assembleia anual geral da ONU tradicionalmente realizado pelo Brasil há 75 anos (Oswaldo Aranha, o qual participou da fundação desse órgão, deve estar se revirando no túmulo):

    1-O amigão do Queiroz, para não variar nem um pouco, desfilou uma série de mentiras, mistificações e meias verdades. Começou dizendo que o Brasil, antes dele, estava à beira do socialismo. Bem, se Michel “tem que manter isso aí viu” Temer é socialista, Bolsonaro é o próprio Marx, já que subscritor do ex-presidente na carta de arrego ao STF;

    2-Em seguida, passou a descrever um país que só existe naquela cabeça deturpada, onde não há violência, criminalidade, homicídios e preconceito; onde reina a tolerância e a aceitação de todos; onde há segurança jurídica e respeito, por parte dele, o golpista aloprado, pela democracia, e onde a economia tá bombando, crescendo 5% ao ano;

    3-Daí, continuou com o lero-lero, mas mudou o tema para vacinação – segundo o devoto da cloroquina, o Brasil vai muito bem, obrigado, e ele sempre a apoiou – e Covid-19, repetindo o eterno mantra, culpando governadores e prefeitos pela inflação, e dizendo que “sente muito” por todas as mortes. Então, tá, né?

    4-Mas o ponto alto – ou seria o ponto baixo? – foi a defesa do tratamento precoce, a que chamou de tratamento inicial. Na boa, eu até entendo o discurso para o gado, a história de Deus, família, valores cristãos etc. Entendo também o blá blá blá sobre comunismo e imprensa. Mas, pô!, não dava para evitar curandeirismo na ONU?

    5-O cara não usa máscara, não toma vacina (ao menos diz que não), condena o distanciamento social, ou seja, vai de encontro a absolutamente tudo o que ensinam a ciência e a medicina mundiais, e pretende convencer o mundo de que foi a garrafada milagrosa (cloroquina de Jesus + ivermectina santa + spray sacrossanto de Israel) que o curou;

    Duvido que algum chefe de Estado que se preze tenha prestado a mínima atenção no discurso do psicopata. Ainda assim, não será fácil assistir ao noticiário local de lá e não morrer de vergonha do que irão comentar a respeito, nos principais canais de TV americanos (e britânicos também). E dessa vez não terá o Trump para distrair a galera.

    Exigir de um ignorante com inteligência microscópica algo mais seria como pedir ao Lula, o meliante de São Bernardo, que parasse de mentir a respeito de sua “honestidade e inocência”. São paus que nasceram tortos e não se endireitarão. Mas uma coisa precisa ser melhorada e melhor trabalhada: alguém tem de ensinar o maridão da “Micheque” a ler! Crianças alfabetizando são mais fluentes que esse “mito” aí, talquei?

    MiJair Bolsonaro – cada vez mais o maníaco do tratamento precoce – acabou faz tempo; já era. Mas o político, o “mito” está definitivamente relegado ao que sempre foi: um nanico, um ladrão de rachadinhas do baixíssimo clero do Congresso Nacional. Terminando o mandato, se não for preso, não for condenado e não tiver os direitos políticos cassados, voltará a ser o deputado que emprega parentes como funcionários fantasmas, que “come gente” com verba parlamentar, que surrupia a maior parte dos salários dos pobres coitados que lhe servem como laranjas e mulas de dinheiro vivo e que faz apologia ao estupro e a torturadores.

    Inclusive, aproveitando sua estada em Nova York, o devoto da cloroquina bem que podia se inspirar nos nomes de empresas americanas e chupar uma ideia para a holding que deveria abrir com seus pimpolhos. Tipo: Bozonaro e Filhos, Sociedade de Rachadinhas, Panetones e Negócios Imobiliários Espetaculares Cash Only.

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    Publicado por igor | 22 de setembro de 2021, 17:18
  2. Antigamente, a imprensa brincava com muito humor com certo Presidente: “a crise viajou”, diziam, quando ele se ausentava de Brasília. Hoje, quando Bolsonaro vai para o exterior, lamentamos com tristeza : “nossa vergonha viajou”. O sonho do Arnesto Araújo, ex-ministro das Relações Extraterrestres e filho de capacho de nazista carniceiro de judeus, finalmente se concretizou: viramos pária. Filme mais queimado não há. Isso tudo serve para lembrar porque existem mais de 130 pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados. Se o diabo é o pai da mentira, Bolsonaro é o tataravô dela.

    É a primeira vez na história das Nações Unidas, desde que foi criada no pós-guerra há 75 anos, que um criminoso vai ao plenário e toma a tribuna para defender as armas com as quais ele promoveu o assassinato em massa da sua população. Sendo assim, Bolsonaro deveria sair da ONU e ir diretamente pro camburão depois de tanta mentira. Não consegue ver diferença entre a ONU e um grupo de WhatSapp. O cérebro microscópico não é e nunca foi um líder, mas um eterno candidato. Bolsonaro na ONU é que nem uma vaca no telhado: ninguém sabe como chegou lá, mas todos têm a certeza de que tem que sair. E sabe o que que é pior? O Brasil é o país que hoje mais desvaloriza sua moeda pela brutal desconfiança que o mundo e os agentes econômicos internos do país têm dos fundamentos da economia e do comportamento criminoso, miliciano, golpista, alucinado, irresponsável, politiqueiro e incompetente do Bozo. O Brasil inventado por Bolsonaro esbarra em qualquer semáforo desse país de famintos e desempregados.

    Tinha certa razão Pedro Aleixo quando alertou Costa Silva na assinatura do AI-5 : “presidente, o problema não é a autoridade maior, mas sim ​o guarda da esquina”. Mas sua frase está desatualizada. Aqui o problema tanto é a autoridade maior (se é que tem tal condição) como seus micos de circo.

    Brasil “diferente” (ao contrário do que o satanás) é o país de 590 mil mortes na pandemia devido ao negacionismo, da inflação descontrola, da roubo na compra da vacina, da farra do cartão corporativo, da rachadinha. Bozo mente que nem sente. Que outra coisa diferente se esperaria de alguém que disse que fake news faz parte da nossa vida? Elogio em boca própria é vitupério.

    Um discurso pequeno, do tamanho microscópico do cérebro dele. Alguém aqui recebeu 800 dólares de ajuda emergencial? Com o dólar a 5,32, os beneficiários deveriam ter recebido cerca de R$ 4.256 CADA. O povo recebeu esse dinheiro? Se o dólar continuar subindo assim na próxima assembleia da ONU, o auxílio será de 400 dólares.

    O discurso do Jaguara não cabe na ONU, é para se analisar em Haia! Defendeu imunidade de rebanho, tratamento ineficaz e atacou passaporte sanitário. Ou seja, produziu provas contra si mesmo em um fórum internacional. Reforçando, o cara de pau mentiu sobre a Amazônia, sobre os ataques à democracia, sobre o 7/09 e sobre o tratamento precoce. disse que não tem corrupção no governo da rachadinha, que incentivou vacinação em vez de genocídio, protegeu meio ambiente e ousou até defender cloroquina. A cloroquina foi um medicamento que provavelmente matou muitas pessoas no Brasil e o Bolsonaro foi para o plenário da ONU despudoramente defender o que a ciência mundial inteira diz que está errado!

    Sobre a vacina, digo que ela NÃO É MÉRITO do Bolsonaro. Se dependesse dele, Brasil até hoje estaria sem vacina. Só agiu com pressão e quando seu governo viu a possibilidade de propina.

    “Estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso de corrupção”. A anta esqueceu das rachadinhas, das mansões milionárias, do Queiroz, do tratoraço, do superfaturamento a 1000%, dos filhos bandidos, das empresas investigadas, da prevaricação e da corrupção na aquisição de vacinas

    Bolsonaro foi à ONU falar sobre preservação ambiental. Aqui nós sabemos que ele:
    – Afastou investimentos justamente pela destruição do Meio Ambiente
    – Seu anti-ministro do Meio Ambiente Salles queria “passar a boiada”
    – Paralisou políticas de preservação e sucateou os órgãos

    Bolsonaro disse que o Brasil mudou sob o seu Governo:
    – 19 milhões de famintos
    – 14 milhões de desempregados
    – Inflação
    – Miséria
    – Estagnação
    – Quase 600 mil mortos pela má gestão da pandemia
    – Desastre Ambiental
    – Desastre na Educação
    – Negação da Ciência

    Mudou mesmo. Pra pior, infelizmente.

    Tudo como previsto . Poucos minutos de discurso na ONU e uma carga de mentiras, mistificações, obscurantismo e hipocrisia que poderia cobrir anos e anos. Mas este tempo de vergonha tem seus dias contados. Fora Inominável!

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    Publicado por igor | 22 de setembro de 2021, 18:11
  3. Acontece que Bolsonaro não chegou onde está apenas por vontade própria. Mais de 50 milhões de brasileiros votaram nele. Cada uma dessas pessoas é diretamente responsável pelo desastre que está vitimando o país. É bom esfregar isso na cara dessas pessoas.

    E será melhor que se abandone a mania de fazer do Congresso Nacional uma espécie de corregedor da política brasileira: o eleitor faz melecada, elegendo quem não deveria, na expectativa de que o Congresso corrija o erro, via impeachment, pelos mais diferentes motivos.

    Negatowsky! Ajoelhou, tem que rezar! Quem pariu o diabo, que o embale! Elegeu o pervertido? Pois, agora, que sofra com as perversões dele. Na próxima eleição, que tente pensar mais e escolher senão o melhor, pelo menos, o menos pior. Ou, então, que repita o erro, e… que se dane!

    Na democracia, é assim que a coisa funciona. Quer achar os culpados? Comece olhando no espelho mais próximo…

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    Publicado por Elias | 22 de setembro de 2021, 18:43
  4. Igor, este cara que tu chamas de mequetrefe, só está no poder porque os antes dele só fizeram merda. Acho que ninguém que antes votou no Bolsonaro pode ser chamado de gado. Foram pessoas revoltadas e de boa fé, assim como aqueles que votaram no Lula e que eu também não chamaria de gado. Fica tranquilo que em 2022 terás oportunidade de apear o mequetrefe e eleger novamente o Lula ou o poste que ele apontar. Sem ostentar, claro, o título de gado. Sua sagrada mãe não merece isso.

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    Publicado por ADEMAR A DO AMARAL | 22 de setembro de 2021, 19:45
    • Ademar, foram 57 milhões de pessoas enganadas por esse mequetrefe, que acreditaram nas promessas vazias do miliciano, que caíram no conto da caroxinha dele e que embarcaram na onda da extrema-direita mundial, sendo que algumas delas aprovaram aplaudiram o fato dele falar que ia fuzilar 30000 pessoas, que prefeira ter um filho morto do que um filho gay, de que o torturador Ustra era herói, etc.. Se não são gado, no mínimo foram usadas como tal. Me recuso a acreditar e cair nesse papo de boa fé que você, Ademar, tá querendo me mostrar. E a maioria deve estar por aí se lamentando. E aqueles que votaram insuflados pelos discursos nojentos, de apologia aos crimes da Ditadura Militar e odiosos do Jaguara terrorista de quartel, o que você diz, Ademar?

      As porcarias que os governos anteriores fizeram não podem justificar que este DESgoverno faça porcarias ainda piores. E minha mãe não carrega essa culpa de votar nesse asno e falsário do Bolsonaro. Ademar, você tá falando de corda em casa de enforcado.

      Eu já disse e eu repito nesse blog: se a terceira via fracassar no primeiro turno, ou voto em branco, nulo ou no Lula, mesmo não querendo e contra a minha vontade, afinal, critico o lulopetismo na mesma proporção em que critico o bolsonarismo, e digo mais uma vez: o lulopetismo corrompido gerou o bolsonarismo boçal, e o segundo ressuscitou o primeiro com força total. No Bolsonaro eu NÃO VOTO nem que me deêm ouro pra isso.

      Eu já vou logo avisando: se o Sapo Barbudo for eleito, assim como muitos que votaram no Bolsonaro lamentaram isso, muitos também vão lamentar por ter reeleito o líder da maior quadrilha de assalto aos cofres públicos. Vai ser um ciclo de chororô interminável, tal como agora. E continuaremos a fazer jus a seguinte frase de um pensador francês do século XVIII: CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE.

      Assunto encerrado e ponto final.

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      Publicado por igor | 22 de setembro de 2021, 21:37
  5. Por isso sou a favor que se inclua no nosso ordenamento jurídico o mecanismo de cassação do mandato pelo voto popular (recall), utilizado na Inglaterra e em partes dos Estados Unidos.

    O DESpresidente MiJair Bozonaro não é persona do cidadão MiJair Bozonaro. Ele é invariavelmente a mesma criatura tosca, com viés sociopático, não importa se no seu gabinete, no cercadinho com os seus apoiadores, em viagem presidencial, na ONU ou na cozinha do Palácio do Alvorada. Não há ser mais autêntico a ter ocupado o cargo de supremo mandatário da nação — nem o general João Batista Figueiredo, conhecido por suas declarações grosseiras, foi tão longe –, numa prova de que a autenticidade pode ser mais defeito do que qualidade.

    A questão não é ser ou não ser MiJair Bolsonaro, mas por que mantê-lo no Palácio do Planalto. Mais uma vez, é preciso que se diga: o atual DESpresidente da República é, ele próprio, a pior crise que poderia ocorrer no Brasil neste momento. O verdugo do Planalto é a maior causa das quase 600 mil mortes por Covid no país, de termos chegado atrasados à compra de vacinas e da desinformação em relação a remédios ineficazes contra a doença. Ele também é o motivo dos desgovernos na economia, na educação e no meio ambiente, pelos quais pagamos o preço da inflação crescente e do aumento da miséria, da piora no nível escolar das nossas crianças e jovens, que já era abissal, e do crescimento da destruição de ecossistemas vitais, mesmo que o amigão do Queiroz queira pintar lá fora um país fictício como fez ontem.

    Tudo sempre esteve ruim no país, sob qualquer governo, que ninguém se engane com os mentirosos, mas quase tudo piorou ainda mais sob esse cafajeste. Tirá-lo do Palácio do Planalto, por meio do instrumento constitucional do impeachment, das eleições ou do recall que sugiro representaria um alívio para todos nós. Fernando Collor de Mello, que tinha aquilo roxo, e Dilma Rousseff, nossa eterna estoquista de vento e saudadora da mandioca, se fizeram merecedores de perder o mandato por muito menos.

    Por que, então, manter um traste e cafajeste como o Bolsonaro na presidência da República até o final de 2022 ou depois disso? Porque tem muita gente faturando com isso. Desde o notório Centrão, com a sua sanha fisiológica e corrupta, até os vampiros eleitoreiros que se alimentam do sangue dos brasileiros, ao deixar o marido da receptora de cheques de milicianos sangrando na cadeira presidencial.

    Quem decidiu manter o psicopata homicida na presidência da República ou quem ainda vai continuar votando nesse pilantra tem um cérebro mais microscópico do que o Bozo e é uma gente tão ou mais perigosa que a criatura tosca, com viés mais sociopático ainda, que nos desgoverna e envergonha. Eles nos fazem o gesto obsceno de Queiroga todos os dias.

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    Publicado por igor | 22 de setembro de 2021, 20:02
  6. Bolsonaro é uma abjeção da natureza, sabem os normais. O espantoso e aterrador são os milhões que o seguem. Ontem entrei num site desses “influenciadores”, coisa de louco. Mulheres achando-o lindo, o melhor homem do mundo; homens se dizendo absolutamente por ele representados. Que ele fez bonito na ONU, “arrasou” em Nova Iorque e outras centenas de impropérios. Essa direita estúpida, radical, cega estava aqui, hibernando, esperando que um dos seus chegasse ao poder. Bolsonaro, que concentra ideologicamente tudo que não presta, chegou.
    Quando os costumes eram menos corrompidos, tivemos por aqui, naquela onda de fascismo da primeira metade do século passado, o Integralismo ( almoçado e jantado por Vargas) os famosos “camisas verdes”, uma direita decente integrada por gente do tope intelectual de Américo Jacobina Lacombe, Miguel Reale, Plínio Salgado, San Tiago Dantas, Alfredo Buzaid (Bolsonaro, considerado “pouco inteligente” pela população não comprometida, certamente não seria admitido na AIB) Hoje, o fascismo bolsonarista tem os seus: Zé Trovão, Roberto Jefferson, Daniel Silveira, deputado Otoni não sei de quê, a “Val do açaí” etc. A sorte é que eles são intelectualmente autóctones, falam em “comunismo” (não sabem o que é), mas desconhecem o que foi o fascismo italiano e o nazismo alemão, felizmente. Do contrário, ai, ai, estaríamos ferrados!

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    Publicado por Alcides | 22 de setembro de 2021, 21:24
  7. Porque os anteriores só fizeram merda, nemhum partido, em nenhum lugar do país conseguiu arranjar nada menos mal do que o Bolsonaro?

    Não. Isso não passa nem perto…

    É só um outro modo de repetir o antiquíssimo “tudo o que aí está…”. Faz parte da receita que nos trouxe onde cá estamos.

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    Publicado por Elias | 23 de setembro de 2021, 00:26
  8. BOZOCRÁCIA: UMA CLOROQUINA POLÍTICA NA SALA! ESSES DEMENTES SÃO RECRUTADOS ENTRE OS MARGINAIS. DANIEL LERNER ESTUDOU A ORIGEM DOS QUADROS NAZISTAS, E CONSTRUIU UM ÍNDICE DE MARGINALIDADE PELO ACÚMULO DE VÁRIAS VARIÁVEIS (INSTABILIDADE PROFISSIONAL, CASAMENTO EM IDADE FORA DO PADRÃO – PRECOCE OU TARDIA-, JUVENTUDE, FRACASSOS ESCOLARES E UNIVERSITÁRIOS, NASCIMENTO NUMA REGIÃO DE FRONTEIRA, ETC..). APLICANDO SEU ÍNDICE ÀS DIFERENTES CATEGORIAS DE RESPONSÁVEIS NAZISTAS, DESCOBRIU QUE TODOS OS GRUPOS POSSUÍAM UM ÍNDICE DE MARGINALIDADE SUPERIOR A 75%. OS ANIMADORES DO TOTALITARISMO ERAM RECRUTADOS DA NOVA CLASSE MÉDIA – FUNCIONÁRIOS, PROFISSIONAIS LIBERAIS, GERENTES – E, MAIS ESPECIFICAMENTE, ENTRE OS MARGINAIS DESSES GRUPOS INTERMEDIÁRIOS. O QUE DEMOSTRA QUE A ELITE TOTALITÁRIA É MARGINAL (CHÂTELET, 2009; P. 235).
    As origens: O fascismo é aquela “neurose do senso comum”. E a sua demência – e não o senso ou o supersenso – resulta do fato de que a racionalidade não explica as opções totalitárias. O terror totalitário não busca tanto conquistar o mundo por motivos de potência, mas antes para provar a legitimidade de seu movimento, para tornar o mundo coerente, ou seja, conforme a concepção que dele têm os totalitários (CHÂTELET, 2009; p. 235).
    Não é tão fácil descobrir analogias históricas para Mussolini, para Hitler, etc. Em países civilizados democráticos, um mero arrivista, uma liderança que surge num País civilizado, que haviam feito o longo aprendizado do sistema representativo, de repente se elevam ao poder aventureiros misteriosos que em sua juventude, se haviam ocupado em trabalhos tão modestos.
    Não tinham a seu crédito feitos de heroísmo militar. Não proclamavam novas ideias para o mundo. Atrás de si não avultava a sombra de um antepassado com um chapéu tricórnio. A Loba de Roma não foi à avó de Mussolini. A Suástica não é a cota de armas de Hitler, mas apenas um símbolo roubado aos egípcios e aos hindus. O pensamento liberal democrático continua desamparado diante do mistério do fascismo. Afinal, nem Mussolini nem Hitler parecem ser gênios. Que explica então o seu êxito vertiginoso?
    Os dois chefes do fascismo são representantes da pequena burguesia que nessa época, se mostra incapaz de contribuir com ideias originais ou direção criadora próprias. Tanto Hitler, quanto Mussolini plagiam e imitam, praticamente, tudo e todos. Mussolini roubou o bolchevismo e Gabriele D’Annunzio, e encontrou inspiração no campo dos grandes negócios. Hitler imitou os bolcheviques e Mussolini. Assim, os chefes da pequena burguesia dependiam dos magnatas do capitalismo, são figuras típicas de segundo plano. De resto, a própria pequena burguesia, quer a encaremos de cima, quer de baixo, invariavelmente exerce um papel subsidiário na luta de classe.
    Dentro da moldura das possibilidades histórica aproveitáveis por eles, Mussolini mostrou grande iniciativa, capacidade para tergiversar, tenacidade e compreensão inclui-se na longa tradição dos improvisadores italianos. O dom da improvisação constitui o verdadeiro temperamento da nação. Ambicioso, ágil e desordenado, destruiu sua carreira de socialista pela busca gulosa do êxito, o mesmo que faz o bozo em relação às Instituições por ter sido expelido para fora de uma delas, as Forças Armadas.
    A cólera de Mussolini contra o seu antigo partido se tornou uma força motriz, assim como a de bozo contra as Forças Armadas. Mussolini, criou e destruiu teorias ao longo de seu caminho. É a personificação do egoísmo cínico e da covardia, que se esconde por trás de um cenário de fanfarronada, qualquer semelhança com o bozo não é mera coincidência. (TROTSKY, p. 159).
    O teatro, a arte sagrada de ordem religiosa, conservando a aparência de uma liturgia. Cerimônia sacralizada, alimenta uma atmosfera de comunhão, esperado, aguardado pela multidão gigantesca montagem dos mistérios organizados pela Eclésia, com acessórios, trajes e cenários teatrais: bandeiras, estandartes, plágios, emblemas e signos; uniformes, em cantos e hinos; vivas e saudações, “sentados e em pé” a encenação dá novo alento às reminiscências de uma liturgia coletiva desaparecida. (Schwartzenberg, p. 138,1978.)
    Hitler exibe os traços da monomania e do messianismo. A mágoa pessoal exerceu um papel formidável no seu desenvolvimento. Era um pequeno-burgues desclassificado que não queria ser operário. Operários normais aceitam a sua posição como normal. Mas Hitler era um desajustado pretensioso, com uma psique doentia, semelhanças incríveis com o bozo. Hitler, realizou uma certa modalidade de ascensão social pelo ódio aos judeus e aos socialista, como bozo aos “PTistas”, as mulheres, aos Índios, aos Negros e aos Geys, etc.
    Esse caminho mês fez lembrar de Mussolini, que também era socialista antes dos anos 20. Ele desarticulou os Sindicatos, e se houvesse MST lá, ele também desarticularia outras formas de organização da sociedade (Campos, p .8 )
    E Hitler, pretendia, desesperadamente, subir muito alto. No meio desse caminho, criou para si uma teoria cheia de contrações inumeráveis e de reservas mentais – uma mixórdia de ambições imperialistas germânicas e quimeras coloridas de pequeno-burgues desclassificado (TROTSKY,p. 159 e 160).
    Pouco importa a tradição nacional ou a fonte particular de sua ideologia o regime totalitário transforma sempre as classes em massas, substitui o sistema de partidos não por ditaturas de partidos únicos, mas por um movimento de massa; desloca o centro do poder do exército para à policia (CHÂTELET, 2009; p. 234).
    De acordo com FHC, no Diário da Presidência sobre as Forças Armadas que se opõem a qualquer vinculação mais profunda com os americanos na questão do trafico, entretanto eles não entram na luta contra as drogas. De outro lado, o governo não dispõe de um instrumento efetivo de combate às drogas a não ser o COAF. Mas o fundamental que é a ação das policias estaduais é um desastre. Se não pusermos ordem nas polícias, não haverá combate a crime nenhum, porque elas próprias reproduzem o crime, e as polícias tem um lobby enorme no parlamento o qual impede qualquer mudança no sentido da fusão da Polícia Militar com a Polícia Civil. É muito difícil. Tenho sido muito restritivo nessa matéria, porque acho que o governo federal não tem os elementos efetivo para um combate em larga da criminalidade. Mas a droga, pelo menos na questão da lavagem de dinheiro sim (CARDOSO, p. 29, 2019).
    Acho que temos que reagir contra essa desmoralização, eu assisti na TV, a notícia de uma policia que aparece mascarada e é armada isso está ficando muito rui, muito ameaçador.
    Então, FHC esclarece sobre as medidas na Segurança Pública e seu ponto de vista sobre as confusões que há no Brasil nessa matéria, como o cara da OAB dizendo que é preciso evitar que o Exército vire milícia, por causa da democracia. Ninguém está pensando nisso. O pior é que na hora de a onça beber água todo mundo grita querendo o Exército, e o povo aplaudem na rua, expliquei:
    “diante de um motim, é polícia armada com autorização do governador ou Exército mesmo. Não adianta criar Guarda Nacional, porque é uma réplica, levará dez anos só para o Exército criar Guarda Nacional, porque é uma réplica, levará dez anos só para o Exercito fazer de conta que não é Exercito. A função constitucional dele é garantir a ordem, não tem cabimento inventar novos grupos. Quando o Exército é chamado, vai lá e prende se for o caso” (FHC, p. 304; 2019)
    E continua, o Gilmar deu um parecer muito bom neste sentido, que esclarece a questão. Não tem nada de transforma o Exército em polícia, porque eles não são nem podem ser. O que vale a pena, disse eu, é ter no Exército batalhões com adestramento como as polícias do Exercito, adestramento que não seja para dar tiro, mas para usar escudo, bala de borracha, se for o caso; o resto é só para fazer onda, para ameaçar, é tanque, avião. Não é para usar. Vai matar policia? (FHC p.276, 2019)
    Não tem cabimento a menos que a rebelião seja realmente aberta, mas até hoje não houve isso e espero que nunca vá haver durante meu governo. Também é preciso enfrentar a questão de que greve de policial não existe, a Constituição não permite, logo é preciso punir. Enfim, coisas mais ou menos óbvias, mas que ficaram bem claras, e no grupo fizeram um plano razoável. Todos os governadores muito preocupados com a situação das policiais e ela é dramática.
    O Presidente reflete sobre a partidarização das policia. Sobre isso, o Governo não pode, não tem condições de entrar nesta questão, porque não dispõe dos meios efetivos para enfrenta-las. São os governos Estaduais, que também não os têm, que devem enfrentar a situação. E eles não dispõem desses meios porque não fizeram as modificações necessárias para obter mais recursos (FHC p.276, 2019).
    Agora é difícil, porque o Exercito tem 60 mil, 70 mil recrutas. Só São Paulo tem 85 mil policiais profissionais, então se houver choque, o Exercito não é para isso, não é polícia, e na Polícia Federal temos 7mil homens. Enfim, há um efetivo da Policia militar e na Policia Civil nos estados muito grande, ineficiente, em parte corrupto, mal pago, esse é um problema sério. A Constituição liberou esse pessoal das PMs do controle do Exercito e afirma; acho que isso tem de ficar para o próximo presidente enfrentar, porque já mandei emendas para o Congresso e elas não passam problemas extremamente difícil de serem trabalhados:
    “As Forças Armadas são disciplinadas, têm hierarquia e os salários não são tão defasados entre os de cima e os de baixo. Na Polícia não, o Coronel ganha muito e o soldado ganha nada, a moral é baixa, então houve a politização, há candidatos a vereador ou a deputado que são policiais civis e militares. A Policia Militar tem muita força no Congresso, eles não querem a junção das duas policia” (FHC p.277, 2019).
    Vimos agora no caso da Policia Militar nos Estados quanto tempo levou para mobilizar as forças do Exercito porque não tínhamos bons transportes. Na Câmara de Segurança Pública, muitas dificuldades, porque, quando existe legislação, a legislação é inadequada, a Constituição dispõe uma coisa, mas a lei que dá penalidades (a PMs grevistas) ela nem é lei, é decreto-lei dos tempos dos Militares(*). O Governo Federal não mandou uma lei orgânica correta. Então se fara uma lei orgânica melhor, mais o problema central é que a quebra de autoridade existe é nos estados. No governo federal ninguém quebrou autoridade, nada nem de longe, nem na PF.
    O que acontece é que nos estados os Governadores perderam o controle da situação, pela politização, por promoções sem base, pelo fato de os Coronéis, membros dos escalões superiores da policia entrarem para sistemas de segurança privados, pelo fato de que os praças trabalham 24hs e descansam 72hs, ou seja, tem bico nas outras 72hs, ou coisa que o valha, e o salário é baixo, mas não é baixo quando se leva em consideração o pouco trabalho que se requer deles, enfim uma grande desordem (FHC p. 293, 2019)
    Com a politização devida as eleições que se avizinham, às associações de policiais substituem na verdade, os sindicatos, e viram partidos. Todos os partidos estão nisso, tratando de tirar votos das policias, isso cria um clima de desordem em época pré-eleitoral. Como resolver essa questão?
    Não é por uma penada, muito menos com um grito do presidente. Não obstante temos que fazer alguma coisa, fazer a nossa parte. Não adianta dar R$ 400 milhões – e não o temos no orçamento – para eles comprarem viaturas e armas, porque as policiais já estão em armas, e vão usar contra nós, contra o povo, na verdade usam a cada instante.
    O que é preciso haver é capacitação e apoio social. Um programa de habitação (para policiais). Nisso o governo poderia eventualmente cooperar, emprestando o dinheiro para entrar na compra da casa, qualquer coisa assim, porque é uma despesa que se realiza de uma só vez e dá uma garantia para a vida das pessoas, coisa que de fato elas precisam. Outra coisa importante é seguro de vida, mas isso os governadores tem que providenciar, não dá para o governo federal enfrentar, porque o valor do seguro se renova todo ano, e não temos condições, pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pela LDO de fazer (Cardoso, p. 293, 2019). Como não foi feito, a milícia tratou de fazer inclusive se apropriando das casas do programa minha casa minha vida realizado pela lulocracia.
    Não existe um só homem que não traga em sua estrutura de caráter os elementos de sensibilidade e do pensamento fascista. O fascismo se distingue de todos os outros partidos reacionários pelo fato de ser aceito e preconizado pelas massas (CHÂTELET, 2009; g. 243).
    O fascismo representa um compromisso típico entre duas elites com vocação de poder, a coexistência entre uma elite agrícola tradicional, forte mais em declínio, e uma elite industrial ascendente, mas ainda débil; uma aliança entre a antiga e a futura classe dominante, com o objetivo de impedir uma afirmação muito rápida das massas: “a última vitória da aristocracia rural”, que consegue efetivamente exonerar a elite agrária do pagamento dos custos econômicos e pessoais da industrialização, assim, 2016 serviu de preludio de 2018 que nos brindou com a ascensão da bozoCRÁCIA em substituição a luloCrácia (CHÂTELET, 2009; p. 245).
    O fascismo soube responder a angustia das massas, dilaceradas entre seu desejo de liberdade e seu medo da liberdade. Ele representa a segunda camada caracterial, a dos impulsos secundários (crueldade, sadismo, etc. ); é a atitude emocional fundamental do homem oprimido pela civilização maquinista autoritária; seu racismo é uma forma de repressão e de angustia sexuais, que emanam elas mesmas da sociedade patriarcal e autoritária. Max Horkheimer aplica a teoria da psicanálise às mediações que ligam os interesses de uma classe (a infraestrutura) à cultura (a superestrutura). E aprofunda a hipótese de Reich, segundo a qual o pai de família está no coração dessas mediações.
    Tendo perdido sua autonomia econômica na passagem do capitalismo liberal para o monopolista, o pai desfruta apenas um prestígio irracional e frágil. Reich mostrará que o pequeno-burgues sociologicamente reprimido por seu superior hierárquico reprimia, por sua vez, sexualmente seus filhos, Horkheimer acrescenta que a aura do pai foi transferida para o Estado.
    Erich Fromm pôde então avaliar a personalidade autoritária do homem subjugado. “A aspiração ao poder não é produto da força, mas o filho abastardo da fraqueza. E afirma que o fascismo teve êxito por permitir que as massas satisfizessem seus impulsos sadomasoquistas através da identificação com os poderes dominantes. Sugerindo, que o problema fundamental de todo indivíduo reside no aparentamento, na busca de uma identidade social, na necessidade de pertencer a uma comunidade.
    O aparentamento se opera em face da família e em face da sociedade; mas o capitalismo tende a destruir esses relações de identidade: As relações sociais perderam seu caráter direto e humano… Em todas as relações sociais e pessoais, as leis do mercado são a regra. O homem moderno sofre a despersonalização. O indivíduo vende a si mesmo e sente que é uma mercadoria. Confrontado com essa despersonalização, o indivíduo põe em ação “mecanismos de evasão (para) tentar escapar à sua instabilidade e à solidão.
    Busca fugir de sua liberdade, tornada um fardo intolerável; trata-se de uma fuga no “conformismo dos autômatos, na “destrutividade”, na eliminação do outro e no autoritarismo, com seu duplo aspecto masoquista (dissolver-se num conjunto) e sádico (agir segundo as regras desse conjunto. Essa fuga da liberdade não se processa de modo indiferenciado em todas as classes sociais. A classe média entrega-se a ela com maior intensidade, na medida em que sua frustação social é mais viva; ela combina a nostalgia da submissão a sede de poder. A perseguição ao homossexual, ao marginal, ao outro e a guerra satisfazem seus impulsos sádicos. A personalidade autoritária reencontra segurança e identidade no fascismo (CHÂTELET, 2009; p. 243).
    Esses dementes são recrutados entre os marginais. Daniel Lerner estudou a origem dos quadros nazistas, e construiu um índice de marginalidade pelo acúmulo de várias variáveis (instabilidade profissional, casamento em idade fora do padrão – precoce ou tardia-, juventude, fracassos escolares e universitários, nascimento numa região de fronteira, etc..). Aplicando seu índice às diferentes categorias de responsáveis nazistas, descobriu que todos os grupos possuíam um índice de marginalidade superior a 75%. Os animadores do totalitarismo eram recrutados da nova classe média – funcionários, profissionais liberais, gerentes – e, mais especificamente, entre os marginais desses grupos intermediários. O que demostra que a elite totalitária é marginal (CHÂTELET, 2009; p. 235).
    A demência – e não o senso ou o supersenso – resulta do fato de que a racionalidade não explica as opções totalitárias. O terror totalitário não busca tanto conquistar o mundo por motivos de potência, mas antes para provar a legitimidade de seu movimento, para tornar o mundo coerente, ou seja, conforme à concepção que dele têm os totalitários (CHÂTELET, 2009; p. 235).
    Em meio a batalha de Warteloo, ou ao ato da bozocrácia e sua demonstração é sempre bom lembrar que NÃO se deve deixar um “cachorro louco”, sem qualquer saída o que representa um risco, exatamente porque o Bolso não mensura seus atos pela mesma régua dos outros participantes do jogo social.
    Bolsonaro tem desde o início do governo dois planos para seu projeto político: o eleitoral e o do golpe institucional. Sua estratégia é manter-se nos dois planos, porém, quanto mais perde a perspectiva de manter-se no poder, mais ele mobiliza seus aliados em prol de alguma saída em defesa do bolsonarismo contra o sistema político e econômico que o persegue, como repetem suas redes sociais.
    As pesquisas de opinião têm mostrado, por ora, que uma parte dos eleitores do país, que vai de 15% a 25%, acredita fortemente no presidente, comungando de sua visão de mundo ressentida frente à contemporaneidade e disposta a defender sua liderança máxima. Em que ponto dessa escala matemática de apoio Bolsonaro estará em 2022.
    Há no bolsonarismo um forte sentimento moralista, anticientífico e passadista, de saudade de um mundo comandado pela família patriarcal dos colonizadores, com toda a liberdade para empreenderem, como os bandeirantes. Do ponto de vista econômico, o que importa é ter renda para os grupos apoiadores, não importa o método de ação, liberal ou intervencionista, contanto que garanta, por exemplo, um preço menor do diesel para os caminhoneiros.
    Haverá concessões aos aliados de ocasião, como ao Centrão, e recursos distribuídos de helicóptero aos mais pobres, mas não se espere um ideário centrado no combate à desigualdade e no desenvolvimento de políticas públicas. Os bolsonaristas não gostam do SUS, das escolas e universidades, do Ibama e todas as instituições públicas que reduziram a barbárie brasileira nos últimos 30 anos. Mas o mais preocupante para a sociedade brasileira é a verdadeira agenda que Bolsonaro defende e que pretende levar adiante nos próximos anos. Se seguirmos essa pauta, comemoramos a Independência no ano que vem sem um projeto de futuro para o país. Fernando Abrucio, valor, 4/9/21.
    FORA BOLSONARO E PARLAMENTARISMO, JÁ! A SAÍDA É O AEROPORTO OU A DERROTA DA BOZOCRÁCIA, JÁ!
    CARDOSO, FERNANDO HENRIQUE. DIÁRIOS DA PRESIDÊNCIA 2001-2002 (VOL 4). FERNANDO HENRIQUE CARDOSO. 1ª Ed.Ed: CIA DAS LETRAS, 2019.
    SENADO FEDERAL: SECRETARIA ESPECIAL DE EDITORAÇÃO E PUBLICAÇÕES; DISTRITO FEDERAL, 1998. DISCURSOS E PRONUNCIAMENTOS NO PENÁRIO DO SENADO FEDERAL. DE Fev a Dez, 1997. Senador Lauro Campos. Despotismo Esclarecido e Acumulação.
    CHÂTELET, Frações. História das Ideias Politicas. François Châtelet, Olivier Duhamel, Évelyne Pisier-kouscher: – 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 2009.
    TROTSKY, Leon. STÁLIN: Rumo ao Poder. der, vol II. Ed Ched Editorial.
    SCHWARTZENBERG, Roger_Gérard. O Estado Espetáculo,1978. P
    CHÂTELET, 2009.

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    Publicado por Carlos Sergio | 23 de setembro de 2021, 21:57

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