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Economia, Garimpo, Minério

O caos mineral

O transporte ilegal de madeira (e de madeira ilegalmente extraída da devastada floresta) pelas estradas da Amazônia se tornou rotineira. Vem de muitos anos e é mantida até hoje. Apesar da maior fiscalização, s expansão é em escala crescente. O roubo de madeira persiste, mas há nova mercadoria em tráfego clandestino pela região: o minério.

O transporte de ouro é mais difícil de descobrir por seu pequeno volume e peso. Mas agora enormes carretas transportam minério de ferro e manganês (talvez também cobre e níquel), em especial pelas rodovias do Pará, hoje o maior produtor nacional de minério.

Circulam não por ramais e vicinais, mas pelas grandes estradas, com um destino principal: o porto de Vila do Conde, o mais movimentado e importante do Estado, a 50 quilômetros de Belém, local de embarque de alumínio, alumina, bauxita, caulim e outros produtos destinados ao mercado internacional, como soja, carne e boi em pé.

Por seu tamanho, as carretas são visíveis e ainda atraem a atenção por onde passam. Mas continuam a passar, mesmo com seguidas apreensões. O que leva a imaginar que as retenções atingem apenas uma parte do roubo, que é de de bem do patrimônio público federal (já que a União é dona do subsolo). Estão se tornando comuns demais porque à mineração organizada, empresarial, se acrescenta a mineração clandestina, às vezes disfarçada de “lavra garimpeira”.

Na semana passada a Polícia Rodoviária Federal apreendeu em Marabá três carretas de grande porte. Cada uma delas tem capacidade autorizada para 40 toneladas. Segundo a PRF, cada carreta levava aproximadamente 90 toneladas. Onde deveriam caber 125 toneladas, havia 259 toneladas de manganês.

Com seu canal profundo, o porto de Vila do Conde pode receber navios de até 55 mil toneladas. Admitindo-se que o transporte viável para manganês por embarque requeira o armazenamento de 15 mil toneladas de carga, para que esse valor seja alcançado seria preciso fazer 170 viagens em carreta de 40 toneladas, a capacidade legal, ou 400, no caso do excesso de carga, de 90 toneladas por caminhão.

A atividade legal de manganês, praticada por exportadores autorizados, já demanda centenas de caminhões para embarque em Vila do Conde de minério destinado à exportação. Pela ferrovia de Carajás, até o porto de São Luís do Maranhão, segue a produção da Vale, dona da linha.

O congestionamento acarreta, além de burla à lei e prejuízos ao poder público, o desgaste rápido do leito das estradas e o agravamento do risco de acidentes, exatamente pelas condições insatisfatórias da pista de circulação. Além dos efeitos sociais da clandestinidade, que se associa á marginalidade e ao crime.

Provavelmente ninguém, pouco tempo atrás, imaginaria uma situação dessas na Amazônia, transformada num alvo de pilhagem e pirataria a céu aberto.

Discussão

Um comentário sobre “O caos mineral

  1. Estudantes da Escola Dr. Freitas fazem manifestação nas ruas do Umarizal denunciando caso de assédio sexual sofrido pela menor “G.A” durante aula de matemática do professor “Reginaldo”. Durante o protesto cobraram um desagravo oficial por parte da SEDUC, embora estejam pessimistas, porque segundo dizem, o mau professor já seria reincidente e até o momento não sofreu nenhuma punição da administração estadual, porque teria “costa quente”.

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    Publicado por J.Jorge | 28 de setembro de 2021, 10:44

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