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Hydro: 10 anos depois

A implantação de um polo de alumínio no Pará foi uma decisão de governos federais, do Brasil e do Japão, O Pará entrou no arranjo om suas riquezas naturais e seu espaço territorial – e nada mais.

O interesse do Japão era óbvio: por causa do súbito e forte aumento do preço do petróleo, teve que desativar suas indústrias do bem industrial que mais consome energia, o alumínio. Mas os japoneses não queriam ir além do metal primário. A transformação do lingote teria que ser em seu próprio território.

O Brasil aceitou essa limitação. A justificativa era de que só assim uma indústria de ponta viria para o Pará. Mas foi muito além disso. Dispensou o Japão se responder por um terço do custo da hidrelétrica de Tucuruí e ainda estabeleceu uma tarifa subsidiada para a Albras.

Em 20 anos, prazo do contrato, o subsídio correspondeu ao custo de uma fábrica nova. O governo brasileiro ainda se responsabilizou pela vila industrial (dos Cabanos) e pelo porto de Vila do Conde. A Albras teve que pagar pesados juros pelo financiamento do Eximbank japonês para a primeira etapa do projeto.

Esse modelo se manteve por 27 anos até que, em 2011, a Vale passou o polo inteiro (bauxita, alumina e alumínio) para a norueguesa Hydro. Dez anos depois, como tenta mostrar as respostas que a empresa deu a um questionário que lhe enviei por e-mail, a Albras expandiu a interação com consumidores internos do lingote e até criou um produto novo, pequeno avanço na escala de transformação industrial possível.

Em Barcarena, a empresa argentina Alubar transforma o alumínio primário em fios e cabos elétricos. As 50 mil toneladas que utiliza correspondem a pouco mais de 10% da produção da Albras. A Hydro diz que 70% vão para duas indústrias de extrusão em São Paulo, que adquiriu depois de assumir a Albras. Não disse por quando as duas fábricas paulistas compram o lingote e quanto cobram pelo produto beneficiado.

As respostas deixam muito claro que a verticalização do alumínio não é tarefa da Albras. É tarefa do governo. Se ele atrair novas indústrias, a Hydro declara que garantirá o seu fornecimento. Mais do que isso, só se uma análise de mercado indicar que o negócio é viável. E assim se passaram quatro décadas.

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Por que ao menos parte dessa variedade (de produtos de alumínio) não é produzida no Pará?

Quando a Hydro comprou os ativos de alumínio no Pará em 2011, a Alunorte, a Mineração Paragominas e a Albras já tinham operações definidas na região. A empresa, desde então, tem investido fortemente na operação e em melhorias operacionais com foco no atendimento aos requisitos de sustentabilidade, melhorias de processo e estabilidade de produção. Qualquer mudança no portfólio das empresas, bem como ampliação da presença na região, depende de nova decisão de investimentos, que passa por uma combinação de fatores, entre eles: demanda do mercado, viabilidade econômica, competitividade da indústria, sustentabilidade dessas operações, condições de instalação, entre outros aspectos.

 Por que aqui só se fabrica o metal básico?

A vocação da Albras é a produção de alumínio primário, porém esta indústria serve como base para outras indústrias que venham a se instalar no Pará. Como é o caso da Alubar, que até 2020 vem recebendo anualmente o volume de 50.000 toneladas de alumínio líquido da Albras para produção de cabos de alumínio.

No ano de 2019, a Albras fez investimentos na sua planta para diversificar o seu portfólio de produtos, produzindo também PFA (lingote com liga de silício) e tem se destacado no Brasil nessa produção. Esse tipo de liga é utilizado em larga escala pela indústria automotiva. Dentre as funcionalidades da PFA, ela pode ser usada na fabricação das rodas de liga leve de alumínio e de pistão para motores de automóveis, que é um cilindro sólido de metal, chamado de “coração” do motor de combustão interna. Mais informações sobre esta nova liga podem ser encontradas neste link: https://www.hydro.com/pt-BR/imprensa/noticias/2021/inovacao-permite-ampliacao-de-portfolio-e-producao-da-albras/

Da mesma forma que está entregando produtos para a Alubar e outras empresas no Brasil, a Albras poderá fornecer para indústrias que se instalem no Pará.

Quantas variedades são produzidas a partir da saída da matéria prima do Estado? Em quantos outros países? Quem as produz? Onde as produz?

Em 2020, a Mineração Paragominas produziu 8,640 milhões de toneladas de bauxita direcionadas à Alunorte. A refinaria produziu cerca de 5 milhões de toneladas de alumina e aproximadamente 15% deste volume foi comercializado no mercado interno.

A Albras e a Hydro fornecem produtos para diversas indústrias no Brasil e no exterior. Cerca de 70% da produção da Albras é destinada ao mercado doméstico, incluindo as unidades de Extrusão da Hydro no Brasil, localizadas em Itu e Utinga, em São Paulo, adquiridas pela empresa em 2018. Estas duas unidades de extrusão são especializadas na fabricação de perfis de alumínio, tubos de alta precisão e com múltiplas cavidades, além de perfis gerais para o mercado industrial. O alumínio é um material extremamente versátil e maleável com uma infinidade de aplicações nas indústrias de construção civil, automobilística, de eletrônicos, de embalagens, transmissão e distribuição de energia, entre outras.

Quais os preços de venda de cada uma dessas mercadorias manufaturadas?

Os preços de venda são negociados em contrato com os clientes da empresa, de forma confidencial.

Quantas são realizadas pela própria Hydro?

A Hydro está presente em 40 países e atende 30 mil clientes em mais de 10 tipos diferentes de indústrias. Os produtos comercializados pela empresa fazem parte de um portfólio padrão de produtos, como perfis de alumínio, por exemplo, mas também podem ser customizados de acordo com as necessidades dos clientes e demanda do mercado.

Discussão

Um comentário sobre “Hydro: 10 anos depois

  1. acorda Pará

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    Publicado por valdemiro | 1 de outubro de 2021, 18:16

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