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Imprensa, Política

Brasil, construtor de ruínas

Brasil, construtor de ruínas – Um olhar sobre o país, de Lula a Bolsonaro, de Eliane Brum, recebeu o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria livro-reportagem. Reproduzo trecho do livro liberado pela editora, apenas ajustando os parágrafos para facilitar a leitura.

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Brasil, eterno país do futuro, no final da primeira década do século 21 acreditou que finalmente havia chegado ao presente. E então descobriu-se atolado no passado. Naquele momento, porém, não sabia de quanto passado se tratava. Agora começa a compreender. O que faz o país do futuro quando percebe que o futuro é um enorme passado?

Se fosse uma moeda, o Brasil das primeiras duas décadas deste século teria duas faces. Cara e cara. Uma é a de Luiz Inácio Lula da Silva, o maior líder popular da história recente. A outra é a de Jair Messias Bolsonaro, eleito presidente em outubro de 2018, com uma parte da sociedade chamando-o de “mito”, a outra de “coiso”.

Lula e Bolsonaro marcaram a disputa mais polarizada desde a redemocratização do Brasil como duas faces opostas. A polarização, porém, pode encobrir pontos de contato e mesmo falsear realidades. As perguntas que me movem neste ensaio percorrem também as subjetividades que como repórter aprendi a escutar.

O texto mais duro que escrevi sobre o Brasil não nasceu da realidade vivida enquanto escrevo este livro, esta que devasta uma parcela significativa da sociedade brasileira que se opôs ao projeto autoritário encarnado por Bolsonaro. Em dezembro de 2015, ainda no governo de Dilma Rousseff, mas com a presidenta já ameaçada pelo impeachment, escrevi na minha coluna de opinião no El País:

“Talvez tenha chegado a hora de superar a esperança. Autorizar-se à desesperança ou pelo menos não linchar quem a ela se autoriza. Quero afirmar aqui que, para enfrentar o desafio de construir um projeto político para o país, a esperança não é tão importante. Acho mesmo que é supervalorizada. Talvez tenha chegado o momento de compreender que, diante de tal conjuntura, é preciso fazer o muito mais difícil: criar/ lutar mesmo sem esperança. Teremos que enfrentar os conflitos mesmo quando sabemos que vamos perder. Ou lutar mesmo quando já está perdido. Fazer sem acreditar. Fazer como imperativo ético.”

Naquele momento, se alguém afirmasse que Jair Bolsonaro seria o próximo presidente do Brasil, só encontraria incredulidade. Talvez fosse até mesmo tratado como um idiota que não compreende o país onde vive. Um personagem do chamado “baixo clero” do Congresso, encarado por parte da sociedade como um bufão, não parecia ter a menor chance de se eleger para o posto máximo do Brasil. Mesmo a concretização do impeachment parecia algo surpreendente. O que me levara a fazer uma afirmação em defesa da superação da esperança não era nem o niilismo nem o ceticismo. Bem ao contrário. Eu afirmava a necessidade de abrir mão da esperança, conceito tão manipulado nas últimas décadas, por diferentes forças, em nome exatamente da necessidade de seguir em movimento, para mim o ato mais vital.

Depois de ter passado os últimos anos testemunhando o processo de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte pelos governos do PT e do PMDB (hoje MDB), no rio Xingu, na floresta amazônica, o desafio que se apresentava era como não paralisar diante do abismo que ali se desenhou. Não uma obra, mas uma engenharia da destruição. Não uma obra, mas um país. Belo Monte é a materialização de uma perversão: como um projeto autoritário pode ser imposto na democracia, a partir de uma coalizão de interesses e de omissões interessadas. Ou como o crime pode acontecer dentro da lei.

Quando a lucidez nos ameaça, temos duas escolhas: ou nos deixamos cegar, para suportar, ou buscamos criar algo que não existe. Senti claramente que era preciso tirar a esperança da equação da vida, porque ela havia se tornado um luxo ao qual muitos de nós não teria mais acesso. Mas como viver sem esperar por algo melhor? Volto a isso mais tarde. Uma esquina entre identidade e destino

Primeiro, quero revisitar algumas cenas do Brasil, um país que é também um grande produtor de imagens. Durante seus dois mandatos (2003-2006 e 2007-2010), Luiz Inácio Lula da Silva não foi apenas um conciliador no campo ideológico. Ele se provou um conciliador de imaginários tanto na produção de um país como na produção do seu próprio mito. É ele, com todas as suas contradições, que ilumina o momento atual também para além do Brasil.

É preciso voltar ao ano de 2009, ao instante em que o Brasil foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016. As imagens e o discurso de Lula foram transmitidos pelas TVs do país. Apresentadores da Globo, o maior grupo de comunicação do Brasil e um dos maiores do mundo, que desempenhou um papel decisivo tanto no golpe de 1964, que instalou uma ditadura militar de 21 anos, quanto no impeachment de Dilma Rousseff, emocionavam-se nas telas e telões com a fala de Lula. Nas areias de Copacabana, no Rio de Janeiro, uma multidão comemorava.

Lula diz para as câmeras de TV: “O povo é bom, o povo é generoso. Acho que o Brasil merece. Aqueles que pensam que o Brasil não tem condições vão se surpreender. Os mesmos que pensavam que nós não tínhamos condições de governar esse país vão se surpreender com a capacidade do país de fazer uma Olimpíada. […] A gente tava com a alma, com o coração. […] Esse país precisa ter uma chance. Não é possível que esse país não tenha, no século 21, a chance que não tivemos no século 20. […] Eu não vou estar na presidência, mas estarei como cidadão brasileiro, colocando minha alma, o meu coração, pra que a gente faça o que tem de melhor nesse país. Tem de comemorar porque o Brasil saiu do patamar de um país de segunda classe e se tornou um país de primeira classe.”

Lula agradece a várias pessoas. Uma voz sussurra perto do seu ouvido: “Michel”. Lula ignora e segue falando. A voz repete, um pouco mais alto: “Michel Temer”. Lula é obrigado a citar: “Ao Temer que está aqui”. A cabeça do então presidente da Câmara dos Deputados descola-se por um momento das costas de Lula, onde ele havia estrategicamente se posicionado. Temer havia sido reeleito deputado federal em 2006. Com menos de cem mil votos, sua soma individual era insuficiente para garantir mais um mandato. Ele só entrou devido ao quociente eleitoral, reeleição garantida pelo total de votos dados ao seu partido, o PMDB.

Em 2009, conseguiu se tornar, com o apoio de Lula, presidente da Câmara dos Deputados pela segunda vez. Mais tarde, se tornaria o vice de Dilma Rousseff e, finalmente, um dos articuladores do impeachment da presidenta, o que o alçou ao posto máximo do país. Michel Temer seguirá até o final desta cena, a da comemoração da escolha do Brasil para sediar as Olimpíadas, colado nas costas de Lula. Toda vez que Lula procura alguém ao redor para agradecer, depara-se com Temer. O que significa que as câmeras de TV também se deparam com Temer. Mas Lula não faz mais nenhuma menção a ele. E a câmera volta a fechar no presidente mais popular da história do Brasil desde Getúlio Vargas (1882-1954).

Um repórter pergunta sobre a “decantada” beleza do Rio. E Lula responde: “Eu acho que a alma do nosso povo, o olhar do nosso povo, o calor do nosso povo, o gingado do nosso povo, a cor do nosso povo, o sorriso do nosso povo é imbatível. Acho que finalmente o mundo reconheceu: é a hora e a vez do Brasil. […] Ninguém agora tem mais dúvida da grandeza econômica do Brasil, da grandeza social, da capacidade nossa de apresentar um programa. […] Inclusive o Banco Mundial já disse que o Brasil será, em 2016, a quinta economia do mundo.”

Quando as Olimpíadas de 2016 se realizaram, Lula tinha sido anunciado como réu por supostamente tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Dilma Rousseff, a sucessora que ele conseguira eleger por duas vezes, estava afastada pelo impeachment. E o carrapato colado nas costas de Lula tinha se tornado o presidente do país. Alcançou o posto porque o PT fez dele o seu vice, na aliança com o PMDB e algumas das mais tóxicas e persistentes oligarquias políticas e econômicas do país, e por força de um impeachment sem consistência.

Foi Temer, que logo se tornaria o presidente mais impopular desde a redemocratização do país, quem abriu os jogos olímpicos. Foi vaiado nas Olimpíadas de 2016, como antes Dilma Rousseff havia sido na Copa do Mundo de 2014. As Olimpíadas, assim como a Copa, foram momentos planejados por Lula para que o Brasil finalmente alcançasse a síntese entre identidade e destino. Não é um acaso que, para marcar essa inflexão histórica, tenham sido escolhidos dois eventos de exibição para o mundo. O discurso de Lula em 2009 é explícito.

Ele junta todos os estereótipos associados ao que se chama de “povo brasileiro” — o povo bom, o povo generoso, o povo que tem coração, o povo que tem gingado, o povo que tem alma — e os lança como o diferencial que levou o país a uma vitória em outro campo, o da política e da economia. O Brasil teria alcançado um lugar entre os grandes — ou “a primeira classe” — com este povo. Não apesar dele, como tantas vezes foi afirmado por diferentes elites em diferentes espaços, mas por causa dele. E com Lula na liderança, um homem de fato “do povo”.

Temos aqui uma fusão inédita das imagens do representante e do representado. O Brasil teria sido escolhido como sede das Olimpíadas por causa do “coração” e da “alma”. O brasileiro cordial de Lula, vale ressaltar, não é o mesmo de Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982). Não há nada de banal nessa construção. A escolha de eventos para o mundo ver é também a de se olhar com a medida do outro. E não qualquer outro, mas um outro de “primeira classe”.

Naquele momento, a ascensão de cerca de 29 milhões de brasileiros no fenômeno que se chamou de “nova classe média”, ocorrida entre 2003 e 2009, é uma inclusão marcada pelo acesso a mercadorias. A “TV de tela plana”, que um dia serviria também para assistir à Copa e às Olimpíadas, tornou-se o símbolo de ascensão social da “classe C”. Nessa escolha, há algo que deve ser assinalado. Lula é o novo, sim, na medida em que “nunca antes na história deste país”, como ele gostava de repetir, um operário, alguém com a sua origem social, havia se tornado presidente. Para um país desigual e racista como o Brasil, é uma enormidade.

Levará talvez muitas décadas para se dimensionar o que significa um homem de uma classe social que durante toda a história da República frequentara apenas as periferias do poder finalmente alcançar o centro. Já é possível afirmar, entretanto, que esse deslocamento moveu placas tectônicas. O impacto nas subjetividades, e isso em todas as classes sociais, é determinante na costura dos dias. Como o historiador Nicolau Sevcenko (1952-2014) afirmou uma vez, em outro contexto, há coisas que não devemos nos perguntar o que farão por nós, elas já 18 fizeram.

Este é o caso da eleição de um trabalhador braçal para a presidência do país. Essa marca jamais pode ser esquecida, tanto por justiça histórica como pelo seu impacto nos acontecimentos que se seguiram. A mudança que Lula propõe como governante, porém, é a inclusão no mundo como ele está dado, não a confrontação da ordem do mundo. Essa proposta está muito longe da construção de um modelo próprio para o Brasil a partir das experiências de diversidade de um país marcado pela pluralidade — Brasis —, como foi a proposta de movimentos culturais ao longo da história e também o sonho de parte dos intelectuais que apoiaram o PT em seu início.

A ressonância internacional de Lula, que se tornou pop no mundo da “primeira classe”, se deveu à mágica de reduzir a pobreza sem tocar na renda dos mais ricos. Os ricos ficaram ainda mais ricos, os bancos tiveram lucros recordes (alcançando R$ 280 bilhões nos oito anos de mandato), fato de que Lula não se cansava de se orgulhar. E mais gente passou a fazer três refeições por dia, o que não é um dado qualquer num país como o Brasil, muito menos numa vida humana. Entre 2002 e 2010, 24 milhões de pessoas passaram a ter TV, 31,6 milhões tiveram acesso a geladeira e outras 31,5 milhões instalaram uma máquina de lavar roupa.

No final do governo Lula, segundo o instituto Data Popular, a classe C era a maior consumidora de eletrodomésticos e eletrônicos do país, com 45% dos gastos, contra 37% dos mais ricos (classes A e B). Como o mundo regido pelo capital não ficaria encantado por um presidente que tornava os ricos mais ricos e os pobres menos pobres sem precisar redistribuir a riqueza nem ameaçar privilégios de classe? Que propaganda poderia ser maior para a democracia, como um sistema capaz de garantir mobilidade e justiça social, num momento em que os sinais da crise global das democracias já eram evidentes?

O problema é que mágica, como sabemos, não existe. O mágico jamais pode acreditar no próprio truque nem esquecer que a ilusão da plateia dura o tempo do espetáculo. A mágica de Lula só era possível devido ao aumento da exportação de matérias-primas, e movida especialmente pelo crescimento acelerado da China. A mágica tinha também um custo, e ele era alto: o custo-natureza. Para produzir as matérias-primas que eram exportadas, avançou-se ainda mais sobre os biomas naturais. Arrancou-se da floresta a ampliação da área de soja, da pecuária e da mineração, assim como a geração de energia para alimentar essa produção, com a construção de pelo menos três grandes hidrelétricas na Amazônia, com efeitos devastadores sobre o meio ambiente e os povos da floresta.*

A relação comercial do Brasil com a China é marcada pela reprimarização da economia, palavra feia usada para explicar que o país volta a focar na exportação de matérias-primas e na importação de produtos de valor agregado. Para parte de seus críticos, o Brasil de Lula é um país que retorna a uma economia de colônia. Essa não é uma discussão simples, nem imune a controvérsias. O custo-natureza dessa operação, porém, é evidente e muito menos mencionado no debate político e econômico. Como esse debate é travado no centro-sul do país, o tema da destruição da Amazônia é subalterno ou mesmo inexistente.

O colapso climático provocado por ação humana, o maior desafio de toda a trajetória de nossa espécie no planeta Terra, deveria atravessar todos os debates e mesmo determiná-los. Mas, tanto à esquerda quanto à direita, a ignorância sobre suas implicações é desesperadora. Lula não é o único protagonista do Brasil do século 21 que ignora a emergência climática em suas escolhas. A maioria o faz. Esta é parte da tragédia não só para o Brasil, e sim para o mundo, já que o país abriga 60% da maior floresta tropical do planeta, estratégica para conter o superaquecimento global. *

Entre 2000 e 2010, as exportações do Brasil para a China se elevaram de US$ 1,1 bilhão (2% das exportações brasileiras) para US$ 30,8 bilhões (15% do total). No mesmo período, as importações brasileiras da China cresceram de US$ 1,2 bilhão (2% do total) para US$ 25,6 bilhões (14% do total). A análise, de autoria de três técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) — Luciana Acioly, Eduardo Costa Pinto e Marcos Antonio Macedo Cintra —, foi publicada no livro

A China na nova configuração global: impactos político-econômicos. Em 2014, o mercado chinês passou a absorver quase um quarto do total exportado pelo Brasil. Em 2018, a China foi o destino de 26,7% das exportações brasileiras. O estudo do Ipea mostra que, em 2000, cerca de 50% do total das exportações brasileiras eram de produtos primários e de manufaturas intensivas em recursos naturais, enquanto os produtos com incorporação de tecnologia representavam 41%.

Em 2009, os produtos ligados mais diretamente ao setor primário (agricultura, minérios e energia) já respondiam por quase dois terços das exportações brasileiras, enquanto os produtos de alta, média e baixa tecnologia responderam conjuntamente por 32,7%. Ao longo de dez anos, para cada dólar que o Brasil recebeu de suas exportações para a China, US$ 0,87 vieram de produtos primários e de manufaturas intensivas em recursos naturais, US$ 0,07 dos produtos de média intensidade tecnológica e apenas US$ 0,02 dos produtos de alta tecnologia.

Discussão

3 comentários sobre “Brasil, construtor de ruínas

  1. Pertenço a uma geração que, enquanto era criança, os pais ouviram o mercador de ilusões (já sabem quem é) falar que “a esperança venceu o medo” (eu tinha entre um e dois anos quando isso aconteceu). Pois é. Essa geração de jovens chegou a 2021 sem esperança, com medo e recebendo a conta da crise econômica, dos escândalos de corrupção, da Lava Jato, da criminalidade, da violência, da destruição climática, da fuga de cérebros, dos cortes na ciência, da vergonha internacional e do negacionismo da Covid por parte do Inominável no poder (muitos ficaram órfãos). É por esses e outros motivos que a maioria dos jovens, segundo pesquisas, quer ir embora do Brasil. Aliás, a maioria dos jovens, ao contrário de seus pais e avós, que achavam que o Brasil era o país do futuro, não enxergam mais perspectivas de desenvolvimento e crescimento nesse país. Justamente aquilo que deveria a salvação da nossa pátria.

    Enquanto isso, o cenário econômico do nosso país é desemprego e fome. Ouço falar que têm mães roubando macarrão instantâneo pra alimentar os filhos e supermercados instalando alarmes em carnes. Não dá pra achar que isso está normal… Comida no Brasil virou artigo de luxo! Quer coisa pior do que isso? A Renda média dos trabalhadores é a menor em 4 anos: mais um péssimo recorde do DESgoverno Bolsonaro. Para aqueles que dizem que a economia está decolando, bombando ou algo do tipo, eu digo: só se for igual rabo de cavalo, ou seja, para baixo. Estamos virando o pior exemplo da América Latina em termos de desenvolvimento econômico e pobreza.

    Quer mais? a inflação no Brasil deve fechar o ano mais alta do que a de 83% dos países, mostra levantamento da FGV . Será pura incompetência? Enquanto o povo sofre para comprar gás e para cozinhar osso, há quem lucre com o dólar em alta.

    E a gasolina subiu DE NOVO! E DE NOVO o Jaguara vai tentar jogar a culpa de sua irresponsabilidade nos outros.A política econômica do DESgoverno do Guaramputa beneficia poucos às custas do sofrimento do povo.

    Mas a inconsequência de MiJair BolsoCARO desconhece limites. Sua reeleição é o fim que justifica todos os meios, inclusive o desastre econômico-financeiro do país com mais fome, miséria, desemprego, desvalorização do Real
    A inconsequência de Bolsonaro desconhece limites. Sua reeleição é o fim que justifica todos os meios, inclusive o desastre econômico-financeiro do país com mais fome, miséria, desemprego e inflação. Apertemos os cintos porque o piloto (ou arremedo disso) só vê reeleição no radar. Agora só falta o Guedes imitar o governo chavista de Maduro na Venezuela, ou seja, mandando imprimir mais dinheiro para bancar o programa eleitoreiro do seu chefe e desvalorizar ainda mais a nossa moeda, a ponto dela ficar que nem o Bolívar: valendo menos que um papel higiênico. Alíás, nosso país já viveu inflação igual da Venezuela nos anos 80, e para piorar as coisas se imprimia mais dinheiro também.

    Cá entre nós: pagar 70 reais no quilo de carne, 100 reais no gás, 8 reais na gasolina, e ainda dizer que o país tá “melhorando”, é ser idiota demais.

    Estamos vivendo a maior tragédia humanitária da história desse país. Parece que o Brasil é um caso para a Cruz Vermelha Internacional. De novo eu pergunto: vamos continuar assim eternamente, ou vamos fazer que nem a Alemanha e Japão depois da Segunda Guerra Mundial, ou seja, se reerguer das cinzas, como o pássaro fênix? Uma coisa é certa: vamos levar anos para se recuperar do desastre que estamos vivendo.

    E segue abaixo um vídeo recente o qual o mostra o quanto o Brasil falhou e faliu como Estado e sociedade:

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    Publicado por igor | 21 de outubro de 2021, 17:57
  2. Vale a pena ler a análise de Eliane Brum. Como não poderia deixar de ser, não mata a charada (ninguém pode ter essa pretensão), mas joga um poderoso facho de luz sobre uma série de questões cujo enfrentamento será fundamental para o futuro próximo do país.

    Uma dessas questões é a chamada “terceira via”, que vem a ser o velho e remelento papo de sempre, do “acordão por cima”. O pacto das elites, que evita o “radicalismo”, o “confronto”, etc., em busca da prosperidade com a paz e a união de todos. Isso nada mais é do que a expressão viva do discurso de Lula em 2009. A volta do “brasileiro cordial” do Lula, agora fantasiado de anti-Lula. Um monstro fétido, feito com matéria orgânica em decomposição, coberto com fantasia vagabunda, que usa e abusa de plumas, paetês e purpurina.

    Primeiro se clama em altos brados pelo “acordão por cima” (que, hoje, atende pela alcunha de “terceira via”), para que o caneco não exploda. Depois, finge-se indignação moral, atribuindo-se ao “acordão por cima” a culpa e a causa das nossas desgraças. Esse filme já passou no Brasil, e todos sabem como termina: a gente morre, no fim…

    Como a “terceira via” até agora não deu o ar de sua desgraça, novamente o Lula aparece, reivindicando, com justa razão, a autoria da tese do “novo homem cordial” (que, conforme destaca Eliane Brum, difere — e muito! — do homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda), como também para reafirmar que ele, Lula, é o principal e mais autêntico e credenciado representante desse e líder do novo homem cordial. Ou seja, no frigir dos ovos, Lula é, a um só tempo, a segunda e a terceira via.

    Então, tá…

    Até aqui as pesquisas indicam que o Brasil vai embarcar nesse lance. E isso já resolve parte do problema futuro. Mais à frente, não será necessário cruzar cabra com periscópio, pra tirar bode expiatório. Este já está, desde já, à disposição dos donos da verdade de ontem, hoje e sempre: a culpa será de Lula e do PT! Em duas palavras: do “lulopetismo”! Simples e completo, né?

    E, assim, de engano em engano, lá vai o Brasil, descendo a ladeira, aproveitando, mais uma vez, uma oportunidade de perder uma oportunidade… com cada um dos bem-pensantes de ontem, hoje e sempre, dizendo em alto e bom som que, tal como ontem, hoje e sempre, eles não têm nada a ver com o peixe…

    Então, tá…

    É demência achar que será possível fazer com que os ricos brasileiros fiquem cada vez mais ricos, pornograficamente mais ricos, como têm ficado, e, ao mesmo tempo, arrancar da miséria a multidão de deserdados do Pindorama. Inclusão social sem mexer na matriz de repartição do PIB. Isso jamais aconteceu, e jamais acontecerá, porque, como também lembra Eliane Brum, mágica não existe.

    Será possível, no máximo, criar uma ilusão rentista, que terá a graça, a elegância, a duração e o alcance de um voo de galinha. Pior, ainda, será financiar essa ilusão rentista com uma estratégia econômica baseada na exportação de matérias primas, ou seja, usar os recursos naturais brasileiros, pra gerar emprego e riqueza em outros países.

    Será apenas um porre! Logo em seguida virá a ressaca… como agora. E o culpado, vocês já sabem…

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    Publicado por Elias | 22 de outubro de 2021, 00:48
  3. “Fazer sem acreditar”… Que absurdo! Ainda quer justificar com “imperativo ético”… É cego guiando… cego. Um dia vamos ter que criar coragem e rever os dogmas políticos que nos empurraram nessa sinuca. Tem um ditado indígena que revela o fim dessa novela burra – quando seu cavalo morrer, desmonte.

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    Publicado por Paulo | 23 de outubro de 2021, 02:16

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