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Agronegócio, Desmatamento, Ecologia, Economia, Floresta, Governo, Madeira, Pecuária, Queimadas

Interrogações

O decreto assinado pelo governador Helder Barbalho, publicado hoje no Diário Oficial do Estado, instituiu a “Estratégia Estadual de Bioeconomia do Pará” e reconheceu o “Grupo de Trabalho Interinstitucional para Estratégia Estadual de Bioeconomia”. Nele, foi publicado um estudo sobre o setor, que passa a ser prioridade do governo.

Em certo trecho, diz o documento (com grifos meus):

“Os produtos do agronegócio exportados pelo Pará, constituem aos produtos clássicos do agronegócio brasileiro, com 32,65% de participação da soja e seus derivados, 26,34% do mercado de carnes (frango, bovina e suína) e somam-se a estes os produtos florestais. Segundo os dados de exportação do Ministério da Economia, no primeiro quadrimestre de 2020, as exportações paraenses do agronegócio somaram US$ 526,26 milhões”.

E complementa em seguida:

“Dentre os produtos do agronegócio estão incluídos de forma muito rele-

vante, os produtos florestais (produtos florestais não especificados, animais vivos e pescado) que participam deste faturamento com 31%. Essa percentagem é próxima a participação da soja e de seus derivados (grãos,

farelos e óleos)”.

O primeiro parágrafo não quantifica a participação dos “produtos florestais” (assim tratados, genericamente) na pauta de exportação do agronegócio, como faz com a soja e a carne, que, em conjunto, somam quase 60% do total.

Já no segundo parágrafo, a participação dos “produtos florestais” é quantificada, em 31%. Estranhamente, porém, os produtos florestais são classificados como “não especificados” e a eles se agregam “animais vivos e pescados”. Até inédita prova em contrário, eles não são produtos florestais.

Qual a razão das duas anomalias? Evitar que fique evidente a predominância de produtos que se originam na Amazônia de desmatamento e queimada? Não admitir que madeira sólida é o produto florestal predominante, que também se associa à devastação da região? Esconder que os produtos florestais não madeireiros ainda representam pouco na pauta do agronegócio?

Não é um bom começo para um governo que quer apoiar atividades menos agressivas à natureza, mais harmonizadas ao meio ambiente. Parece que, mais uma vez, o discurso vai prevalecer sobre a realidade e distorcê-la. Apesar de ser discurso bonito.

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