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Borracha, Ciência, Ecologia

Arquivo – Seringueira resistente à praga

Depois de 20 anos de pesquisa, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária criou uma seringueira resistente ao mal-das-folhas, doença provocada pelo fungo Microcyclus ulei, responsável pela inviabilização da produção de látex em escala comercial na Amazônia. Os estudos chegaram a uma planta tricomposta, que garantia alta produtividade, precocidade e resistência ao fungo.

Os experimentos, instalados na Embrapa Acre, se estendiam por sete hectares, em 2004, e continuavam produtivos, permitindo a extração média de 800 quilos de látex por mês, com receita em torno de 1,6 mil reais por mês. A tecnologia do cultivo de seringueiras tricompostas possibilitou às comunidades extrativistas a opção de enriquecer as antigas estradas de seringa ou implementar o cultivo em sistemas agroflorestais.

Um exemplo do novo sistema de cultivo era o Seringal Porvir, localizado na Reserva Extrativista Chico Mendes, onde alguns produtores desenvolveram consórcio de seringueiras com banana, café e faveira. As seringueiras completavam então três anos de cultivo, necessitando de mais quatro para começar a produzir látex. Enquanto isso, outras culturas garantiriam a renda do produtor. A seringueira nativa leva pelo menos 20 anos para começar a produzir.

O clima quente e úmido da Amazônia propicia a proliferação do fungo, que provoca o mal-das-folhas, doença que não ocorre no Sudeste e Centro-Oeste do país. Estimava-se na época que em São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e Bahia seriam cultivados nos anos seguintes cerca de 3 milhões de seringueiras, atendendo a grande demanda do mercado por borracha natural.

Em 2003, o Brasil produziu 95,5 mil toneladas de borracha seca, o equivalente a 1% da produção mundial, das quais apenas 3 mil toneladas eram originárias de seringais nativos. Até o final da década de 1970, esta proporção era inversa: cerca de 80% da borracha vinha de seringais nativos.

O fim de subsídios e do apoio técnico do governo, além de métodos obsoletos de extração do látex, determinaram praticamente o fim da economia da borracha nos Estados do Amazonas, Pará e Rondônia. Só a partir do início do século XXI, a economia da borracha ganhou fôlego no Acre, graças a políticas de incentivo conduzidas pelos governos estaduais e federais.

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