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Internacional

Delenda Ucrânia? Não!

Todo conjunto de alegações, falácias e mentiras reunidas por Vladimir Putin para justificar o ataque à Ucrânia só se sustentaria se a ofensiva cumprisse imediatamente os seus objetivos. A previsão do ditador russo – como de todos os países da Otan e da união europeia – era a mesma. Intimidados pela simples presença em seu território do poderio de uma força bélica monstruosa e 150 mil soldados faria os ucranianos ceder e aceitar a volta ao comando dos vizinhos truculentos. E assim prosseguiria a reconstituição do império, iniciado sob os Romanov, cinco séculos atrás.

Com nove dias de combates, o que era uma invasão se tornou uma guerra, a pior de que muitos de nós somos contemporâneos. Mesmo alguma justificativa verdadeira que houvesse para o temor de Putin perdeu a legitimidade e a própria razão de ser. O presidente agora é visto como um psicopata. O ditador é um criminoso de guerra, um dos piores seres na longa história de personagens malignos da humanidade.

É emocionante, comovente e, ao mesmo tempo, dilacerante, ver civis empunhando armas para defender a pátria, montando barricadas inúteis diante das máquinas de destruição dos russos, levando suas famílias à fronteira e voltando, colocando seus carros para servir de entrave ao avanço do maior comboio militar de todos os tempos (chegando a ter 64 quilômetros de comprimento) e, no 9º dia, seguindo para destino desconhecido, provavelmente para o fim, mas não se entregando.

Só quem não tem raciocínio limpo, coração e alma pode ainda apoiar Vladimir Putin. Ele não conseguirá pronunciar o Delenda Ucrânia. É o que os ucranianos estão dizendo. É o que os homens de bem devem repetir.

Discussão

6 comentários sobre “Delenda Ucrânia? Não!

  1. Tudo o que o Putin faz é algo mais do que propaganda de guerra para seu público interno – um esforço para justificar que jovens russos tenham sido mandados para morrer em um país vizinho, tal como os jovens americanos no Vietnã.

    Como numa guerra a primeira vítima é sempre a verdade, o neo-Stalin resolveu fabricar um mito de um “herói” de guerra – o comandante de um pelotão que morreu destruindo tanques ucranianos na região de Donbass – e também promete aumentar o soldo dos militares russos e pagar pensões às famílias dos mortos em combate.

    Não são atitudes de quem está seguro de contar com apoio para continuar na guerra, que promete se estender por mais tempo que o esperado. São atitudes de um governante com medo de ver sua popularidade se desfazer rapidamente, caso os russos deixem de enxergar na invasão da Ucrânia apenas uma “operação militar especial” (eufemismo para a guerra) contra um regime dito ilegítimo.

    Putin reiterou que não vai retroceder. O neo-Stalin voltou a dizer que russos e ucranianos são um povo só e tratou a resistência ucraniana ao avanço russo como obra de “neonazistas” que precisam ser neutralizados. O termo “nacionalista” foi e é usado durante todo os discursos dele como sinônimo de neonazista – como se lutar pela Ucrânia fosse um ato terrorista contra a Rússia .

    O proto-ditador russo sabe que seu discurso será tratado como cinismo e loucura aqui no Ocidente. Ele sabe que há imagens de jovens soldados russos dizendo a civis ucranianos que acreditavam estar participando de um treinamento militar, e não de uma invasão. Ele sabe que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou o exército russo de usar câmaras crematórias portáteis para seus próprios soldados – evitando assim mandá-los de volta para casa em caixões. Mas Putin tá se lixando pra opinião ocidental.

    O que certamente lhe interessa é impedir que relatos desse tipo cheguem aos cidadãos russos (muitos deles na prisão pelo crime de protestarem contra a guerra), que já começam a enfrentar as consequências das sanções econômicas, e se tornem a versão dominante sobre a guerra. Contra eles, a imprensa estatal controlada pelo Kremlin vai martelar sem descanso o retrato da guerra que Putin pintou em seu discurso. Pobres russos. E pobre Ucrânia, tão longe de Deus e tão perto da Rússia.

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    Publicado por igor | 5 de março de 2022, 17:37
  2. Putin está numa sinuca de bico!

    Se Putin triunfar militarmente na Ucrânia, derrubando o atual governo e instalando um governo fantoche, pró-russo, ele herdará uma confusão de bom tamanho. Dificilmente as forças armadas ucranianas irão colaborar com o novo governo. Idem a população civil, que está armada e nem um pouquinho satisfeita com a invasão russa, que destruiu suas casas, suas ruas, seus carros, suas escolas, seus hospitais…

    Resultado: Putin terá que manter na Ucrânia, uma paquidérmica força de ocupação. Que vai custar os tubos, e, de quebra,terá que conviver com guerrilhas, atentados, sabotagens e outros mimos.

    Além do mais, ainda terá as sanções do ocidente, que custarão bilhões de dólares à economia russa. Os banqueiros e demais endinheirados russos, a esta altura das coisas, devem estar rezando pra que Putin suba no telhado…

    Sei não, mas… acho que Putin não sai inteiro dessa.

    Pra completar, ele ainda aceitou o apoio do Bolsonaro, o Urucubaca brasileiro.

    Depois desse grave erro, Putin teria que tomar uns passes, fazer um descarrego, prender umas medidas do Bonfim no pulso, apalavrar promessa com a Virgem de Nazaré, se comprometer em acompanhar o Círio na corda, enfim, fazer algo pra se se livrar um pouco da pava bolsonariana, cujos efeitos não tardam nem falham…

    Não fez nada disso. Vai se arrebentar.

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    Publicado por Elias | 5 de março de 2022, 19:26
  3. O que me preocupa é que esse maluco assassino não sabe perder. Ou será deposto ou bum!

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    Publicado por Edyr Augusto | 5 de março de 2022, 22:08
  4. Parabéns pelo texto, que infelizmente se aproxima muito da realidade no começo, meio e fim. A guerra faz lembrar Canudos, inclusive a mentira que Conselheiro tento denunciar inutilmente num jornal de Salvador. “Canudos não se rendeu”, e “todo sertanejo é um forte. O ucraniano também.

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    Publicado por Paulo | 7 de março de 2022, 00:43
  5. A História se repete na Rússia. Como conseguem ressusciitar ditadores como Stalin? Como chegaram a tanto?

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    Publicado por José Otávio Figueiredo | 7 de março de 2022, 15:54

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