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Energia, Estrangeiros, Governo, Grandes Projetos, Hidrelétricas

Mais energia nos mamutes hidrelétricos

O Estado de S. Paulo anunciou no fim de semana que a Norte Energia, dona da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, pretende construir um parque solar na área do reservatório da usina, com potência máxima de 137,48 megawatts. A Eletronorte quer fazer a mesma coisa na área da hidrelétrica de Tucuruí, no Tocantins. E a Hydro estuda idêntica iniciativa na mina de bauxita de Paragominas.

O projeto da planta fotovoltaica de Belo Monte terá potência um pouco superior ao de duas turbinas bulbo instaladas na usina complementar do Xingu. As seis em operação têm capacidade máxima de 487 MW, mas garantia física de apenas 388 MW, embora sejam rigorosamente “a fio d1água”, sem precisar do mesmo volume de água e da altura de queda exigidos pelas gigantescas turbinas Francis.

Por falta de água no verão, os 11,2 mil MW de potência do complexo hidrelétrico (compreendendo a usina principal e a complementar), o quarto maior do mundo no período de chuvas intensas, se reduz a 4.571 MW de energia firme, a média disponível durante o ano inteiro.

A usina solar pretendida pela Norte Energia representa pouco mais de 1% do que podem gerar as 18 turbinas da casa de força principal (cada uma de 611 MW) e 3% da energia firme. Esse índice pode diminuir se houver também uma média menor na planta voltaica. Essa informação não foi fornecida. Nem o custo da nova usina.

Quarenta anos atrás, ficou comprovado que a hidrelétrica de Balbina, no Estado do Amazonas, sofreria de idêntica limitação, mesmo inundando uma área proporcionalmente maior do que a do reservatório de Tucuruí (com 300 mil hectares), para produzir menos energia do que uma única das 23 turbinas da usina do Tocantins, com a soma de 8,2 mil MW.

O poderoso economista Delfim Netto, ainda ministro, no último governo do ciclo de militares na presidência da república (o general João Figueiredo), sugeriu a instalação de uma termelétrica queimando madeira (como o milionário americano projetara para o seu projeto Jari), Essa termelétrica elevaria carga de Balbina, fazendo-a superar os 50% da potência máxima (em Belo Monte é de 40%).

Felizmente, a desastrosa sugestão não prosperou. Com outro componente, porém, ela está de volta. Em escala de Brasil Grande (nos desastres).

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