//
você está lendo...
Internacional

O que fazer

O Ocidente comete um novo – e grave – erro ao reduzir a Rússia a Putin e ao procurar isolá-los do mundo. É o prolongamento do erro anterior, de superestimar a abertura democrática na antiga União Soviética para participar da compra das empresas estatais e financiar as privatizações, além de garantir o suprimento de gás e óleo para suas demandas crescentes. Foi um processo tão – ou mais – acelerado e corrompido quanto no Brasil.

Putin manobrou sagazmente o apoio recebido do Ocidente, mantendo a aparente harmonia de objetivos até se achar suficientemente forte para se tornar um oligarca, o maior do mundo, o maior da era moderna da Rússia. Comprou o apoio popular com medidas de fortalecimento do mercado interno e de um mísero (mas inédito em décadas) redistributivismo e inclusão social. E passou a desfechar golpes na democracia ainda débil.

Reprimiu violentamente a oposição através da expansão e do fortalecimento do aparato policial e, agindo como um autêntico homem da KGB, enfrentou os oligarcas (batizados com a adjetivação de ladrões) que ameaçavam criar um segundo polo de poder, perseguindo-os e os forçando a fugir da Rússia como sanguessugas do dinheiro do povo.

Só os oligarcas subservientes ficaram, santificados pelo presidente e a Igreja Ortodoxa, também sua aliada (superou nesse ponto os líderes bolcheviques). Com plenos poderes, ofereceu a perspectiva do renascimento do maior império de todos os tempos e apresentou o inimigo perigoso e mortal desse projeto de nação: os Estados Unidos e seus aliados ocidentais.

São eles as últimas barreiras para o império de 21 milhões de quilômetros quadrados, já em andamento, com arnesais nucleares e muitos recursos naturais, sobretudo os energéticos. A linguagem de faroeste de Joe Biden e o eco em uníssono dos seus aliados, crucificando monoliticamente a Rússia, dá verossimilhança às mentiras cínicas de Putin.

O que de melhor o Ocidente pode fazer para o bem geral do planeta, além de defender os ucranianos com eficiência e convicção, é preparar o processo de caracterização de Putin como criminoso de guerra, mas sem sufocar a Rússia. Sem o que sufocarão também o que pode ser o melhor de tudo: quebrar a sujeição da maioria do povo ao ditador cruel e dar energia à oposição interna. Só assim a paz será pouco mais do que um intervalo entre uma guerra e outra.

Discussão

2 comentários sobre “O que fazer

  1. As atrocidades cometidas pelos russos nos arredores de Kiev, e reveladas neste sábado, provam de uma vez por todas aquilo que sempre se soube, e que o Ocidente ignorou durante anos: Vladimir Putin é um criminoso de guerra; seu único objetivo é o aniquilamento da Ucrânia; é mais do que urgente armar ainda mais as tropas de Volodymyr Zelensky, a fim de impedir novas atrocidades.

    Tais imagens mostram que os russos exterminaram os ucranianos a sangue frio, com pelotões de fuzilamento, e que tentaram ocultar seus crimes, enterrando os cadáveres em fossas comuns ou carbonizando as mulheres sequestradas, estupradas e violentadas.

    Os mesmos massacres estão sendo praticados neste momento, em outras regiões do país, que ainda não foram liberadas. Isso só vai parar quando os russos forem expulsos DEFINITIVAMENTE do território ucraniano. Não há outra saída.

    Os responsáveis por isso hão de acertar as contas com a Justiça imediatamente, por conta de seus crimes de guerra e contra a humanidade na Ucrânia. Um tribunal semelhante ao de Nuremberg deveria ser criado com esse propósito.

    A gente fica a pensar quanto a humanidade errou e não parou Hitler no tempo certo. Quanto a humanidade errou e não parou Mussolini no tempo certo. E fiquei pensando. Quanto a humanidade errou e não parou Stalin no tempo certo. E quanto a ONU e o Ocidente erraram e não pararam Putin no tempo certo. Não entenderam que os ditadores de espírito nunca morrem. Sempre esperam o momento certo para surgirem (ou ressurgirem) para concretizarem seus objetivos. Se eu fosse espírita, acreditaria que os espíritos de Hitler, Stalin e Mussolini voltaram dos mortos para se incorporarem em Putin. Isso é uma confirmação de que a história sempre se repete: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.

    Curtir

    Publicado por Igor | 5 de abril de 2022, 15:45
  2. “ Se eu fosse espírita, acreditaria que os espíritos de Hitler, Stalin e Mussolini voltaram dos mortos para se incorporarem em Putin.” Pois eu não sou espírita e não tenho dúvida que isto ocorre. Foi uma piada ver os céticos abobrando sobre diplomacia perante um Lavrov. A ciência política é cega para muita realidade.

    Curtir

    Publicado por Paulo | 6 de abril de 2022, 15:47

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: