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A muralha da UFPA

Foi com alegria e inveja que noticiei a doação de todos os documentos, produzidos durante meio século pela Icomi na exploração de uma das melhores jazidas de manganês do mundo, por doação à Universidade Federal do Amapá pelo último presidente, Ortiz Vergolino. Alegria porque os documentos estão salvos e servirão de fonte para a pesquisa sobre a primeira lavra empresarial da Amazônia. Inveja porque deveríamos fazer o mesmo no Pará.

Uma história ainda maior e mais importantes, a de Carajás, caminha para o 40º ano de produção e o Pará não tem um arquivo formado sobre essa história em seu próprio território. O principal personagem desse capítulo incrível da mineração mundial, o geólogo paulista Breno Augusto dos Santos (residente há muitos anos em Niterói) está vivo, ativo e lúcido, mas já passou dos 80 anos.

Numa das muitas conversas que tivemos sobre essa questão, Breno, pressionado por mim admitiu o fato de nunca ter sido convidado para uma palestra sobre Carajás na Universidade Federal do Pará. Breno se justificou que sentia essa circunstância, não é por ele, mas pelo tema. E não pelos professores, mas pelos alunos. Em Belém, só fez palestra em congressos. Num deles, mais de 50 anos atrás. foi que o conheci.

Durante o tempo em que morou e Belém, Breno foi chamado para fazer muitas palestras  em várias  universidades e comunidades. Recentemente, eu lhe pedi para arrolar esses lugares, que anotei e agora divulgo, sem o consultar:

– Parauapebas (comunidade) – 4 vezes
– Canaã dos Carajás (comunidade) – 1 vez
– Marabá (universidade) – 1 vez
– Fortaleza (universidade) – 1 vez
– Brasília (universidade) – 3 vezes
– Belo Horizonte (universidade) – 3 vezes
– Ouro Preto (universidade) – 2 vezes
– Rio de Janeiro (universidades) – 2 vezes
– São Paulo (universidade) – 3 vezes
– Campinas (universidade) – 2 vezes
– Rio Claro, SP (universidade) – 1 vez
– Curitiba (universidade) – 1 vez
– Florianópolis (universidade) – 1 vez.

Com um sentimento de vergonha e incômodo, registro que na UFPA, nunca. Por quê?

Discussão

2 comentários sobre “A muralha da UFPA

  1. Estranho isso…

    Sempre pensei que fosse muito bom o relacionamento do geólogo Breno Santos com o pessoal do curso de geologia da UFPa. Nos anos 1980, Breno era uma espécie de ícone dos estudantes do curso de geologia, que passava por ser um dos melhores da UFPa (num concurso da Petrobras, cerca de 80% dos classificados para a área de geologia, eram formados pela UFPa.; o resto, do resto do Brasil).

    Anexo à UFPa, havia o NCGG (Núcleo de Ciências Geofísicas e Geológicas, hoje Centro de Geociências). A Vale, estatal, investia pesado no NCGG. Similar ao equipamento de datação de rocha usado pelo NCGG, p.ex., fora de Belém, só havia dos EUA pra cima. Todos os estados brasileiros, assim como os demais países da América do Sul e boa parte da América Central, usavam os serviços do NCGG, e pagavam por eles. Daí que o orçamento do NCGG era maior que o da UFPa. A parte era maior e mais forte que o todo…

    Conheci um pouco do NCGG porque, como representante discente no CONSAD (Conselho Superior de Administração), e, consequentemente, no CONSUN (Conselho Superior Universitário), e membro da Câmara de Legislação e Normas deste último, me coube a tarefa de redigir a resolução que disciplinou a participação dos estudantes de geologia nos estágios de campo, isto implicando o pagamento de diárias, a contratação de seguro de vida, etc. (os estágios de campo eram realizados em jazidas, nos cafundós da selva amazônica).

    Foi então que comecei a ouvir falar de Breno Santos, como uma lenda viva… sempre pensei que a UFPa disporia de toneladas de depoimentos dele, gravados.

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    Publicado por Elias | 1 de maio de 2022, 18:28
  2. Lúcio,

    Apenas um breve registro. Breno também trabalhou na Icomi nos anos 60. Devido ao trabalho de Breno, inclusive a descoberta de Carajás, o periodo que ele trabalhou em Serra do Navio, no Amapá, é pouco conhecido.
    Antes de conhecê-lo pessoalmente, na sede da Vale, no Rio, ele já era lendário para mim. Meu tio e padrinho, José Duarte da Silva, trabalhou sob sua direção nas minas de manganês da Icomi e o tinha na mais alta admiração.
    A par da competência e respeitabilidade profissional sem ressalvas, Breno é uma figura humana fascinante.
    É uma falha grave da UFPA não tê-lo como palestrante e conferencista constante.

    Abraço
    rohan

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    Publicado por Francisco Rohan de Lima | 1 de maio de 2022, 18:55

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