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Cidades, Governo, Polícia, Trabalho, Transporte

O mais castigado

Os rodoviários da região metropolitana de Belém entraram em greve a zero hora de hoje, anunciando, porém, que não iriam interromper as negociações com as empresas. Continuarão à espera de novas propostas, depois de intensas reuniões, nas quais as partes não chegaram a um acordo entre o que querem os trabalhadores e o que os patrões estão dispostos a conceder.

As reivindicações parecem justas, mas o recurso à paralisação quando ainda havia a possibilidade de arbitramento pela justiça do trabalho reedita os movimentos do passado: o castigo atinge logo, mais uma vez, o usuário, o povo, maltratado sem só nem piedade mesmo quando o serviço é prestado normalmente.

Péssimo serviço – e não apenas por causa dos empresários. Também há a cota de culpa de motoristas e cobradores, boa parte dos quais não respeitam o cliente. A greve é um direito deles e deve ser admitido. Mas eles não podem ignorar que costuma haver em seu movimento a marca de uma nódoa moral: a existência de um entendimento não assumido com os patrões (e políticos) para aderir à pressão pelo aumento da tarifa do ônibus. Como se costume, o povo paga a conta.

Discussão

4 comentários sobre “O mais castigado

  1. A greve acontece em toda a RMB (Belém, Ananindeua e adjacências), mas aproveito pra falar do caso específico da nossa capital, bem como o cenário que, ao meu ver, gerou tudo isso.

    Aqui, Edmilson Rodrigues (aquele que diz ter um pálio, um fusca e uma bike) e sua eminência parda (um tal de Luiz Araújo) ultimamente tentaram criar um factoide em torno do assunto do transporte coletivo. Para camuflar sua rendição aos empresários de ônibus giraram a poderosa máquina de comunicação da prefeitura de Belém, financiada pelo nosso dinheiro, para disputar no imaginário popular uma narrativa de que o reajuste de R$ 0,40 (quarenta centavos) praticamente não significava nada, diante do pedido do reajuste da patronal de ônibus e da decisão do Conselho Municipal de Transporte daqui. E sabe o que é pior? O tal de Luiz Araújo, pelo twitter ameaçou quem protestasse contra isso com repressão da Guarda Municipal, caso ocupasse o prédio da prefeitura, para exigir o que o prefeito de Belém cumpra uma de suas principais promessas de campanha: “desmontar a máfia dos donos de ônibus em Belém”.

    Sobre o conselho, ele é composto, em sua maioria, por membros indicados pelo próprio prefeito. Além dos representantes das empresas de ônibus, das secretarias municipais e até o representante do gabinete do próprio prefeito votaram a favor do reajuste das passagens de ônibus para R$ 5,01. Esse reajuste foi aprovado com o uso de força da Guarda Municipal contra os que protestavam (a maioria jovens), agredindo inclusive uma mulher grávida. Tudo estaria tranquilo e favorável para os empresários, com a rendição da prefeitura de Belém, se não tivesse ocorrido uma grande pressão popular de rejeição ao reajuste e de indignação com a repressão. Em uma clara demonstração de redução de danos, Edmilson e seus asseclas resolveram dar um cavalo de pau para preservar o pouco que lhe resta de prestígio popular. Aí, a prefeitura foi surrada nas redes sociais, não somente por certos militantes do próprio partido do Ed Potoca, envergonhados com a situação, mais pela população que poderia ganhar as ruas para impedir um verdadeiro assalto ao seu orçamento familiar. A narrativa de que o reajuste de quarenta centavos, menor que a inflação, seria uma demonstração de sensibilidade da prefeitura de Belém com a população mais carente não colou. Não pegou porque para a maioria das famílias de Belém que ganham até 1 salário mínimo é obrigada a pegar em média 4 ônibus todos os dias significaria deixar no caixa da máfia da SETRANSBEL de um terço até metade de sua renda familiar, levando em conta a despesa de apenas uma pessoa por família. Para a população, que sabe fazer conta, a prefeitura de Belém aumentou o lucro dos empresários e deu “beijinho no ombro” para os servidores municipais que ganham menos que o salário mínimo nacional e para a maioria da população da cidade que batalha todos os dias para garantir o mínimo de sua subsistência. Falta de aviso não foi.

    Desgraçadamente, a escolha do grupo do prefeito e de seus aliados na prefeitura, estamos falando do PT, o próprio PSOL. outros partidos de esquerda e do MDB, partido do governador do Estado, e que dá sustentação ao prefeito na Câmara Municipal, através do Zeca Pirão, foi garantir a lucratividade dos tubarões do sistema de transporte coletivo. A narrativa do prefeito ainda diz aos quatro ventos: “vamos licitar o sistema de transporte, vamos municipalizá-lo, garantir ar condicionado, melhorar a qualidade do serviço”, etc. Até hoje, depois que o Ed Potoca assumiu pela terceira vez a prefeitura, o povão tá esperando isso. Se com os professores, que sempre o apoiaram (os quais antigamente defendia-os mordendo dedo de PM e agora lhes manda baixar a porrada), ele descumpriu a lei que garante o pagamento do Piso Salarial Nacional, não paga um salário mínimo no vencimento dos servidores municipais; se a Assistência Social continua destruída depois de mais de um ano de governo, como denunciou o sindicato dos servidores da FUNPAPA, que garantia poderíamos ter com essa promessa da prefeitura e dos empresários de ônibus (muitos destes nunca subiram num ônibus nem uma vez na vida) de que o reajuste das passagens vai transformar em céu o inferno que é andar em ônibus em Belém?

    Edmilson Rodrigues, creio eu, se tivesse vergonha na cara, trocaria imediatamente seus conselheiros por gente mais qualificada e escutaria o clamor que vem de todos os cantos de Belém, para que ocorra uma mudança imediata nos rumos políticos da sua gestão. Se pudesse, poderia dizer a ele o seguinte: Mano, aproveita a oportunidade, não desperdiça a chance que o povo de Belém te deu de fazer diferente. Escuta o povo cabano da tua cidade e que sempre te apoiou. Se não que que a população se revolte, se não quer ser criticado por suas decisões equivocadas, se não queres que os rodoviários façam greve, cumpra os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral. À luz da vida real, em um sistema de tanta desigualdade social, está bem fácil concluir quem vive no mundo paralelo, talvez até em outra dimensão já que não é obrigado a pegar ônibus todos os dias ou ir de bicicleta, andando para o trabalho, economizar centavos para que no final de todo mês se consiga pagar luz, água, telefone, comprar remédios, gás para cozinhar, se vestir de forma digna. Quarenta centavos faz falta na mesa de muitos que de forma digna e honesta se esforçam para conseguir comprar pão, café e alimentar seus filhos antes de ir para escola. Talvez para Luiz Araújo, o prefeito Edmilson, os vereadores e a máfia da SETRANSBEL, centavos não signifique nada, mas para quem “sua” todos os dias para ter o mínimo faz muita diferença. Para quem tá se curvando à família Barbalho, reajustar as passagens de ônibus e aumentar o lucro do setor de transporte não é nada taxar e reduzir a renda da maioria do povo de Belém. Infelizmente, essa é a escolha que está sendo feita de forma consciente pela camarilha que governa nossa cidade.

    Sobre as ameaças da patronal do transporte contra a população e a greve dos rodoviários, a única forma de dar um freio de arrumação em tudo isso é intervir no cartel das empresas de ônibus, fazer a Câmara de vereadores tomar vergonha na cara com a finalidade de instalar uma CPI contra esse cartel, desmontar essa máfia que controla o setor por gerações (como alertou o então candidato Ed 50) e o hoje prefeito deve assumir a responsabilidade da prefeitura sobre o transporte público de Belém, municipalizar todo o sistema, criar uma empresa municipal de transporte público (como já disse o Lúcio), licitar esse serviço, pôr ar-condicionado nos ônibus, coibir as indisciplinas por parte de cetros motoristas e cobradores, dar uma solução para o problema do elefante branco do BRT que o nefasto Duciomar Costa e o Zenaldo construíram construiu e instituir a TARIFA ZERO e o BILHETE ÚNICO (outra promessa do Ed Potoca), tal como existe em algumas capitais e cidades do interior do Brasil. Não tem meio-termo.

    Ainda sobre a greve, digo o seguinte: Prazer, essa é a Belém de Novas Ideias.

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    Publicado por igor | 3 de maio de 2022, 10:33
  2. O transporte público, mais e mais, passou a ser tido como direito do cidadão, como escola, saúde. Em Lisboa jovem até … ( julgo 21 anos) e idosos já estão isentos. Outros, uma família com 3 membros, paga por mês €60 euros para dentro de um município e €80 para toda a AML.

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    Publicado por valdemiro | 3 de maio de 2022, 15:25

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