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Estrangeiros, Imprensa, Minério, Multinacionais

Sem eco

A gigante australiana da mineração, a antiga BHP Billiton, ao aumentar para 33% a sua participação na MRN, a maior produtora e exportadora de bauxita do Brasil, indica que talvez vá entrar para valer na Amazônia. Se a Vale se desinteressar pela bauxita, poderá negociar os 40% que ainda tem na Mineração Rio do Norte com a atual South32 Brasil, que passaria a ser a maior acionista da empresa.

Nesse caso, a MRN se desnacionalizaria, com apenas os 10% da CBA, do grupo Votorantim de capital nacional. É possível que expansão da South signifique um acerto de mercado com a sua sócia, a americana Alcoa. As multinacionais estrangeiros, finalmente, em cartel, seriam donas das jazidas de bauxita do Pará, terceiro no ranking mundial.

O assunto é importante. Mas por que nem O Liberal nem o Diário do Pará noticiaram o fato nas suas edições de hoje? Eu poderia estar alegre. Fui o primeiro a publicar a informação, talvez o único. Só eu sabia? Evidentemente que não. Nada impedia que os jornais impressos abrigassem uma matéria a respeito, mesmo com certo atraso – na verdade, nem atraso seria, já que saem em intervalos de 24 horas (os portais, sites e blogs é que poderiam usar essa explicação como justificativa para se omitirem).

Será que os jornais das famílias Maiorana e Barbalho nunca tratarão de temas veiculados primeiro ou unicamente neste blog, como já fizeram outras vezes? Se praticassem mesmo jornalismo, bastaria ignorar a ética profissional e não citar a fonte. Eu não me importaria. Fico sinceramente triste e desestimulado quando um fato relevante não chega ao conhecimento da opinião pública.

É para mantê-la sintonizada com os acontecimentos que me empenho diariamente em saber o que está acontecendo, principalmente no Pará e na Amazônia. Não só noticiando esses fatos, mas tentando entender o seu significado, além de sugerir meios e modos para que a sociedade participe das decisões. Este blog tem poucos leitores. Sua penetração é limitada. Para que as questões tenham consequência efetiva, é necessária a participação da imprensa de maior alcance.

Como ela está cada vez mais comprometida com seus próprios interesses – familiares, corporativos, comerciais e políticos -, se omite, silencia, aprofunda sua mediocridade (e sua inutilidade social). Transforma os cidadãos em zumbis, os amazônidas em meros figurantes dessa epopeia que é a história contemporânea da Amazônia.

COMPLEMENTO

Corrijo. O Diário do Pará publicou uma nota sobre a transação da South32, que só vi depois de postar o texto acima. Uma única nota no Repórter Diário, a coluna da “casa”. Com informações do blog, que não é citado, conforme acontece nas raras vezes em que o redator da coluna (e só ele em todo jornal) se vale deste espaço. Já que autorizou o registro na coluna, a direção do jornal teria que atrair ainda mais a atenção do leitor numa matéria destacada, coerente com o assunto. Para não assumir o ditado popular, de que o pior cego é o que não quer ver.

ACRÉSCIMO

Miguel Oliveira me lembra: esqueci de mencionar que o portal OESTADONET publicou a matéria sobre a compra das ações da MRN. É verdade. Esquecimento com causa: sou colaborador do portal do Miguel.

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