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Cidades, Governo, Sindicato, Trabalho, Transporte

É greve e está acabado

No início da manhã de ontem, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba, Huellem Ferreira, disse ao repórter de O Liberal que a greve tinha obtido 100% de adesão. “Não tem nenhum ônibus rodando”, garantiu. Greve com esse sucesso nem os operários de longa tradição nesse tipo de ação conseguem. Ou a consciência dos motoristas e cobradores da grande Belém está nos píncaros ou o poder público também cruzou os braços.

Na entrevista, o sindicalista repetiu o bordão de que o povo está sofrendo, mesmo nada tendo a ver com a questão. Mas fez piquete nas garagens para não deixar sair nenhum ônibus que minorasse o sofrimento e o prejuízo da população, à mercê dessa confraria (ou máfia), que junta trabalhadores, empresários e políticos, sob a platitude dos poderes executivo e judiciário, num acerto tácito de que só há um caminho a adotar: reajustar ainda mais a tarifa do serviço, mantendo intocada uma estrutura carcomida e ignóbil, que desrespeita e maltrata o cidadão, como não acontece em nenhuma capital do país.

Se os líderes da greve recorrem até à violência para conseguir os triunfais 100% de paralisação (que pouco têm a ver com consciência de classe), a polícia tem que ir para os mesmos locais e garantir a integridade de quem quer trabalhar, com aparato para intimidar os recalcitrantes sem empregar a força disponível no local, e fazer cumprir a proporção mínima, de 40% de ônibus circulando, decretada para hoje. E, mais uma vez, para ser descumprida. Deixando-se para depois as multas, que não serão pagas.

Essa farsa na passagem de abril, o mais cruel dos meses, ao dia das mães em maio, tão esperada por empresários e trabalhadores de outro setor da economia, o comércio, precisa acabar.

Discussão

3 comentários sobre “É greve e está acabado

  1. Com a palavra, o governador Helder, o seu prefeito biônico Edmilson (ou suas eminências pardas, ou também “prefeitos paralelos” e sem voto pra isso, os quais atendem pelos nomes de Edilene Rodrigues, a irmã do prefeito, e os irmãos Aldenor e Luiz Araújo), o presidente da Câmara de Vereadores Zeca Pirão, os próprios vereadores e o Ministério Público.

    Agora, falando sério em relação ao cenário que desaguou nessa greve em nossa capital, vamos objetivar: O repaginado, o Ed50 ou o Ed Potoca da última eleição, depois de 16 meses na prefeitura, ainda não disse o que veio fazer nela, por que veio e quando tenta dizer deixa a sensação de que nova lorota pontua suas falas (e olha que eu votei no Edmilson quando fui as urnas tão logo quando completei 18 anos, mas não porque gosto dele, e sim por falta de opção, como sempre). A última, por exemplo, tentou engambelar a parte da população da Grande Belém que depende do uso de ônibus urbanos. Disse neste blog que, com votos de obedientes e fiéis assessores selecionados de Edmilson Rodrigues (incluindo os representantes dos irmãos Aldenor e Luiz Araújo) e Helder Barbalho, os quais ocupam as pastas de Chefia de Gabinete e Planejamento, respectivamente), o Conselho de Transportes de Belém aprovou, na última quinta 24, a proposta de reajuste da tarifa dos ônibus urbanos no valor de R$ 5,01. Incontinente e dramático como sempre, o prefeito veio a público dizer que a nova tarifa do transporte coletivo seria de R$ 4, “menor que o valor aprovado pelo Conselho e menor do que queriam os empresários”. Parecia um bom enredo, mas foi somente até a página dois. Tava tudo combinado: atores escolhidos a dedo desempenharam seu papel dentro do script para o Potoca fechar a cena em grande estilo, igualzinho a essa greve de ônibus, só que o papo não colou na população.

    Quem continua a cantar de galo na Prefeitura de Belém é a máfia da SETRANSBEL, a qual o Ed prometeu desmantelar. Na verdade, o prefeito não rejeitou, e sim aprovou de mão beijada o aumento para R$ 5,01 que os empresários queriam. No acordo que fez com os donos dos ônibus, ficou combinado que seria anunciado o valor de R$ 4 pelo prefeito, “para evitar desgaste”, mas a diferença financeira seria “subsidiada pela Prefeitura” – subsídio, nesse caso, é puro eufemismo. Sim, o valor de R$ 1,01 por passagem será retirado da própria Prefeitura e repassado aos empresários, completando com 4 reais em cima de cada passagem paga. Quer dizer, o usuário paga R$ 4 dentro do coletivo e paga de novo mais R$ 1,01 através do repasse feito pelo Tesouro Municipal, só que desta nos impostos que a gente paga. Ou seja, o povo de Belém continua pagando R$ 5,01 – do jeito que os empresários mandaram o alcaide fazer.

    Governos vêm, governos vão, e o contribuinte belenense segue miseravelmente explorado. Edmilson, que vendeu uma Belém de novas ideias, no fundo se comporta como um político do Centrão (se é que ele não é isso): não tem vergonha na cara. No quesito transporte público, só faz reproduzir as lambanças do nefasto Duciomar e do Zenaldo.

    Pra piorar as coisas, a frota regular de ônibus de nossa capital, contabilizada em cerca de 850 veículos, tem, segundo a Secretaria de Mobilidade, idade média de oito anos, sendo que a idade máxima permitida para circulação é de até dez anos. Mesmo assim é comum a qualquer observador mais experiente encontrar veículos com até 12 anos, os quais deveriam estar aposentados e num ferro-velho, circulando livremente nas ruas da cidade, muitos deles, diariamente, interrompendo viagens por problemas mecânicos – quando não acabam “pegando fogo” e atormentando ainda mais o caótico trânsito. Em nenhuma outra capital do País e do mundo se vê tanto ferro-velho transitando ao mesmo tempo e livremente. É lamentável.

    E mais: a prefeitura deveria dar uma explicação convincente de por que as pistas da via expressa são usadas mais por motociclistas, viaturas da Polícia Militar e ambulâncias do que pelos próprios coletivos do BRT interminável. Será que Edmilson e os agentes da Semob não veêm esse detalhe?

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    Publicado por igor | 4 de maio de 2022, 16:16
  2. Exato, BRT é pouco utilizado por ônibus, o cidadão que mais necessita é o menos atendido, e para piorar essa faixa pouco utilizada ainda atrapalha a vida de quem trafega na outra faixa, ou seja atrapalha a vida de quem não tem carro e depende de ônibus e atrapalha também a vida de quem tem carro, de quem pega táxi ou carros de aplicativo

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    Publicado por João Pablo UFPA | 5 de maio de 2022, 12:50

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