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Imprensa

Sete cidades do Pará são agora notícia

Por Jéssica Botelho • Atlas da Notícia

  • A região Norte continua liderando o ranking de desertos de notícias
  • Rondônia é o estado com maior quantidade de novos veículos
  • Veículos online seguem crescendo na região
  • Profissionalização de veículos comunitários pode ser um caminho

O Atlas da Notícia, censo da imprensa brasileira, apresenta os resultados do mapeamento realizado em todo país durante 2021. Chegando a sua quinta edição, a pesquisa já registrou um total de 13.734 veículos jornalísticos, dos quais 1.106 estão distribuídos entre os sete estados da região Norte. Seguindo uma tendência nacional, a região também teve redução significativa na quantidade de municípios sem cobertura jornalística, foram 30 cidades que deixaram de ser desertos de notícia.

Apesar deste avanço importante, a região Norte continua em primeiro lugar quando se trata de desertos de notícias, com 63,1% do seu território sem cobertura jornalística. Isso significa que, do total de 450 cidades nortistas, 284 não têm nenhum veículo local, cobrindo pautas e produzindo conteúdo de interesse público.

Em 30 municípios de 5 estados nortistas, ao menos um veículo foi identificado onde, antes, não havia nenhum registro. Desta forma, esses municípios, avançaram na classificação da pesquisa – de deserto para quase deserto (1 ou 2 veículos). Apenas dois estados da região não registraram cidades que deixaram de ser desertos de notícias, Amapá e Roraima. Rondônia foi o estado com o maior número de mudanças, foram 12 cidades que deixaram de ser desertos de notícias.

As 30 cidades que deixaram de ser desertos de notícias na região Norte

Acre: Bujari, Feijó e Mâncio Lima

Amazonas: Envira e Itapiranga

Pará: Bannach, Benevides, Goianésia do Pará, Marituba, Moju, Ourém e Terra Santa.

Rondônia: Alta Floresta D’Oeste, Costa Marques, Santa Luzia D’Oeste, Nova Mamoré, Buritis, Cacaulândia, Castanheiras, Cujubim, Monte Negro, São Francisco do Guaporé, Theobroma e Urupá

Tocantins: Ananás, Barrolândia, Campos Lindos, Carrasco Bonito, Goiatins e Xambioá

Veículos digitais continuam crescendo
O censo da imprensa brasileira categoriza os veículos mapeados em quatro categorias principais, referentes ao tipo de mídia em que o conteúdo jornalístico é suportado: online, impresso, rádio e televisão. Na região Norte, o segmento com maior quantidade de veículos é o online, com 486 registros; seguido por rádio e televisão com 297  e 207 veículos respectivamente. Os impressos representam o menor segmento na região, com 116 jornais mapeados pelo Atlas da Notícia.

Os números dos segmentos mais tradicionais – rádio e televisão – não tiveram mudanças expressivas no mapeamento de 2021, entre as novidades foram 6 rádios e apenas uma tv. O segmento impresso não registrou nenhum novo veículo. Já o segmento online foi o que teve maior crescimento, foram registrados 139 novos veículos, chegando a um total de 486 em toda região. O estado com maior número de veículos identificados pelo Atlas da Notícia foi Rondônia, que na edição anterior contava com 57 sites de notícias, agora saltou para 178. E no Pará foram registrados mais nove veículos do segmento online.

Apesar das dificuldades de acesso à Internet na região – que apresenta baixos índices de conexão de acordo com Cetic.Br -, portais de notícias e blogs são fontes de informação expressivas no ecossistema midiático nortista. Observa-se essa tendência de crescimento neste segmento desde 2018, conforme mostrado no relatório da segunda edição do Atlas. Os veículos online também são os responsáveis pela diminuição de desertos de notícias, como os portais Envira News (AM) e Bannach News (PA) localizados em cidades que até então não contavam com cobertura jornalística local.

Desafios na cobertura
O desafio de alcançar a realidade de municípios de pequeno porte aparece em diferentes momentos no jornalismo. Seja no esforço de criar e manter um veículo de imprensa ou no empenho em mapear tais veículos, as distâncias, além de outras dificuldades, se impõem. No desenvolvimento do Atlas da Notícia em 2021 no estado do Tocantins, partimos de um mapa elaborado pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Multimídia da Universidade Federal do Tocantins (UFT) em que notamos a recorrência de rádios comunitárias como única fonte de informação em cidades consideradas desertos de notícias. Resguardadas diferenças nos critérios metodológicos, optamos por não registrar alguns veículos, mas consideramos importante assinalar a relevância dessas rádios, inclusive como possibilidade de jornalismo local.

Observamos que em vários municípios tocantinenses as rádios comunitárias, enquanto único meio de comunicação da cidade, se associaram à Federação das Associações de Rádios Comunitárias do Estado do Tocantins (Farcom TO), cujo objetivo é “promover o desenvolvimento e fortalecimento das entidades mantenedoras de radiodifusão comunitária”. Percebemos um aprimoramento das rádios com criação de sites e páginas em redes sociais, produção de conteúdo sobre alguns dos municípios das associadas e reprodução de conteúdo da rede. A organização institucional das rádios comunitárias com vistas à profissionalização, combinadas a oportunidades de formação (como o curso de jornalismo local oferecido pela Abraji) podem ser um caminho para o fortalecimento do jornalismo no âmbito local.

O Atlas da Notícia é um esforço coletivo. Nesta edição contamos com o apoio de:

Ana Beatriz Miranda Gadelha

Ariel Bentes

Camila Pinheiro Batista

Cleisson Vitor Soares Pereira

Dirce Quintino

Emile de Souza Bezerra

Jullie Pereira

E as instituições:

Abaré Jornalismo

Universidade Federal de Rondônia (Unir)

Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa)

Jéssica Botelho é pesquisadora da região Norte no Atlas da Notícia. Jornalista na agência Fiquem Sabendo. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ. Mestre em Ciências da Comunicação e graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas. Integrante do Centro Popular do Audiovisual, coletivo de comunicação popular de Manaus/Am

Discussão

Um comentário sobre “Sete cidades do Pará são agora notícia

  1. Do jeito que eles querem.

    Ontem vi uma senhora encostada em uma mesa de supermercado onde se amontoavam embalagens com pesagens prontas de carnes salgadas e defumadas. Ela paralisou; provavelmente após constatar mais uma súbita elevação de preços. Não conseguindo se mover, provoquei um desabafo em relação à carestia sem-vergonha que corta da sacola de compra das pessoas até os itens tão básicos como o complemento do feijão.Como sempre, pessoas simples não se expandem muito em comentários e reclamações e, recuperando o fôlego, a senhorinha desviou sua rota, desistindo do feijãozinho adubado que planejava comer no sábado.

    Todos nós estamos pagando há anos a nossa contribuição para o capitalismo dar certo no Brasil. Foram podados os direitos trabalhistas; foram severamente amputados os direitos a uma aposentadoria no mesmo patamar de simplicidade de antes, e mais ainda, deixaram viúvos e viúvas sem a metade da modesta renda deixada pelo companheiro morto. Os grandes capitalistas foram desonerados da contribuição do INSS até 2030. A previdência deu mais um calote em quem contribuiu e agora há quem nem queira mais contribuir, porque já é impossível pagar as suas dívidas passadas – tudo para canalizar a base da pirâmide para benefícios indecentes. O grande curral onde vão ficar os que não são beneficiados com a concentração de renda e patrimônio.

    A previdência é um paciente internado em um “hospice”; onde a assistência que recebe (do governo) não se destina a cura e à alta e sim a paliativos que se aplicam a moribundos. Ninguém está tratando a previdência, nem destinando as próprias economias obtidas com a reforma ao seu equilíbrio. O dinheiro vai para os partidos e para as emendas secretas dos grupos que controlam o poder. Num futuro próximo será anunciada mais uma “crise insolúvel” da previdência, para rebaixarem os cidadãos a migalhas minimante necessárias ao pão e a água.

    Não consigo imaginar que neste país hajam, entre os mais simples, defensores ferrenhos dos seus próprios algozes. Buscam motivos para defender calorosamente o seu voto, enquanto afundam na pobreza. Não há como fugir desta armadilha. O presidente Bolsonaro por último resolveu interpretar “Pilatos”, querendo se eximir da inflação gerada pelos derivados do petróleo, como se isto fosse possível, como se houvesse uma terceira via. Tudo teatro eleitoral!
    Bolsonaro e os economistas exorcizaram o controle de preços mandado fazer por Lula e deram total liberdade ao capitalismo para ditar as regras em favor dos que querem mais e mais lucros; porque é assim que a escola ensina.

    Perguntaram ao premiadíssimo jornalista José Hamilton Ribeiro, autor de reportagens espetaculares sobre o pantanal, se poderia haver convivência harmoniosa entre o agro-negócio e a rica natureza desta região, o que ele concordou em teoria, para a seguir completar: “-o problema é que o capitalismo quer sempre mais” – mais invasões de florestas preservadas, mais desmatamentos, mais queimadas, mais grilagem, mais degradação de rios por garimpos, mais, mais, mais…

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    Publicado por J.Jorge | 14 de maio de 2022, 10:08

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