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Justiça, Polícia, Violência

O “suicídio”

João Augusto Figueiredo de Oliveira Júnior diz que teve uma ”pequena discussão” com a esposa, Mônica Maria Andrade Figueiredo de Oliveira, no seu apartamento, em Belém, na segunda-feira à noite. Apesar de ser pequena a discussão, Mônica arrumou a sua bagagem e decidiu voltar para sua residência, no município de Martins, no Rio Grande do Norte. Eram 11 e meia da noite quando ela saiu.

João foi dormir. Acordou sete horas depois, às 6,40 de ontem. Procurou e não encontrou a chave do seu carro no apartamento, mas desceu assim mesmo porque a chave titular foi deixada na ignição. Encontrou a mulher no banco do passageiro, com um tiro no peito, já morta. Teria usado a arma do marido, que ficava no porta-luvas.

Mesmo sendo juiz de direito, como a esposa, ambos ainda jovens (ela, de 47 anos), ao invés de não mexer em nada, preservando a cena do crime, que se mantiver intacta por algumas horas, João embarcou no carro e levou o cadáver para a polícia.

Chegou à Divisão de Homicídios sem sinal de desespero e orientação, que justificariam o ato irrefletido, mas com o aparente domínio da situação, como se fosse atuar como juiz e não como viúvo ou, eventualmente, como suspeito de homicídio, se não prevalecer a sua tese de suicídio.

Com o tom de natural, disse ao Jornal Nacional da TV Globo, em áudio por ele mesmo gravado (na sua única entrevista), que foi atendido pelo delegado “e lá foi feito todo procedimento possível e imaginário: coleta de combustão e exame de corpo de delito, tudo que foi possível e imaginário, o que possa ser sido feito está sendo feito”.

O caso teve repercussão nacional e internacional. João Augusto e Mônica Maria são, ambos, juízes – ela, no Rio Grande do Norte (embora nascida na Paraíba, de onde saía para visitar o marido, com quem estava casada desde julho do ano passado), ele no Pará. Mas não como titular da 1ª Vara Da Infância e da Juventude de Belém, como a imprensa noticiou. Por ironia, talvez, reveladora e amarga, ele é da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da capital.

Discussão

4 comentários sobre “O “suicídio”

  1. Em que pese o juiz, assim como todos nós, seres humanos, ser inocente até que se prove o contrário, a pergunta que não quer calar: por que ele, alguém que conhece o Código de Processo Penal, ao invés de ter chamado a polícia, uma ambulância ou esperado o carro do Renato Chaves, não preservou como deveria o local do fato, levando o cadáver pra delegacia? Nenhum cumpridor da lei que se preze alteraria a cena do fato, muito menos levaria o corpo da vítima pra uma delegacia. Será que ele faltou alguma aula de Direito de Processo Penal no tocante a essa questão ou ele está escondendo alguma coisa mesmo?

    Acho que tem cheiro de fraude processual nessa história toda.

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    Publicado por igor | 18 de maio de 2022, 18:04
  2. Como um juiz de direito deixa a chave do carro na ignição com uma arma de fogo municiada dentro do porta-luvas por toda uma noite?É jogar muito com a sorte.

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    Publicado por Wilton Almeida | 18 de maio de 2022, 18:55
  3. Nesse país Juízes são Deuses

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    Publicado por João Pablo UFPA | 19 de maio de 2022, 00:24

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