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Economia, Governo, Política

Auxílio aos ricos

Em 2006, último ano do primeiro mandato de Lula como presidente da república, a isenção de impostos (tratada na linguagem técnica como “gastos tributários”) concedida pela União somou 77,2 bilhões de reais. Em 2010, último ano de Lula, era de R$ 135,8 bilhões. Em 2014, ao final do primeiro governo de Dilma Rousseff, alcançava R$ 257,2 bilhões. Em 2015, seu derradeiro ano completo como presidência, a renúncia tributária foi de R$ 270 bilhões.

Em 2015, meio-a-meio com Michel Temer, baixou para R$ 268,4 bilhões. Quando Temer finalizou sua presidência, pulou para R$ 311,2 bilhões. O primeiro ano de Bolsonaro foi recorde: R$ 317,6 bilhões. Foi o último dado oficial que consegui. As projeções são de que os valores até o ano passado ficaram em torno dos R$ 300 bilhões.

Discussão

7 comentários sobre “Auxílio aos ricos

  1. Somado a essas isenções astronômicas para os super-ricos, estão 200 milhões de explorados, 6 bancos, 132 bilhões de reais

    Adoro quando as palavras fazem sentido. Explico. Ainda no comecinho do DESgoverno Bolsonaro, quando otários que votaram no verdugo do Planalto, acreditando em suas promessas de campanha, vibravam com os discursos enfáticos do Planalto, o todo-poderoso ministro Paulo Guedes, ex-posto Ipiranga, vociferou, para o delírio da galera: “somos 200 milhões de trouxas explorados por seis bancos”. Imagino o auditório gritando: Uhuuu! Viva o PG! Mito, mito! Então, pra demonstrar que o devoto da cloroquina, tal como o Lula, virou a mãezona dos ricos (nesse momento o sociopata quer se fazer de “pai dos pobres”), um relatório do Banco Central, publicado semana passada, mostra que a rentabilidade dos bancos explodiu e os lucros são recordes. Sim. Jamais a banca nacional ganhou tanto dinheiro como em 2021. O retorno sobre o patrimônio atingiu 15%, subindo cerca de 30% em relação ao ano anterior. Já o lucro líquido (somado) atingiu pornográficos 132 bilhões de reais. O principal motivo foi o salto da Selic, de 2% para 9,25% no ano passado.

    O Estado brasileiros, bancos e grandes corporações empresariais são sócios indissolúveis e indissociáveis desde mais de 500 anos nesse Brasilzão de Meu Deus. Funciona assim: os governos gastam muito mais do que nos roubam (e gastam consigo mesmos, com seus custeios imorais). Assim, precisam de dinheiro emprestado (dos bancos) para financiar a farra. E quanto mais devem, maior o risco. Ato contínuo, quanto maior o risco, maior o prêmio (juros). Resultado: 130 bilhas a mais. Além da crise fiscal eterna, a alegria da banca é feita pelo endividamento estratosférico da população (78% das famílias estão endividadas) e pelos juros acachapantes que cobram, sobretudo dos inadimplentes (mais de 67 milhões de brasileiros). Quanto mais crédito, mais extorsão, mais lucro, mais crédito… o ciclo perverso ideal. Chova ou faça sol, com ou sem covid, com ou sem guerra, além da morte e impostos, os lucros bancários são certos.

    O meliante de São Bernardo vive jactando-se de que em seu governo, os bancos ganharam dinheiro como “nunca antes na história neste paíff”. Bem, ainda que tenham ganhado oceanos de dinheiro, não é verdade que “nunca antes neste paíff”, conforme mostra o relatório do BC. É deMiJair Bozonaro, o devoto da cloroquina, o título de mãezona do ano dos banqueiros. Se o chefão petista foi o pai, é o amigão do Queiroz a mãe deles. Aliás, o maníaco do tratamento precoce, como o pai do Ronaldinho dos negócios, vive mentindo a respeito da relação incestuosa com os magnatas do capital. O patriarca do clã das rachadinhas diz que os banqueiros o detestam, porque seria ele o inventor do PIX (tão verdadeiro quanto um Rolex paraguaio), que teria causado prejuízos enormes aos bancos. Se 132 bilhões de reais são prejuízo, imagino o que seria lucro. E a expectativa, com os recentes aumentos da Selic (hoje em 13,75%), é de mais festa na Faria Lima.

    A dívida pública brasileira supera 6 trilhões de reais e o desgoverno do biroliro já jogou no lixo a responsabilidade fiscal em mais de 210 bilhões de reais. Paulo Guedes começou seu ministério prometendo (falsamente) libertar o povo, mas termina o mandato entupindo as burras dos bancos, das grandes corporações, dos super-ricos e dos militares parasitários que ocupam cargos na administração federal. O bibelô bolsonarista não difere muito dos 200 milhões de brasileiros, não. Só não é tão trouxa como nós.

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    Publicado por igor | 17 de agosto de 2022, 17:14
  2. A Unafisco criou um “Privilegiômetro” pra acompanhar a evolução das DTs.

    Tecnicamente, não há como dizer que as DTs beneficiam exclusivamente os mais ricos. Mas, a cada dia que passa, torna-se mais evidente que esse mecanismo não só não serve aos propósitos que, supostamente, nortearam sua criação, como até conflita com esses propósitos.

    Exemplo: algumas isenções fiscais são concedidas por atividade econômica, e não pelo porte das emoresas.

    Uma empresa de comunicação — formada por estações de tevê e de rádio, msis jornais e revistas — tem imunidade tributária, independentemente do porte do empreendimento e do lucro.

    Isso cria a exdrúxula situação em que a padaria da esquina paga mais impostos diretos e indiretos — até mesmo em termos absolutos — que uma mega rede tevê, rádio, jornal e revista.

    E isso está determinado na Constituição brasileira!

    Ou seja; o país precisa de uma reforma tributária.

    Mas, quem fará essa reforma? Os mesmos caras que criaram esses dinheirodutos de privilégios?

    O que nos faz crer que, agora ou no futuro próximo, eles farão diferente?

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    Publicado por Elias | 17 de agosto de 2022, 22:27
  3. O pior é que, tecnicamente, a Despesa Tributária não é corrupção.

    É tudo feito no rigor da lei. Em alguns casos — como nas empresas de comunicação — cumprindo disposições constitucionais.

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    Publicado por Elias | 18 de agosto de 2022, 20:20
  4. As empresas não pagam, exatamente porque é “Despesa Tributária”. Esse é o nome que se dá à renúncia fiscal decorrente de isenções ou reduções concedidas a empresas.

    É chamada de “Despesa Tributária” porque, no jogo do faz-de-conta, é como se a empresa recolhesse o tributo e, ato contínuo, o governo devolvesse o valor do tributo recolhido. O valor “recolhido” pela empresa seria “Receita Tributária”, e a “devolução” feita pelo governo seria “Despesa Tributária”.

    Teoricamente, a “Despesa Tributária” deveria servir pra incentivar investimentos em uma dada região, ou para corrigir distorções internacionais ou intersetoriais, ou para apoiar determinadas atividsdes produtivas, etc.

    Na prática…

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    Publicado por Elias | 19 de agosto de 2022, 14:03

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