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Navegação, Transporte

Rios da morte

No dia 3 de agosto, a embarcação Clicia X Expresso foi apreendida pela Capitania dos Portos da Amazônia Oriental, acionada pela Arcon (Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Estado), por operar em situação irregular. Apenas um mês depois, a mesma empresa, a M. de Souza Navegação, mantinha em situação irregular outro barco da sua frota.

O “Dona Lourdes”, que saiu de um porto clandestino no Marajó, naufragou próximo à ilha de Cotijuba, na área metropolitana de Belém. Pelo menos 20 dos presumidos 82 passageiros a bordo morreram (se, como parece provável, o barco excedesse sua lotação, o número de vítimas pode ser maior).

O caso mostra o desprezo desse empresário pela lei e pela vida dos seus passageiros. Se a nova transgressão for constatada, as autoridades têm que aplicar a penalidade máxima. Ou continuarão a ser desrespeitadas,

Discussão

8 comentários sobre “Rios da morte

  1. Isso lembra a história do Bateau Mouche IV, onde o desrespeito as regras e irresponsabilidade somados a corrupção dos donos do barco em conluio com os fiscalizadores matou dezenas de pessoas. Pior: os responsáveis por essa tragédia ficaram impunes, livres, leves e soltos, e alguns deles fugiram do país. E assim a história se repete como tragédia e farsa, dessa vez nos rios da Amazônia.

    Sobre isso, segue matéria abaixo: https://colunaolavodutra.com.br/tragedia-de-cotijuba-aponta-necessidade-de-o-governo-do-para-reavaliar-papel-da-arcon-na-fiscalizacao-do-transporte/

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    Publicado por igor | 11 de setembro de 2022, 11:01
  2. Lúcio, o desprezo é geral, inclusive dos governadores e da capitania dos portos. Essa coisa de barco remendado afundar e matar gente no Pará é assunto velho, rebatido e ninguém faz nada. Os barcos menores continuam escalpelando meninas e embora muitas ações oficiais tenham sido propaladas nenhuma foi capaz até hoje de prender quem continua ignorando a desgraça alheia.
    Esse modelo de lancha é uma verdadeira ratoeira, onde depois de fazer água não há espaço de fuga para os passageiros; a ARCON sabe disso e nada faz.

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    Publicado por J.Jorge | 11 de setembro de 2022, 16:16
  3. Lúcio, não são rios da morte. Imagino que você fez uma analogia com as “rodovias da morte” que tiram a vida das pessoas (automóveis) e de grupos de pessoas (ônibus) com muita frequência. No caso dos automóveis, quase todos os dias temos notícias trágicas de morte no trânsito, inclusive de pessoas que, tendo se acidentado em um veiculo particular, vão à beira da estrada para pedir socorro e nesse momento são atropeladas e mortas pelos outros veículos que deveriam socorrê-las.
    Nas estradas o problema deve-se predominantemente à conduta do motorista que faz ultrapassagens proibidas, dirige em alta velocidade ou alcoolizado, mas também à própria condição da via, mal conservada, mal iluminada, mal planejada, localizada em terreno de tráfego arriscado, perigoso ou ainda devido a temporais. Há casos também de veículos velhos com problemas mecânicos, mas não é o que predomina. E estes são os que carregam turmas de trabalhadores e são contratados pelos seus patrões.
    Mas os rios amazônicos, que grandes perigos naturais oferecem? Pouquíssimos. De fato, as vias fluviais são cheias de vida, e as viagens poderiam ser muito aprazíveis, um descanso mesmo quando se viaja a trabalho. Quando conheci o teleférico da cidade de La Paz, inaugurado no governo do presidente Evo Morales, eu fiquei fascinada com a paisagem andina, final de tarde, pôr do sol. É uma viagem incrível que nem dá vontade de descer quando chegamos na estação de destino. Eu entrevistei algumas passageiras que embarcavam na estação central no final do expediente, elas me disseram isso mesmo: que ir para as suas casas sobrevoando as montanhas era uma curtição, que elas chegavam mais descansadas no dia de trabalho.
    Acho que, ao contrário das estradas, as vias fluviais, muito diferentes, inspiram confiança, segurança, em primeiro lugar porque não há a intensidade de tráfego das vias rodoviárias, o barulho, o calor, a poluição atmosférica, o buzinaço. Então, quando ocorre uma tragédia dessa dimensão, a responsabilidade pelo sinistro recai muito mais sobre o responsável ou proprietário da embarcação e sobre o órgão fiscalizador ou executor da penalidade. Mas recai também sobre o poder público que não oferece transporte público fluvial de qualidade, deixando a população ribeirinha refém da superlotação, da má qualidade e alta tarifa do setor privado.
    No Fórum Social Mundial, em 2009, a governadora Ana Julia fez uma coisa legal: ela colocou transporte público fluvial de Icooaraci e Outeiro até UFPA e UFRA. Tinha até um mapinha impresso com esse trajeto. Na Assembleia de encerramento do Fórum, argumentei que aquilo que aconteceu excepcionalmente deveria se transformar em política municipal de transporte público, porque os estudantes que vêm de Icoaraci/Outeiro para a UFPA chegam mortos de cansados e isso prejudica no processo de aprendizagem. Da mesma forma (nessa época que eu ministrava aulas no período noturno), tinha aluno que vinha de Barcarena e pegava três tipos de transporte para chegar ao Campus. Ela disse que sim, que aquilo ia se transformar em política no seu governo e que ia implantar o Bilhete Único. E que o navio Belém-Mosqueiro-Belém ia voltar…

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    Publicado por Marly Silva | 11 de setembro de 2022, 19:06
  4. O seguro morreu de velho nos rios da Amazônia.

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    Publicado por igor | 12 de setembro de 2022, 08:46
  5. Das muitas reportagens televisivas,não vi em nenhuma qualquer de declaração de algum representante da Capitania dos Portos.Alguém viu algo a respeito?

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    Publicado por Wilton Almeida | 12 de setembro de 2022, 11:28
  6. Veja só a palhaçada na qual a ARCON se transformou: https://ver-o-fato.com.br/exclusivo-arcon-gastou-r-12-milhao-com-diarias-tem-fiscalizacao-precaria-e-arranjos-politicos/

    Olhando essa reportagem, Lúcio, o senhor não acha que tem gente de dentro da ARCON que deveria ir pra cadeia? Não existe uma caixa-preta dentro desse órgão, a qual gerou todo um cenário trágico?

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    Publicado por igor | 12 de setembro de 2022, 19:59

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