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Governo, Saúde

Pet-Scan: por que a sabotagem?

À cata de uma explicação para a inacreditável resistência da direção do Hospital Ophir Loyola e da própria administração pública estadual a colocar em funcionamento o pet-scan, aparelho de diagnóstico do câncer, encontrei no portal do Bacana na internet, de responsabilidade do jornalista Marcelo Marques, uma notícia que ele publicou em 4 de maio de 2018, que é a seguinte:

______________

Sempre empenhado em melhorar o atendimento da saúde pública no Pará, o senador Flexa Ribeiro garantiu mais R$ 6 milhões em recursos destinados via emenda parlamentar para a aquisição de um aparelho inovador no tratamento do câncer. Instalado no Hospital Ophir Loyola, o PET-CT será o primeiro a atender os pacientes da rede SUS na região norte.

Com uma tecnologia avançada, o aparelho consegue capturar lesões mínimas que exames de ressonância magnética e de tomografia computadorizada não fazem. Além de detectar o tumor, o PET-CT é muito importante no diagnóstico precoce da doença, estabelecendo uma conduta mais adequada no tratamento.

A expectativa é que o novo aparelho seja instalado em 60 dias. Ele ficará no Hospital Ophir Loyola, referência no tratamento do câncer na região norte. “Fico muito satisfeito em poder colaborar com a melhoria da saúde no Pará e trazer ao Estado este que será o primeiro aparelho no tratamento mais eficaz do câncer. Milhões de paraenses que são atendidos na rede pública terão uma resposta melhor ao tratamento, minimizando o sofrimento e ajudando a salvar vidas”, ressaltou o senador Flexa Ribeiro.

O exame PET-CT é o mais indicado para acompanhar o desenvolvimento e a resposta aos medicamentos dos tumores. Até o momento presente apenas nos hospitais da rede privada, um exame do PET-CT custa, em média, entre R$ 3,5 mil e R$ 4 mil. Quando estiver funcionando no Ophir Loyola, o exame será inteiramente gratuito. [Os grifos são meus.}

________________

O aparelho foi adquirido e enviado ao Ophir Loyola, mas a administração da época, no governo tucano de Simão Jatene, não conseguiu instalá-lo. Em 1º de janeiro começou o governo Helder Barbalho, que nomeou a nova direção. O veto à instalação do pet-scan foi por motivo político, para não ter que citar o governo anterior? Observe-se que o senador Flexa Ribeiro não se manifestou até hoje sobre a questão. Terá sido porque se aliou a Helder e subiu no mesmo palanque do candidato à reeleição (que acabou bem-sucedido), enquanto Flexa não conseguiu a recondução ao Senado (mas talvez venha a ser premiado pela iniciativa de se aliar aos Barbalho?).

Ou a sabotagem ao aparelho tem algo a ver com o monopólio do pet-scan pelos hospitais privados, que seria rompido pelo funcionamento da máquina em hospital público, com serviço gratuito? Ou, à parte esta hipótese, o desencaixotamento e funcionamento também pode estar condicionado à privatização do HOL?

Essa novela inacreditável já completou quatro anos e todos os protagonistas continuam mudos, surdos e cúmplices do desserviço de saúde pública à população.

Discussão

3 comentários sobre “Pet-Scan: por que a sabotagem?

  1. Até agora, tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. E já que a esperança é a última que morre, o que fazer com os R$ 6 milhões de reais (que hoje seriam mais de 10 milhões) em recursos da União investidos pelo então senador Flexa em 2018 com esse aparelho que nunca foi posto funcionar. São R$ 10 milhões jogados, sei lá, no bolso de alguém (no meu é que não foi, claro), enquanto tem gente que, com certeza, se não tá morrendo por metástase no câncer. tem que se prestar a tudo, deslocar pra muito longe e gastar o que não tem para se tratar dessa doença a qual mata milhões no mundo.

    São milhões de reais jogados pelo ralo e, se não querem instalar o aparelho, por que não devolvem pra União esse dinheiro? Afinal, o que que está faltando pro governo estadual ou o Ministério Público assumir as rédeas da situação de verdade, hein governador Helder, hein MP, hein ex-senador Flexa? Eles, se tivesse coragem, sensibilidade e vergonha na cara, de verdade, cobrariam urgente da SESPA e da Vovó Metralha, a diretora do hospital, a instalação urgente desse pet-scan. Ah, mas não se pode fazer nada. Quer dizer, o governador Helder, o ex-senador Flexa, a Secretaria de Saúde e a Vovó Metralha mandaram às favas todos os escrúpulos de consciência, como diria Passarinho na hora de assinar o AI-5.

    Do jeito que tá o silêncio, dá até a impressão de que o povão tá concordando com tamanha sacanagem, não é verdade? São R$ 6 milhões!!! E aí, o que vão fazer com esse dinheiro, afinal? Vão pedir pelo menos a devolução disso? É um dinheiro público, da União, meu, teu e nosso que foi jogado no ralo. Isso, pior que tá, não pode ficar assim não. E há de se continuar a cobrar essa questão das autoridades, com o devido respeito ao povo paraense.

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    Publicado por igor | 1 de dezembro de 2022, 10:26
    • O mais intrigante é o silêncio e a inação do combativo Ministério Público Federal. Afinal, trata-se de dinheiro repassado pelo governo federal. Não interessa ao MPF cobrar responsabilidades pela eventualidade de mau uso ou malversação do dinheiro público da União?

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 1 de dezembro de 2022, 10:40

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