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Polícia, Segurança pública, Violência

Esta é a segurança pública

O motorista de táxi parou no cruzamento da Angustura com a Marquês, na Pedreira, às sete e meia da noite de segunda-feira. Sentindo frio, deixou o vidro baixado. Dois homens o abordaram, um deles com um revólver. Entraram e seguiram para a rua Nova, onde mais dois comparsas embarcaram. O motorista foi colocado no banco traseiro.

Durante uma hora circularam pela cidade praticando assaltos. O motorista foi mantido com eles para servir de refém, se necessário. Satisfeitos com o butim, pararam, desceram e mandaram o motorista sentar no seu assento, com o carro ligado. Quando o motorista assumiu a direção, o assaltante que estava armado apontou o revólver e atirou. O disparo falhou. O motorista não esperou para ver. Acelerou e conseguiu fugir antes que o assaltante tivesse tempo de fazer outro disparo.

O episódio, que ele me narrou, pedindo para não ser identificado, mostra que os assaltantes, que antes levavam o carro, agora carregam consigo o motorista para tomá-lo por refém.  A prática se tornou corrente, rotineira. O modo de agir da polícia transformou a prática numa indústria.

Mesmo quando estão satisfeitos com o resultado da sua ação criminosa, os assaltantes excedem os seus objetivos. O assassinato é, conforme a letra da lei, por motivo fútil ou torpe, sem dar a menor possibilidade de defesa à vítima. Nem supor que vai ser morta ela pode. Morre no susto.

O motorista foi à delegacia da Pedreira fazer o BO, mas, pouco depois das oito e meia da noite, o expediente já estava encerrado. Teve que  ir à Seccional do Marco, que funciona como precária central de plantão. A polícia já devia ter uma central de flagrantes especializada, bem aparelhada e com pessoal em número suficiente para o atendimento imediato e as providências necessárias.

Mas a polícia está com quadro insuficiente, desmotivada e, a bem dizer, sem comando. O que não impede que seu não-comando permaneça onde está e como está.

Discussão

3 comentários sobre “Esta é a segurança pública

  1. Qual segurança pública? Há alguma? Tudo isso acontecendo e o general do Jatene continua fazendo mais do mesmo: dando milho aos pombos!

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    Publicado por José Silva | 31 de dezembro de 2017, 09:10
  2. Não existe segurança pública no Brasil e, pior ainda, no Estado do Pará.
    Está tudo dominado. A impunidade é certa. O cidadão desarmado e indefeso.
    Mantêm-se processos e sistemas arcaicos de combate e controle do crime e o aparato de repressão e de prevenção não funciona.
    O sistema penitenciário é arcaico e cruel, inseguro e facilita a organização dos criminosos.
    As leis complacentes, os processos policiais e judiciais morosos e incapazes de resultados efetivos em curto prazo de ação.
    Não há inteligência, nem informação segura. As testemunhas têm medo de serem vítimas dos criminosos, que se vingam da cadeia, mandando matar quem se atreve a encará-los e encarcerá-los.
    Não se respeita escolas e nem igrejas.
    Estamos caminhando para um Estado dominado por Comandos de criminosos.
    Os governantes reagem apenas com pirotecnia para impressionar os contribuintes nervosos e aterrorizados, mas tudo se acaba rapidamente até outras ações criminosas de destaque.
    As crianças não podem mais brincar nas ruas.
    Os adolescentes precisam ser privados de liberdade, pois senão são alvos do tráfico, especialmente os que moram nos bairros pobres e invasões urbanas, nas favelas e amontoados humanos, que dividem a miséria e a violência com os alvos de ação dos traficantes.
    Os corruptos usam dinheiro desviado de obras para bancar o crime. Muitos representantes do povo estão dominados pelo crime através dos patrocinadores das campanhas. Desses, quem for contra os interesses do tráfico e crime organizado, morre ou não se elege.
    Aqui no Pará a situação é pior, pois não existe governo que defenda a infância e a juventude, com escolas integrais e seguras; esporte competitivo e de desenvolvimento do corpo; nem eventos culturais e formação profissionalizante desde a idade possível.
    As penitenciárias precisam ser modificadas, inclusive na arquitetura. Não se justificam mais prisões nos moldes atuais, que misturam tudo e permitem a promiscuidade entre presos e guardiões, os tais agentes penitenciários.
    As penitenciárias federais e estaduais deveriam ser de construção vertical, espigões de 20 a 40 andares, automatizadas, que permitissem condições humanas de existência, mas impedissem a articulação dos criminosos para, de lá, comandarem o crime e ações pontuais.
    Cada macaco no seu galho e cada condenado na sua cela, donde sairiam para atividades de trabalho e de saúde, monitorados, impedindo a promiscuidade e a dominação sob o controle dos mais perigosos, de alta periculosidade, que deveriam merecer cela com o conforto humanitário, mas nenhum contato direto com agentes prisionais e outros criminosos.
    “Ah, isso fere os direitos humanos e ele precisa se socializar!” diriam os defensores de bandidos, sem se preocuparem com os direitos dos que morreram ou perderam a vida e patrimônio pelas ações monstruosas que cometeram em seus assaltos e atos criminosos. Crimes hediondos e de alto grau de violência, não merecem contemplação: isolamento e cumprimento da pena sem condescendências, que não tiveram com as vítimas, como no caso relato, quando o sequestrado, após assistir todas as atrocidades cometidas pelos assaltantes, escapou de morrer por pura sorte ou proteção de seu anjo da guarda. Eles matariam e depois iriam tomar umas “geladas” no primeiro bar, festejando o sucesso da ação.
    Um cientista social, que não lembro o nome, disse do alto de sua sabedoria que criminoso profissional não se arrepende e nem tem remorso, apenas medo de ser punido. Isso no resto do mundo, pois no Brasil ser preso é apenas uma reciclagem que os bandidos têm, adquirindo novos comparsas e conhecimentos nas cadeias. Os criminosos eventuais, ao serem presos, são transformados em bandidos de alta periculosidade, ou então morrem.
    O problema é muito sério e exige ações imediatas, posto que os comandos criminosos dentro de pouco tempo vão eleger prefeitos, governadores, presidentes, parlamentares, promotores e juízes.

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    Publicado por JAB Viana | 31 de dezembro de 2017, 15:22
  3. Sob a ditadura da corrupção, comandada pela corrupta elite, em que tempo “os comandos criminosos” deixaram de eleger seus representantes? Sociologia da reeleição, pois.

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    Publicado por Luiz Mário | 2 de janeiro de 2018, 11:06

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