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Economia, Justiça, Política

A raiz da roubalheira

Em dezembro de 2016, os bancos brasileiros emprestaram 1,5 trilhão de reais cobrando juro médio de 52,0% ao ano. Nessa mesma data, os bancos estatais (principalmente Banco do Brasil, BNDES e Caixa) emprestaram o mesmo volume de dinheiro, ou R$ 1,5 trilhão, com juro médio de 10,7% ao ano. A bruta diferença foi paga pelo contribuinte para que clientes privilegiados recebessem esse formidável subsídio, talvez sem paralelo no mundo capitalista.

Os sucessivos escândalos produzidos em escalada crescente pela Operação Lava-Jato fizeram a população brasileira calcular melhor o tamanho desse rombo, identificar os processos para a seleção dos beneficiados por esse subsídio e conhecer todos os vilões dessa história imoral. Políticos e burocratas só puderam valorizar a vnda dos seus serviços pela existência dessa política de crédito. Empresários inescrupulosos só tiveram acesso ao tesouro porque, tendo dinheiro para começar o jogo, realimentaram seus caixas em evolução exponencial porque avançavam sobre o patrimônio público.

Conclusão óbvia: é preciso acabar com essa política de juro especial. Quem defende essa medida, autenticamente de salva-pátria?

PS – Para esclarecer os eventuais céticos.

Em números mais detalhados, o crédito no mercado livre somou R$ 1 trilhão 557 bilhões. O crédito subsidiado, R$ 1 trilhão 550 bilhçoes. Menor, portanto, “apenas” R$ 7 bilhões.

Num cálculo simples, quem recebeu dinheiro dos bancos estatais pagou pouco mais de R$ 150 bilhões de juro. Se fosse para o mercado livre, teria que desembolsar R$ 600 bilhões. Os amigos do rei lucraram, portanto, R$ 450 bilhões.

Assim, onerando o povo, que precisa trabalhar para se manter, os nababos da república das Odebrecht, JBS, Adrade Gutierrez, Camargo Correa et caterva, podiam pagar seus 300, 400, 500 milhoes de reais em propinas ao setor público. À ala corrupta e venal do setor público.

 

Discussão

5 comentários sobre “A raiz da roubalheira

  1. Infelizmente, o problema raiz é o nosso povo.

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    Publicado por Bernardo | 20 de maio de 2017, 11:48
  2. Pois é. Já estávamos falando isso nesse blog por muito tempo. Somente agora a população começou a ter uma idéia real do custo do BNDES. É o BNDES que mantém os juros para todos altos. Sem o BNDES, os juros cairiam para taxas adequadas.

    No final, parece que o problema do Brasil não é somente a corrupção, mas os privilégios. Todo mundo no Brasil tem algum privilégio (aposentadorias com salário integral, pensões, férias desnecessárias, DAS, acesso a licitações antes de todios, empregos vitalícios sem análise de mérito, descontos desnecessários no imposto de renda, tarifas mais baratas de serviços públicos, isenção de impostos, acesso a programas sociais sem ter necessidade, etc, etc). Naturalmente, alguns mais acesso a privilérgios do que outros, mas todos têm algum escondido embaixo do seu tapete.

    Em conjunto são esses privilégios que corrompem e destroem o pais. A máquina de Brasilia funciona a todo vapor para basicamente manter os privilégios existentes e produzir mais privilégios em série.

    Quem tem mais poder, influência e dinheiro é quem ganha mais privilégios. A conversa entre o Joesley e o Temer mostrou isso. Toda a estrutura montada pela JBS era para manter e expandir privilégios. Entretanto, esse é o mesmo tipo de conversa que acontece diariamente em qualquer gabinete refrigerado de Brasília. É o toma lá, dá cá de privilégios. Todos querendo maximizar privilégios para minimizar riscos. É o paleocapitalismo brasileiro.

    A grande questão que se coloca é quem quer abrir mão dos seus privilégios e direitos adquiridos para se ter um país mais justo e honesto?

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    Publicado por Jose Silva | 20 de maio de 2017, 11:53
  3. Mais ainda falando de instituições reguladoras. O mais interessante é ver Joesley conversando com o ex-administrador dos seus negócios, Henrique Meirelles e conversando sobre o juros. Não só, mas as conversas indicavam que ele teria contatos no CADE, na Petrobras, com dirigentes, presidentes, políticos e demais pra negociar o valor dos juros ou o preço do petróleo em favor de seus negócios. E era apenas um empresario. Parece que mais do que a figura de vice, a figura de presidente no Brasil é decorativa.

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    Publicado por Fabrício | 20 de maio de 2017, 14:19
  4. Sociologia da Reeleição:

    “O caso Morel
    O crime da mala
    Coroa-Brastel
    O escândalo das jóias
    E o contrabando
    E um bando de gente
    Importante envolvida…”

    (Trecho da música “Alvorada Voraz”/ RPM)

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    Publicado por Luiz Mário | 21 de maio de 2017, 13:04

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